As pichações são uma espécie de marca deixada após noites de bebedeiras, uso de drogas e brigas nas imediações da Praça dos Ferroviários

Cadê o respeito? Pichações, uso inapropriado de muros, descarte de lixo e brigas afetam comerciantes

Essa não é a primeira vez que você lê uma reportagem sobre ações de vandalismo relacionados à Praça dos Ferroviários e à rua Buarque de Macedo, em Montenegro. Se ler isso lhe causa incômodo, imagine o que sente quem enfrenta, quase que diariamente, situações como brigas, descarte de lixo na porta de casa ou da empresa na qual trabalha, além de sofrer com os estragos causados pelo comportamento inadequado de alguns “cidadãos”. A Polícia tenta fazer a parte dela, mas nas lacunas de tempo entre as rondas, quem quer encontra uma forma de agir e mostrar que não faz uso da educação e consideração ao próximo.

Na madrugada do último sábado, 20, um morador do edifício localizado na frente da Praça dos Ferroviários registrou, em vídeo, cenas de uma discussão. A gritaria se intensificou por volta das 3h, além de homens falando alto, mulheres mostravam estar fora de controle. O fato não é isolado e perturba, principalmente, quem tem criança pequena.

É comum esse tipo de situação no local, e não só lá. As brigas acontecem em ruas paralelas à Rua do Engenho (via ao lado da Praça), como na João Schenkel, por exemplo. A casa de César Mello, 50, fica junto à calçada. Ele e a esposa já estão acostumados a ouvir as conversas e desentendimentos que ocorrem bem na janela do quarto onde dormem. “Eles sentam na calçada e ficam horas bebendo e brigando”, conta o morador.

Além da perturbação do sossego alheio, espaços como muros e portas de lojas são usados como banheiro. A comerciante Caroline Schenkel conta que precisou fazer mudanças na entrada da loja porque a grade de ferro enferrujou de tanto ser usada como mictório. O lixo é outro problema. “Quando a gente chega para trabalhar tem muito lixo na calçada, principalmente nos sábados e segundas. Tem garrafas, sacos de gelo, bitucas de cigarros A gente sempre tem que limpar para poder receber os clientes”, relata.

“Todos os finais de semana o pessoal fica aqui na frente. De quinta até domingo a gente chega na loja e tem lixo pra todo o lado. É copo plástico espalhado. Tem que chegar varrendo”, corrobora Augusto Accadrolli. Com a bagunça ele o pai, dono de uma vidraçaria na rua Flores da Cunha, até se acostumaram. O problema é que agora o desrespeito foi superado. No último final de semana o prédio foi pichado. “Meu pai diz pra deixar os caras sentados aí, se divertindo, mas agora deu nisso. A Polícia diz que não pode tirar o pessoal aqui da frente, mas e agora, quem vai pagar a despesa da pintura?”, questiona.

Além do valor para pintar o local, o comerciante também vai desembolsar dinheiro para aquisição de mais uma câmera de segurança. O local já possui equipamentos, mas a posição, dessa vez, não permitiu a identificação dos autores da ação. Agora Augusto quer reforçar o sistema, já que, por enquanto, é só o que resta fazer. “Tem gente que está cercando as calçadas, mas aqui não tem como fazer isso, porque não tem espaço”, comenta.
O sub-comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) de Montenegro, major Iber Augusto Giordano, diz que a BM trabalha 24h em ações de segurança, mas é preciso fazer um levantamento detalhado dos fatos que vêm ocorrendo no local. “Precisamos saber os locais e horários mais frequentes para podermos programar ações específicas”, sublinha.

Depois de beber e “aproveitar” a noite, os visitantes vão embora, mas deixam o lixo produzido
Problema é antigo e já foi tema de vários debates, mas não teve solução
A bagunça na Praça dos Ferroviários e em suas imediações já foi tema de várias reuniões entre empresários, Brigada Militar, vereadores e representantes do Executivo local. Muitos planejamentos já foram feitos, mas a execução, até o momento, não saiu do papel.

No mês de abril, um encontro, coordenado pelo vereador Talis Ferreira, apontou a instalação de câmeras como uma forma de amenizar o problema. A ideia é que o equipamento, além de registrar as imagens, também possibilite a autuação de infrações de trânsito.

A intenção da Prefeitura, de instalar a câmera no espaço público foi anunciada pelo, na época, chefe da Guarda Municipal, Humberto Mincks. Conforme a assessoria de Comunicação da prefeitura de Montenegro, o processo para aquisição das câmeras está sendo aberto. Além do ponto na Praça, são previstos outros 14, envolvendo novos locais e substituição de equipamentos já existentes. O prazo previsto desde a abertura do processo até a real efetivação da demanda, é de 90 dias.

O presidente da Câmara de Vereadores, Cristiano Braatz, informa que pretende se reunir com o comandante do 5º BPM para traçar uma estratégia que atenda a demanda por tranquilidade dos moradores e comerciantes do local.

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