Apesar de mansos, não tem cerca que segure os búfalos caso eles decidam se mover. Por isso, é preciso investir no manejo

Apenas um criador está registrado em Montenegro. Produção está em fase de testes

A criação montenegrina de búfalos já foi maior. De acordo com o escritório da Inspetoria Veterinária, muitos produtores foram desistindo do negócio com o passar dos anos e o principal obstáculo é a falta de um frigorífico especializado no abate do animal. O mais próximo fica em Teutônia, o que implica em dificuldade de transporte e no aumento de custos. Apesar disso, ainda tem quem siga investindo na produção.

De volta à Fazenda Gabardo, na localidade de Pesqueiro, onde iniciamos a série Agricultura Mais abordando o plantio de nozes, conhecemos o único produtor de bubalinos registrado no Município. A propriedade montenegrina optou pela raça Murrah – uma das quatro reconhecidas no Brasil – há pouco menos de cinco anos e ainda segue em fase de testes de adaptação, sem nenhum fim comercial. Atualmente, são 31 búfalos, vivendo em uma área de 40 hectares.

Responsável técnico pela Fazenda, Alex Senisse conta que o manejo do animal pouco se diferencia do aplicado aos bovinos. “Até tem a vantagem de que eles comem o capim longo, que o gado não come. Por isso que muita gente costuma usar os búfalos para limpar os campos”, conta. Um pré-requisito para a produção, no entanto, é que o local destinado aos animais tenha bastante água, visto que, com o couro grosso, os búfalos retêm muito calor e, por isso, precisam trocar umidade o tempo todo.

“De resto, até as vacinas são iguais a dos bovinos”, adiciona Senisse. “É sem ração e tudo criado a campo, bem rústico. Nunca ouvi falar de confinamento de búfalo ou nada assim.”

Para os animais, a Fazenda precisou criar uma certa rotina, acostumando-os aos funcionários que, montados em cavalos, conduzem a manada de um ponto a outro do campo. “Ali eles acostumaram e têm água e comida. Então, eles ficam. Se deixar por conta, e não fizer manejo, aí eles se tornam selvagens”, alerta o responsável técnico.

Segundo Alex Senisse, nenhuma cerca detém um búfalo que decide fugir. Força é o que não falta para os animais, que podem pesar até 800 quilos.

Negócio tem potencial econômico garantido
Os búfalos foram trazidos inicialmente ao Brasil entre os anos de 1870 e 1890 e, por sua grande capacidade de adaptação, multiplicaram-se rapidamente pelo país. A raça Murrah, criada no Pesqueiro, é originária da Índia e se caracteriza pelo temperamento manso do animal, a pelagem de cor preta e os chifres relativamente finos e curvados.

A ideia da Fazenda é, em um futuro próximo, passar a produzir o queijo de búfala – item nutritivo e cada vez mais valorizado no mercado. Vender os animais pela carne também não é descartado, mesmo com as dificuldades impostas pela falta de um frigorífico próximo que seja especializado. “Para isso, só temos que ter em maior quantidade”, ressalta o responsável técnico.

Mais saudável que a carne bovina, a do búfalo tem 40% menos colesterol, 12 vezes menos gordura e 11% mais proteínas. “Ela tem mais valor agregado. A gordura é mais branca e a carne tem um vermelho mais forte in natura”, explica Senisse. “O valor é mais caro, já por ser uma coisa não tão comum e que as pessoas não consomem tanto.” Ele conta que o sabor, também, é mais consistente do que o da carne de gado. Bom para apreciar!

Agricultura Mais
O Ibiá está viajando pelos quatro cantos do município para conhecer mais sobre a diversificação da agricultura e da pecuária montenegrina. Com o projeto “Agricultura Mais”, conhecemos diferentes atividades e também muita gente bacana. Tudo será mostrado aqui, semanalmente, na edição impressa e no portal do jornal. Não perca! E vem conhecer com a gente um pouco mais da nossa Montenegro!

 

Deixe seu comentário