Cerca de 150 pessoas participaram da caminhada que pediu por esclarecimentos sobre a morte de Thaiane de Oliveira

LAUDOS da perícia são tidos como esperança na resolução do caso que chocou a comunidade

Três semanas após a morte da jovem Thaine de Oliveira, de 29 anos, a família da agente de saúde de Capela de Santana clama por esclarecimentos sobre o crime. Parentes e amigos pedem celeridade na emissão dos laudos da perícia, feitos na casa onde ocorreu o assassinato e também nos celulares da vítima e do autor dos disparos. No sábado, 10, cerca de 150 pessoas realizaram uma caminhada na qual o grande objetivo foi pedir justiça.

“Tá difícil. Tem horas que parece que não vou aguentar”, diz dona Geneci Oliveira, 58 anos, mãe de Thaiane. Ela, o marido Norberto Oliveira, 59, e a filha mais nova Gabriela Oliveira, 20, estiveram à frente da passeata realizada na tarde sábado. A concentração ocorreu no Centro de Eventos de Capela. De lá, o grupo de pessoas se deslocou pela principal avenida da cidade. Ao longo do trajeto, orações, frases pedindo por esclarecimentos e justiça.

Para a família, a resposta para todas as dúvidas estará nos laudos. Enquanto isso, o pensamento de todos continua voltado às circunstancias do assassinato. “É muito estranho. Se tu está com uma pessoa do teu lado, não vai levantar a mão para ver se ela está ali? O cara acorda com um barulho e não olha se a mulher dele está ao lado?”, questiona-se seu Norberto. “Ela foi arrancada do meio de nós de uma forma muito dolorosa. Com essa caminhada, queremos fazer pressão para que logo tenhamos uma resposta”, acrescenta.

A emoção tomou conta dos familiares e amigos da jovem agente de saúde durante às homenagens

Dona Geneci diz que não está acusando o genro, o que ela quer é saber o que realmente aconteceu. “A gente tem o direito de saber o que aconteceu. De uma forma ou de outra, ele matou.” A sogra revela que o genro possuía um comportamento ciumento em relação à esposa. Seu Norberto conta que, quando o casal morava ao lado de sua casa, muitas vezes o genro nem mesmo lhe cumprimentava. “Eles se mudaram porque queriam privacidade. Ele tinha manias. Quando se mudaram, ele não deixou minha filha levar junto o cachorro que ela tanto gostava”, lembra Norberto. “O sonho dela era dar um neto pra mãe dela”, acrescenta.

Geneci conta ainda que, devido ao trabalho do marido, a filha passava várias noites dormindo sozinha em casa. O ciúmes dele não deixava a jovem ir com tanta frequencia à casa dos pais. “O perigo não era ela estar sozinha e sim acompanhada”.

Carin Fortes, 40, prima de Thaiane e organizadora da caminhada, lamenta a dor da família. “Havia sinais que algo poderia acontecer, a gente que não viu. Ele não era afetuoso. Ela dizia que não tinha nascido para ser feliz”, comenta. A prima lembra ainda que há quatro anos, uma tatuagem feita por Thaiane em homenagem à família desencadeou a separação do casal. “Ele era muito ciumento”, assinala.

Thaiane é lembrada como uma pessoa especial. A amiga Andressa Vargas, 24, diz que “Thai” era muito alegre e que não deixava transparecer se havia algo errado em sua relação conjugal. “Ela era um ser de luz, um anjo na Terra. Não tem uma palavra que possa definí-la, ela era o amor em forma de pessoa”, conclui.

Relembre o caso
Um policial militar de 31 anos, lotado na corporação do município de Capela de Santana, matou a própria esposa no início da madrugada do dia 24 de julho. Ele teria confundido a companheira com um invasor e efetuou dois disparos contra Thaiane de Oliveira. Um dos tiros de pistola .40 acertou o peito da jovem, que veio a óbito.

A Polícia Civil investiga o caso e trabalha com várias hipóteses para o crime, desde homicídio culposo, quando não há intenção de matar, até crime passional, causado por motivos diversos, como brigas ou ciúmes, por exemplo.

Camisetas e cartazes com a foto de Thaiane foram feitos para o evento

O suspeito – que não teve o nome divulgado – teria alegado que desligou o disjuntor da rede elétrica por causa do temporal, deixando a casa no escuro. Então, na madrugada, acordou com barulho, viu um vulto e uma luz, pegou sua arma funcional e deu ordem de parada. Mas o vulto teria seguido andando, aí ele atirou.

A Polícia Civil aguarda o recebimento do laudo pericial para ouvir o depoimento do autor dos disparos. A expectativa do delegado Rodrigo Zucco, responsável pelo inquérito, é de receber os documentos ainda nesta terça-feira.

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