Fezes e roupas sujas são encontradas no canteiro de obras da Creche Centenário

Precariedade e choque de cultura são motivos apontados por quem defende a mudança

Insatisfeitos com a situação atual do bairro Centenário e com a presença dos indígenas, moradores do entorno da instalação buscam solução para o problema de todos. Preocupado com esse cenário, o vereador petebista Juarez Vieira da Silva, marcou uma reunião para hoje, 30, às 14h, na Câmara de Vereadores de Montenegro, para tratar o assunto com a presença do Executivo e vizinhos.

Colchões doados também são encontrados no local onde ocorre a construção

As 15 famílias de índios kaingangs estão há cerca de quatro meses no bairro Centenário, ao lado da EMEI que está em construção. Com 26 crianças, além de adultos e idosos, os indígenas passam por situação precária, sem nem ao menos contar com banheiros para as necessidades fisiológicas.

A moradora Vanete Giovanella reside em frente ao terreno, e relata que o problema com a higiene é o pior. “Eles vão para os fundos da creche que estão construindo e fazem todas as necessidades ali, e ainda se limpam com as roupas que ganham de doação. A sujeira e o cheiro são algo horrível”, conta.

Ao lado da Creche reside Renata Vargas, que padece com o cheiro do “esgoto” a céu aberto. “Quando esquenta o tempo, fica horrível. Acho que eles tinham que ser preparados para morar na cidade, e que colocassem eles em um local bem preparado”, diz. Renata ainda se questiona de porquê não utilizar o espaço para ajudar mais pessoas, como construir apartamentos populares.

Desvalorização do bairro
Outro motivo para a preocupação dos vizinhos do entorno é a desvalorização do bairro, que já está ocorrendo. “É uma sujeira, eles fazem combros de roupas sujas e a fumaça, certas horas, é tanta que não dá pra estender roupa porque a roupa fica fedendo a fumaça. Nós não temos nada contra eles como pessoa, mas queremos que eles sejam realocados para algum local apropriado pra eles”, diz Vanete.

Moradores organizaram um abaixo-assinado para a mudança dos indígenas de local

Além disso, Vanete aponta o problema com o barulho. Recentemente construída no terreno uma Igreja está atrapalhando o descanso nos domingos. “A igreja é uma gritaria aqui. Índio tem religião? Que eu saiba eles têm a religião da tradição deles. É uma barulheira quase toda noite”, conta.

Na opinião dos moradores, mesmo que coloquem banheiro para os indígenas, o problema irá continuar. “A cultura deles é diferente da nossa, nada contra eles. Não queremos o mal deles, mas que coloquem eles em outro local”, fala a vizinha Vanete.

“O Município não pode se eximir”
Para o vereador Juarez da Silva (PTB), três entidades estão envolvidas na situação: o Estado, a Fundação Nacional do Índio (Funai), e o Município. “Eu acredito que o Município não pode se eximir da responsabilidades ali, porque o entorno todo é do Município”, explica.

Segundo ele, o problema está com o choque das duas culturas diferentes, além de situações complicadas na saúde, meio ambiente e educação. “Ninguém é contra os índios, porém, o local não é adequado para eles”, diz o vereador. Juarez declara que uma reunião em Porto Alegre com o Deputado Elizandro Sabino (PTB) e Funai já está solicitada e deve ocorrer nos próximos dias.

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