Crianças mataram a saudade dos colegas e amigos durante o recreio

Para a maioria dos estudantes foi dia de reencontros, para outros foi o início da jornada de estudos e conhecimento

O silêncio que pairava sobre as escolas de Montenegro teve fim na manhã desta quarta-feira, 20. Centenas de alunos adentraram pelos portões logo cedo, com mochilas nas costas e muitos sorrisos ao rever os colegas depois de dois meses longe deles. Pais também acompanharam seus filhos e lotaram saguões e pátios dos educandários.

Próximo ao Cais de Montenegro, na escola Aurélio Porto, mais de 120 crianças iniciaram o ano letivo. Em um ambiente limpo e bem organizado, os estudantes brincavam e realizavam atividades durante o recreio. Conforme a diretora, Andréia Kerber Oliveira, o quadro de professores do educandário está completo e ainda existem vagas para alunos em algumas turmas.

Cauê da Luz de Oliveira, 12 anos, jogava futebol com os colegas no momento da entrevista. Estudante do 5º ano, o menino afirmou que estava ansioso para voltar à escola, e por um bom motivo. “Preciso aprender para quando ficar maior ter estudo completo”, declara o jovem. Cauê deseja ser policial investigador.

Já a jovem Ana Luiza Miller, 14 anos, estava sozinha, em uma sombra, acompanhando a irmã Ana Laura Miller, 11 anos, que jogava futebol. Ana Luiza é a mais velha da turma e diz que é diferente estudar com os mais novos, tendo em vista que ela repetiu de ano em outras séries. Contudo, a moça sabe que estudar é fundamental. “Se eu não estudar, não conseguirei um emprego bom. É importante para a minha vida”, declara.

De acordo com a diretora Andréia, o tema do projeto anual da escola será o cata-vento colorido, trabalhando as cores e seus significados. “As turma da manhã, por exemplo, conhecerão o Parque Eólico de Osório. Cada cor terá uma representação e serão usadas pela equipe de professores”, diz a diretora.

Escola tem 1º ano letivo com novo nome
Entre tantas novidades neste início de ano letivo, a Escola Municipal Lena Rozi da Rocha Pithan ainda comemora a mudança do nome da instituição, que antes chamava-se Escola Municipal Esperança. A troca ocorreu no ano passado, mas este é o primeiro início de ano letivo com esta denominação.

Conforme o diretor César Machado do Amaral, essa mudança trouxe outra identidade à escola e deixou todos muito orgulhosos e com um novo sentimento de pertencimento. Em 2019 são 217 alunos que frequentam as turma da pré-escola até o 7º ano.

“A novidade é que temos um pré com alunos de 4 e 5 anos, sendo uma turma mista. Temos a proposta de aumentar, gradativamente, o número de turmas e atender o ensino fundamental completo”, declara César.

Cena com pais nas portas das salas espiando os filhos se repetiu em várias escolas

Durante a manhã de ontem, 20, a equipe diretiva e professores da escola promoveram uma recepção diferenciada, uma verdadeira acolhida. Joaquim Alves da Silva, 5 anos, pisou pela primeira vez em uma instituição de ensino e já estava vestindo o uniforme da EMEF Lena Pithan. O menino não escondia sua animação e a expressão de novas descobertas.

Porém, nem todos estavam como Joaquim, que acompanhava os novos amigos e a professora. Alguns alunos tiveram que ficar acompanhados pelos pais, para se acostumarem à nova rotina. César destaca que esta é uma situação normal e eles precisam de um acompanhamento de perto para esta natural transição.

Ao entrar na sala do 1º ano, Cesar Amaral comunicou os alunos de que a professora Regina Frömming estava de aniversário, no primeiro dia de aula. A alfabetizadora leciona há nove anos para séries iniciais e diz que o presente de aniversário é estar com os alunos e ensiná-los. Regina também faz libras, se capacitando para atender todas as necessidades dos estudantes.

Adaptações do primeiro dia na escola
Alguns montenegrinos entraram pela primeira vez em uma sala de aula para iniciar o ensino fundamental. Kamila Schutz, 36 anos, e Éder Schutz, 39 anos, não desgrudavam da porta da sala onde o filho Arthur Schutz, 6 anos, entrou para encontrar novos amigos e começar a estudar no 1º ano.

De acordo com Kamila, o filho estava ansioso e com medo. “Os pais também ficam nervosos, mas como temos outro filho (Lorenzo Schutz, 8 anos), fica mais tranquilo”, diz. Como todos os coleguinhas de Arthur são estranhos, a mãe dele ficou com o coração apertado e passou o dia “antenada” e revelou que às 16h50min já estaria no portão para esperar os filhos.

Professora Regina comemorou o aniversário com os novos alunos

Jordan Dominik de Souza dos Santos, 6 anos, nem precisou se adaptar e passou boa parte das férias contando os dias para estudar. “Eu não parava de falar da escola”, diz o menino. Ele e os colegas do 1º ano do Colégio Estadual Ivo Bühler estavam animados com as novidades.

A professora Liliane Duarte Souza, a Lili, leciona há 19 anos. Inicialmente ela dava aula de História, passou como professora do EJA e nos últimos três anos ensina os pequenos alunos de séries iniciais. Quando a reportagem entrou na sala da turma de Lili, encontrou a data escrita com giz branco, no quadro verde escolar. Logo abaixo já estava a descrição do tempo “hoje o dia está ensolarado (com o desenho de um sol)”.

Deixe seu comentário