Por ciúme, acusado deixou órfãos crianças de 10 e 15 anos. Foto: Facebook pessoal

Sidnei Francisco dos Santos foi condenado nessa terça-feira, 11, a 27 anos de reclusão em regime inicial fechado. Ele matou a ex-companheira, Rosane Aires de Oliveira, de 33 anos,com golpes de facão em Tupandi, no Vale do Caí. A condenação foi por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, recurso que dificultou a defesa e feminicídio).

O crime aconteceu em outubro de 2018. Rosane estava saindo para trabalhar de madrugada quando foi atacada pelo ex-marido,  em frente à casa em que vivia com os dois filhos. O homem esfaqueou Rosane e depois tentou se matar com um corte no pescoço.

Um sobrinho da vítima ainda tentou impedir. Naturais do Paraná, Rosane e o ex-marido moravam há aproximadamente dois anos no Rio Grande do Sul. Ela trabalhava em uma fábrica de móveis e ele, em uma granja, em Tupandi.

Para a promotora de Justiça de São Sebastião do Caí Priscilla Ramineli Leite Pereira foi um crime brutal e repugnante. “Cerca de 10 golpes de facão contra a vítima causaram sua morte, após ela ter rompido o relacionamento amoroso, fato que ele não aceitou. ‘Se não for minha, não será de mais ninguém’, disse o réu em mensagens à vítima na véspera de seu assassinato”, conta ela.

Conforme a decisão do juiz da 1ª vara de São Sebastião do Caí, Régis Pedrosa Barros, apesar de o homicídio em questão parecer, à primeira vista, um delito de ímpeto, foi, em verdade, premeditado, pois já havia ameaças. “Podem, ainda, ser apontados mais dois indícios que denotam a premeditação da conduta: o réu trazia consigo uma arma branca sobressalente (uma faca de ‘serrinha’), além de não ter estacionado o carro em frente à casa da vítima, mas em outra rua, a fim de, aparentemente, proceder a uma aproximação velada do local, dados que indicam que a execução foi planejada”, descreve. Além disso, o crime aconteceu na presença dos filhos da vítima, à época uma criança de nove anos e um adolescente de 15.

“Trata-se de mais um triste caso de feminicídio, em que se deve refletir sobre o machismo estrutural em nossa sociedade e a urgente necessidade de conscientização da população para que fatos como esse não se repitam”, destaca, por fim, a promotora Priscilla.

 

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