Nesse final de semana Montenegro recebeu duas sessões do espetáculo de dança infanto-juvenil “Tandan!”. A iniciativa é promovida por meio do Circuito Nacional Palco Giratório Sesc 2019. As apresentações, do grupo Cia. Etc. de Recife (PE), aconteceram no sábado, 25,  e domingo, na unidade local do Sesc.


A apresentação convida as crianças a enxergarem o invisível através da dança. Cada participante passa por uma experiência de imersão com cerca de 6 minutos, a partir do uso de estímulos táteis, de uma instalação sonora e da interação com bailarinos e bailarinas.  O diretor do espetáculo Marcelo Sena, 38 anos, relata que inicialmente a proposta era trabalhar com crianças portadoras de deficiência visual, mas a ideia foi ampliada e aberta para os pequenos em geral. “Dança costuma ter um apelo visual muito forte e este espetáculo é completamente não visual. Ele acontece pelas relações táteis, usando os outros sentidos do corpo”, comenta Marcelo.

O espetáculo trata a questão da acessibilidade às pessoas com deficiência visual como estímulo criativo, e não como tradução. TANDAN! tem inspiração nas obras de Helio Oiticica e Lygia Clark, com suas provocações do ato de perceber as artes visuais numa apreciação sensorial mais ampla da obra. A indicação etária é dos 5 aos 9 anos. O espetáculo tem duração de seis minutos e ocorre com a participação de uma criança por vez. “Durante esse tempo a criança passa por algumas cenas que a gente foi construindo a partir da relação sensório-motora dela e com a relação lúdica de como ela aproveitar o próprio corpo para dançar. Ela passa a perceber a dança a partir do contato com texturas, sensações, com a relação do equilíbrio e coordenação motora”, detalha o diretor.

Para vivenciar a experiência do espetáculo, as crianças recebem um óculos “mágico”, com o qual ela passa a não enxergar nada a sua volta, na sala onde a magia da dança acontece. “Quando a gente cobre os olhos de uma criança não estamos querendo que ela se aproxime daquela que não tem visão. Queremos mostrar toda a questão cultural que existe em meio a  essa deficiência, como o exagero dos cuidados que se tem com ela, por exemplo. A própria criança cega quando chega recebe um óculos, então ele também se torna um elemento cênico do espetáculo”. As crianças costumam sair do espetáculo impressionadas, revela Marcelo.

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