Após uma trégua de 40 dias, o fim do recesso na Câmara é o ponto de partida de mais um ano de grandes tumultos no cenário político local. A partir de agora, tudo – absolutamente tudo – levará em conta as perdas e ganhos em relação às eleições de outubro. Cada frase dita – e também as não ditas – tendem a ser fruto de uma reflexão prévia sobre as vantagens eleitorais que podem despertar. E, neste contexto, considerando que a oposição é maioria, com seis das dez cadeiras do Legislativo, é provável que o prefeito Kadu seja tratado, na maior parte do tempo, como um adversário a abater. É uma estratégia relativamente lógica, mas que também envolve riscos. Discursos vazios, acusações vagas e insinuações não comprovadas podem se voltar contra os seus autores. Em geral, as pessoas simpatizam com as “vítimas” e quando alguém apanha o tempo todo e segue resistindo, a compaixão se transforma em admiração. Já aconteceu antes e não seria surpresa se o fenômeno se repetisse.

Impeachment
Já na primeira sessão deste último ano da legislatura, suas excelências votam a admissibilidade de mais um requerimento de Impeachment contra o prefeito. Formulado pelo líder comunitário João Santos, no documento, Kadu é acusado de improbidade porque não atualizou a legislação do Plano Diretor. Tecnicamente correto, o pedido possui fragilidades bem claras. Primeiro, porque a atual gestão é a quarta que negligencia seu papel neste tema e os prefeitos anteriores, tão culpados quanto o atual, não serão molestados por isso. Em segundo lugar, cassar um prefeito pelo descumprimento de uma lei abre um precedente perigoso, colocando em risco todas as futuras administrações.

Fiscais
Há que se considerar, também, que os vereadores têm, constitucionalmente, o papel de fiscalizar o Poder Executivo. Os dez que possuem mandato hoje nada fizeram, em três anos, para impedir a “obsolescência” do Plano Diretor. São corresponsáveis.

Em dívida
Aliás, a Câmara encerrou 2019 em dívida com a população. Aberta em março, a CPI do Plano de Carreira está prestes a completar um ano sem previsão de encerramento. Ainda não se sabe o que exatamente provocou o inchaço na folha de pagamento a partir de dezembro de 2015, quando a matéria foi aprovada. A previsão foi que as despesas aumentariam em cerca de R$ 300 mil ao mês, mas os valores alcançaram cinco vezes isso.

Explicações
Suas excelências também estão devendo um posicionamento em relação às denúncias de assédio e de “rachadinha” que pesam contra Érico Velten (PDT). Se acham que ele é inocente da acusação de exigir de sua ex-assessora o repasse de parte do salário para um terceiro, deveriam defendê-lo. Ou deixar que o Conselho de Ética trate do assunto. Para a Polícia e o Ministério Público, Velten é culpado.

Nova CPI
E por falar em CPI, logo no começo do ano legislativo, deve ser instalada mais uma, com o objetivo de investigar denúncias de irregularidades no contrato da coleta do lixo. A iniciativa é do vereador Felipe Kinn da Silva (MDB), que até passou trabalho para conseguir as assinaturas necessárias para garantir a abertura. Agora o trabalho precisa ser feito, por mais demorado que se torne.

Perdendo tempo
Se, de um lado, parece haver entre os oponentes do prefeito uma disposição clara para vê-lo sangrando ao longo do ano, comprometendo suas chances de reeleição, também é verdade que a estratégia é um pouco arriscada. Alguns vereadores podem acabar perdendo tempo demais nesta tarefa e esquecendo de suas próprias campanhas pela reeleição. Por sinal, um desafio e tanto.

Momentos decisivos
Em meio a toda essa balbúrdia, dia 5 de março inicia a “janela partidária”, período de um mês em que os atuais vereadores poderão trocar de partidos sem risco de perda dos mandatos. Isso torna os próximos dias decisivos para quem deseja permanecer na política. Além de decidir se ficam onde estão, cada um terá de avaliar suas chances de sucesso nas urnas a partir dos comportamentos que vêm encenando até agora. Se alguém quer fazer diferente, a hora é agora. É de perder o sono!


