Mãos de Vânia e Claudio cultivaram o fruto que hoje garante o sucesso da agroindústria criada pelos filhos

Safra 2019. Anfitriões da abertura começaram na enxada e hoje têm agroindústria familiar

A sexta-feira, dia 24, marca mais uma abertura de safra de Citros no Rio Grande do Sul. E na edição de 2019 os anfitriões serão a família Kauer, cuja propriedade em Santos Reis – estrada de ligação com Vapor Velho, interior de Montenegro – revela uma linha do tempo que explica esta pujança, desde o início, o auge e agora os rumos traçados pela nova geração de agricultores.

No sítio onde serão recebidas as autoridades e convidados, o pomar contrasta com a pequena indústria de compotas. A Doces Vapor Velho surgiu do empreendedorismo dos filhos Gilberto Rodrigo, 31 anos, e Charles Leonardo, 28. Mas quando pensaram em alçar novos vôos, foi com a certeza de que não deveriam se afastar daquilo que a terra dos avôs Urbano Afonso Kauer e Nilvi Verni Kauer oferecia.

Está história começou na década de 60. A lembrança do patriarca Claudio Fernando Kauer, 56, tem dos seus 10 anos é da tafona onde era moída farinha de mandioca. O plantio da raiz dividia esforço com o mato de Acácia, que na época já tinha na empresa Tanac seu comprador. Eram tempos onde não havia motosserra, e o arvoredo era derrubado a machado e com a serra grande que precisava uma pessoa de cada lado.

A esposa Vânia Kauer, 54, também se lembra da época do trabalho braçal. “No inverno tu tinha as mãos machucadas de tirar a casca”. Ela se refere ao fato dos agricultores precisarem arrancar descascar os troncos usando facão. E tinham ainda que entregar com o parte de dentro seca, então espalhavam quilos de casca de Acácia pelo campo. Colocavam pela manhã, tiravam a noite e precisavam ser rápidos caso chovesse.

O Eldorado da bergamota
Então nos anos 70 a família Kauer entrou no ainda embrionário ramo da bergamota. “Nós aqui éramos uns dos primeiros. Um das primeiras bergamotas Montenegrina”, revela o pai. A pouca oferta, combinado com a grande procura e o baixo custo da época criaram um verdadeiro ouro, amarelo, doce e cítrico. “Era um alto negócio”, confirma Claudio, justificando porque abandonaram o plantio de mato.

Geléias são conservadas apenas pela ação do açúcar

Primeiro o fruteiro Claudio Laux levava a produção dos Kauer para a Capital. Mas nos anos 80 os próprios passaram a comercializar na Ceasa. “Tinhamos umas quatro carretas (de boi) por dia. E isso ia tudo! Bergamota grande e pequena”, explica dona Vânia. Já havia uma classificação em quatro tipos de fruta, todavia, ao contrário de hoje, até mesmo a miúda tinha ótima saída.

Sucesso em família é natural
Quando se chega à agroindústria Doces Vapor Velho, a cena é de pais e filhos ombro a ombro nas atividades. Mas na hora de falar do empreendedorismo são os jovens que tomam a palavra. Isso não quer dizer que os pais não saibam a respeito. Ao contrário! Pois na entrevista descrevem os cursos sobre sucos e geléias da Emater que fizeram. Sem falar na indispensável sabedoria a respeito de cultivar a terra.

Gilberto e Charles diversificaram a produção, mas sem perder de foco sua história

O órgão de apoio aos agricultores também é citado por Charles, que assinala o apoio técnico que receberam quando iniciar o projeto em 2015. “Ficamos dois anos pesquisando… se fazia ou não”, comenta. Com o crescimento da produção de Bergamota na região e consequente aumento da oferta, os irmãos foram em busca de diversificar a produção, aumentando a renda e agregando valor à propriedade.

E o doce surgiu como a melhor opção para o uso da fruta. Pois, ao contrário do suco, por exemplo, ele se conserva íntegro por muito mais tempo sem adição de químicos. Então em 2017 começou a fabricação da geléia de Bergamota em um processo orgânico e caseiro. “Usamos só três ingredientes: suco, açúcar e Peltrina (parte branca que há embaixo da casca da Laranja)”, explicou Charles.

Com 16 hectares de pomar, os Kauer vendem frutas e cerca de 2.000 quilos de geléia por ano. Os doces na versão Bergamota, Bergamota com Pimenta e Casquinha de Laranja são produzidos na pequena fábrica, que mais lembra uma cozinha. Na câmara fria são armazenadas as frutas e congelado o suco utilizado fora da safra. O produto não para em estoque, abastecendo feiras, comércios e, principalmente, a merenda escolar.

Agende-se
Evento: Abertura oficial da safra de citros do Rio Grande do Sul
Quando: Sexta-feira – 24 de maio – 13h30min
Onde: Propriedade família Kauer, na agroindústria Doces Vapor Velho.
Estrada Vapor Velho, 1.141 – localidade Santos Reis/ Montenegro

Deixe seu comentário