Direção, professores e alunos precisam intervir para escolas conseguirem funcionar

Educação. Escolas estaduais de Montenegro enfrentam dificuldades

Mais de um mês se passou desde a última matéria veiculada pelo Jornal Ibiá, mas os problemas com falta de professores e servidores continuam em quase todas as escolas estaduais de Montenegro. A situação preocupa a comunidade escolar, pais e alunos, que são afetados diariamente com falta de estrutura para o seu pleno ensino.

É com essa angústia que um grupo de mães da Escola Januário Correa se reuniu, junto ao vereador Joel Kerber, para reivindicar os direitos dos estudantes. “Estamos nos mobilizando para procurar ajuda. O Januário é a sexta melhor escola do Estado, e as crianças estão sem aula em um dia da semana. Isso pode afetá-los”, relata o grupo. Sem aulas de matemática há nove semanas, de inglês há duas, e necessidade de servidores na monitoria, limpeza e cozinha, a escola passa por grandes dificuldades.

Quando se tem algum profissional disponível na instituição, muitas vezes, ele precisa ser remanejado para suprir outra, como é o caso da única monitora da Januário Correa, que divide sua carga horária com outra escola. Em contato com a diretora, Paula Müller, foi relatado que a 2ª Coordenadoria Regional de Educação (2ª CRE), deverá providenciar um professor de matemática em breve. “Depois dessa movimentação dos pais é que conseguimos a confirmação de pelo menos um professor de matemática”, diz a diretora.

Quase o mesmo problema segue no Adelaide Sá Brito, que teve mudanças nos quadros de funcionários e está com falta de secretaria para um turno, já que uma foi realocada para outra escola. Segundo a direção, quatro turmas estão sem aulas de matemática, e sete estão sem ensino religioso. Monitor, supervisor, orientador educacional também são “luxos” que o Adelaide não possui.

Pais e alunos da E.E.E.F. Cel Januário Correa manifestaram seu descontentamento com a atual situação na manhã desta terça-feira

Situação se repete na maioria das escolas
Essas dificuldades persistem em quase todas as escolas estaduais da cidade, das 17, apenas 3 estão com seus quadros de professores e servidores completos. Na Osvaldo Brochier, a situação é de calamidade, já que o colégio está sem nenhum servidor de limpeza desde o início do ano. “Está todo mundo se desdobrando”, diz a diretora Débora Batista. Segundo ela, direção, monitores e professores ajudam na limpeza, além dos alunos precisarem fazer a sua parte na manutenção das salas de aulas. Além disso, as aulas de geografias estão paradas, mas o professor já está em processo de contratação.

Esse processo de contratação é demorado e diversas escolas reclamam do tempo em que os alunos ficam sem aula. É o caso do Álvaro de Moraes. Os professores de geografia e educação física estão em processo de contratação, mas, enquanto isso, os alunos estão sendo prejudicados.

No A. J. Renner estavam faltando professores de espanhol e português. A de português chegou recentemente, mas os alunos ainda aguardam pelo encaminhamento da professora de espanhol. No Colégio Ivo Bühler, o Ciep, o monitor e os professores das áreas de Ciências, Artes e Matemática tinham sido repostos há um mês, porém, cerca de uma semana atrás, o professor de Artes pediu exoneração e o problema continua. A falta de três funcionários na limpeza e três na cozinha também atrapalha a organização. “Nós tentamos ajeitar as aulas de uma ou outra forma, mas prejudica o aluno no aprendizado. Na limpeza, nós fazemos basicamente o essencial, e na cozinha nós tentamos cumprir o cardápio, mas muitas vezes precisamos de ajuda porque falta gente pra fazer as comidas”, fala o diretor, Renato Antônio Kranz.

No Manoel de Souza Moraes, porém não é possível essa ajuda. A escola que acolhe um grande número de crianças com patologias, tinha um atendimento especializado nessa área, mas a única professora se aposentou, e a espera perdura desde o início do ano. “Essas crianças tinham um atendimento particular no contraturno. A gente percebe que, eles sendo atendidos, o atendimento é mais adequado, mas isso não está acontecendo”, diz a vice-diretora, Lissandre Drand.

No Dr. Guilherme Moojen, está faltando professor de inglês, do 6º ao 9° ano, faz um mês, devido ao pedido de exoneração do último profissional. Pedidos de exoneração, aliás, são frequentes. No Polivalente, a monitora foi exonerada e ninguém assumiu ainda. A escola também está sem secretária faz um mês, e sem um auxiliar de cozinha há dois meses.

Já no Promorar, estão precisando completar a carga horária. O professor de geografia não faz o turno total e as aulas de história do EJA estão paradas. A escola Adão Martini, no interior de Montenegro, está com falta de orientadora. Segundo a direção, o pedido já foi feito, mas até agora ninguém foi mandado. Na escola José Garibaldi estão precisando de uma secretária. No Delfina Diaz Ferraz, falta professor de português, afetando quatro turmas.

As escolas Aurélio Porto, Yara Ferraz Gaia e TANAC, são as únicas com os quadros completos. Entramos em contato com a escola São João Batista na segunda e terça-feira, mas até o fechamento desta edição, não conseguimos uma resposta.

Indagados sobre essas faltas de professores e servidores, a Secretaria de Estado da Educação apenas informa que está ciente de casos de falta de alguns professores na rede estadual de ensino, e ressalta que não está medindo esforços para que, nos próximos dias, a situação seja resolvida.

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