 

RAPIDINHAS
Quando um vereador vai para a tribuna todas as semanas, reclamar que seus pedidos não são atendidos pelo governo, não está, ele próprio, informando ao eleitor que não tem força e que talvez o melhor seja procurar outro?

Mais uma vez, a Prefeitura socorre o governo do Estado. Agora, através da cedência de uma estagiária para otimizar a confecção das carteiras de identidade junto ao prédio do Sine. A população agradece.

À medida que a implantação da Faixa Nobre no Centro se aproxima, as pessoas começam a se interessar pelo assunto. E a grande preocupação do momento é com o número insuficiente de vagas para motos e com o trabalho dos motoboys.

Como ainda faltam duas semanas para o início da cobrança e o governo possui em seus quadros especialistas no assunto, é de se esperar que a solução apareça antes do dia 17.

Desde que assumiu, há três meses, o secretário de Viação e Serviços Urbanos, Léo Barreto, contabiliza em torno de 200 obras de manutenção em redes de esgoto. E ainda tem muito trabalho pela frente.

Deve ser bom “morar” nas redes sociais do prefeito Kadu. Só as boas notícias do governo, frases e imagens de autoajuda e NENHUM comentário jocoso ou crítica. Nem Jesus conseguiria tamanho milagre!

A promoção de um rodeio no Parque Centenário, em março, é uma boa notícia para os tradicionalistas da região. Quem sabe, será também o embrião de um trabalho que traga de volta ao local as alegres celebrações da Semana Farroupilha, em setembro, que fizeram muita falta no ano passado.


 

Efeito retardado
Assim como as realizações de um governo podem deixar marcas históricas, também os erros e a incompetência dos gestores deixam feridas que teimam em não cicatrizar. Uma delas, aberta de 2013, na gestão Paulo Azeredo, está sangrando agora. Na época, o direito de pagar a folha de salários foi vendido pela Prefeitura à Caixa e, neste processo, vazaram os contracheques de centenas de servidores. Eles entraram na Justiça e tiveram reconhecido seu direito a indenizações por danos morais. A conta deve passar de R$ 1,5 milhão.

Impunes – A Administração acredita que vai conseguir se ressarcir do prejuízo através de uma ação contra a Caixa, mas não há garantias. Já com os servidores ou ocupantes de cargos de confiança responsáveis pelo repasse dos contra-cheques, parece que não vai ocorrer nada. Como sempre, a conta estoura no contribuinte.


 

Crédito
A Administração Municipal assinou contrato de repasse com a Caixa para o recapeamento asfáltico das ruas Arthur Renner, Cylon Rosa e Aloys Jacob Kerber. São R$ 286.500,00, obtidos através de emenda ao orçamento da União patrocinada pelo deputado federal Giovani Feltes (MDB). Felipe Kinn da Silva lamenta que o governo não dê crédito aos vereadores quando eles interagem com os parlamentares para a obtenção das verbas. Neste caso, foi dele (Felipe) a iniciativa.


 

Tremei, bandidagem
O monitoramento dos principais pontos da cidade, por meio de 20 câmeras de vigilância de última geração, põe fim a uma novela que se arrastava há mais de dez anos. O custo pode parecer alto, R$ 23,6 mil por mês, mas, considerando os ganhos, é razoável. Arrombadores, ladrões de carros, assaltantes de lojas, traficantes, golpistas e outros criminosos poderão ser facilmente identificados por meio da tecnologia de reconhecimento facial.
Pioneiro – O monitoramento ocorrerá 24 horas por dia pela Brigada Militar e pela Guarda Municipal. Segundo o prefeito Kadu, a qualidade do sistema deixa a comunidade mais segura e coloca Montenegro numa posição de pioneirismo no Estado em estratégia de prevenção ao crime.

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