NO PARQUE Centenário, dois ginásios, o Azulão e o Domingão, estão interditados e não podem receber eventos culturais

Montenegro possui três ambientes públicos que poderiam receber apresentações, mas todos estão fechados à população

Em 2003, Montenegro recebeu o título de Cidade das Artes. Não é a-toa, já que existem duas entidades que desenvolvem o trabalho de pedagogia da Arte, a Fundarte e a Uergs. Na Lei 3.916, de julho daquele ano, a justificativa é de que esta é a identificação do Município e de seus cidadãos, reconhecida desde o nível local até nacional, através das várias manifestações artísticas e culturais.

Manifestações culturais e artísticas, de fato, não faltam. A arte é algo natural na cidade e em sua população. Mas o que se tornou um obstáculo aos movimentos é a falta de estrutura física para apresentações, ou mostras. O município possui três espaços que poderiam receber as apresentações: o Teatro Roberto Atayde Cardona, o ginásio Normélio Petry (o Azulão) e o ginásio Domingos dos Santos (o Domingão).

“Antes não notava tanto. Agora danço na Companhia Balance e fizemos uma mostra no início deste mês. Foi aí que percebemos a dificuldade que foi conseguir um espaço para fazermos as apresentações”, comenta Andrea Cristiane de Mello. Ela até se lembrou dos espaços do Parque Centenário, mas os dois locais estão interditados.

“Alugamos o Grêmio Gaúcho, mas aí tivemos que montar toda uma estrutura, com arquibancadas improvisadas”, explica. Andrea tem dois filhos que fazem patinação, no Clube Riograndense, e neste ano o grupo pretendia fazer uma apresentação em Montenegro, mas aí surgiu a mesma dificuldade. “Quando se pensa em fazer apresentação, Montenegro não tem um espaço público adequado para isso. Esta é a Cidade das Artes. Montenegro perde muito com isso. Quando se tem oportunidade de mostrar o trabalho da cidade, não se tem o espaço”, lastima.

Ligia Beatriz Bier, que participa há pelo menos sete anos do mesmo grupo de dança, conta com indignação o descaso que vê em um dos principais espaços culturais da cidade. “Entrada aqui é horrível, sem banheiro, sem conforto, já teve problema inclusive com o climatizador em pleno verão. É um abandono. Isso é muito chato. É um descaso com a nossa cultura”, lamenta.

A companhia da qual Ligia e Andrea participam faz duas grandes apresentações ao ano, uma neste primeiro semestre e outra no fim do ano. “A indignação que a gente tem como aluna, por essa falta de consideração, é muito grande”, sustenta Ligia.

Desvalorização da cultura
Valéria Mezzari é proprietária de uma escola de Educação Infantil da cidade. É habito de o educandário fazer apresentações em datas especiais, como Dia das Mães e fim de ano. Em 2016, uma das atividades ainda ocorreu no Teatro Roberto Atayde Cardona, que fica junto da Biblioteca Pública Municipal, no Centro. O local que está fechado para uma reforma.

VALÉRIA lamenta a falta de espaços para as apresentações dos seus alunos e espera providências urgentes

“Não temos lugar para levar as crianças. Precisamos ter todo um cuidado quando fazemos as apresentações. O espaço precisa ser seguro porque trabalhamos com crianças pequenas. O único lugar que oferecia as mínimas condições para isso era aqui, o teatro, mas ele está fechado”, lamenta Valéria.

Sem espaço adequado, a diretora optou por fazer as atividades na própria escola. “Mas a nossa apresentação maior é no final do ano e acredito que teremos que cancelar. Não tenho onde fazer”, alega.

O teatro faz falta, não somente para as apresentações da escola, do grupo de dança, mas para toda a comunidade. “Para as formaturas de fim de ano, para as escolas, para todas as outras apresentações artísticas. Acredito que os grupos fazem um trabalho muito bonito, mas ninguém valoriza essa cultura tão importante para a nossa cidade”, completa.

O QUE DIZ A PREFEITURA?
Sobre o Teatro
Por meio da Assessoria de Comunicação, a Prefeitura explica que, neste momento, não há obras ocorrendo no teatro. No entanto, o local não possui acesso devido às obras da Biblioteca Pública, que fica no mesmo complexo. No momento que a obra da Biblioteca ficar pronta, o acesso ao teatro será liberado.

Sobre o Azulão
O ginásio Normélio Petry (Azulão) há algum tempo havia sido interditado devido à falta de iluminação no Parque Centenário, por causa de furtos na fiação. A equipe elétrica da Prefeitura fez levantamento das avarias e iniciou processo para compra de materiais. Logo após, uma força-tarefa foi criada para colocar iluminação no ginásio, para abrigar os flagelados da última enchente.

Neste momento, a Diretoria de Desporto está mantendo o ginásio fechado e não mais interditado, devido a alguns processos de melhorias no piso, telhado e vidros quebrados. Atualmente, o ginásio encontra-se com muitas goteiras e seu piso com falhas nas marcações desportivas.

O Ginásio Normélio Petry é de uso poliesportivo e pode sim receber atrações artísticas. Para atender também a essa demanda, o local está em manutenção. No entanto, o ginásio, em seu complexo, conta com um palco externo com cobertura para esse tipo de evento. Segundo o diretor de Desporto, Sidnei Souza, nos dois meses em que está à frente do Departamento, não recebeu nenhum pedido de entidades querendo realizar apresentações artísticas internas ou externas. A Diretoria de Desporto pede que a comunidade aguarde mais um pouco, pois a previsão de reabrir o ginásio, levando em conta as questões climáticas, é de até 60 dias. Sidnei informa que trabalha para que tudo ocorra da melhor maneira possível e com segurança.

Sobre o Domingão
O Ginásio Domingos dos Santos (Domingão) está interditado porque as obras realizadas por administrações passadas não ficaram de acordo e foram denunciadas no Ministério Público. O Município está, neste momento, buscando recursos para realizar uma obra de restauração no local. Essa obra envolveria vidros, teto, piso, entre outros. Ainda não há data definida para a realização dessa obra, segundo a Administração Municipal.

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