Em muitos casos, crime ocorre diante da ambição da vítima em ganhar dinheiro fácil

GOLPES na região. Municípios como Triunfo e Feliz já tiveram mais registros neste ano que em todo 2018

É difícil passar uma semana sem que casos de Estelionato sejam registrados na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Montenegro. Muitos deles são noticiados como forma de alerta para evitar que outras pessoas sejam lesadas. Só no mês de setembro o Ibiá publicou quatro reportagens sobre situações ocorridas na cidade. Na semana passada, por pouco, uma aposentada não se tornou vítima de um golpe. Dados da Secretária de Segurança Pública do Estado mostram que Montenegro e São Sebastião do Caí lideram o ranking dos municípios da região com maior incidência de Estelionato.

A situação mais comum vista em Montenegro é o chamado golpe do bilhete premiado, mas várias outras formas de “arrancar” dinheiro dos cidadãos se enquadram no crime de Estelionato. O famoso artigo 171 do Código Penal Brasileiro diz que é considerada delinquência “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. A pena prevista é de reclusão de um a cinco anos. Mesmo assim, talvez por crerem que não serão punidos, criminosos se arriscam e dão um “jeitinho” de ganhar dinheiro às custas de cidadãos da região que caem em suas conversas.

Até o dia sete de outubro, em Montenegro, foram registradas 67 ocorrências por Estelionato, nos 12 meses de 2018 foram 98 casos. São Sebastião do Caí também apresenta números que chamam à atenção. No ano passado foram 31 registros, e agora já são 40. Em Triunfo são 24, frente a 23. Feliz igualmente já superou a marca do ano anterior chegando a 15, um a mais que no período anterior.

Não é de hoje que a Polícia adverte: as pessoas ainda caem nesse tipo de Estelionato motivadas pela ganância. O delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia de Montenegro, e responsável pela DPPA, André Lorbiecki Roese, orienta os cidadãos a chamar a Polícia quando houver suspeita de que estão prestes a cair em um golpe. Caso isso não seja possível, deve-se registrar ocorrência o mais breve possível. “Em primeiro lugar, não existe isso de dinheiro fácil. Quando o negócio é muito bom, é sinal de que é golpe, principalmente quando vem de desconhecidos. Isso de dar dinheiro para receber uma fortuna é sinal praticamente certo também”, alerta o delegado.

Idosos são os alvos preferidos para a prática de golpes
A maior parte das pessoas procura as delegacias de polícia somente após já terem se tornado vítima. Mas não é este o caso da dona Maria. A aposentada não quer ser identificada pelo nome verdadeiro, mas deseja contar o que houve com ela para alertar outras pessoas e evitar que caiam em armadilhas.

Dona Maria recebeu uma ligação no telefone fixo de sua residência. Do outro lado da linha, um rapaz se identificou como sobrinho do esposo dela, inclusive, identificando-se pelo nome do familiar. “Não sei como ele sabia o nome do sobrinho do meu marido”, comenta a aposentada. No desenrolar da ligação, o homem disse que estava vindo para Montenegro, mas que seu carro havia estragado e ele encontrava-se em uma oficina mecânica. “Ele pediu ajuda, disse que estava sem dinheiro e pediu para nós depositarmos R$1.500,00. Fiquei meio desconfiada, passou um tempo e ele ligou de novo perguntando se eu ia ou não ajudar, achei que pudesse ser verdade”, detalha.

A mulher pegou as informações passadas pelo suposto sobrinho e foi até uma casa lotérica efetuar o depósito da quantia solicitada. Por sorte, no local ela encontrou um amigo com quem comentou o que iria fazer e disse estar receosa. O cidadão na hora percebeu se tratar de um golpe e orientou Maria a não enviar o valor e procurar a polícia, e assim ela fez.

Esse é um dos golpes mais comuns, assim como o do bilhete premiado. A dúvida que rondou dona Maria, no caso descrito acima, não surgiu no aposentado de 70 anos, morador do bairro São Paulo. Ele acabou sendo atraído para uma situação de risco, na qual perdeu cerca de R$35 mil. Após realizar saque e transferência de dinheiro para os criminosos, a vítima acabou sequestrada e abandonada em São Leopoldo. No dia 11 de setembro outro idoso passou por situação semelhante e perdeu R$50 mil, fruto de suas economias.

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