Educadores da Colégio Estadual Engenheiro Paulo Chaves, de Maratá, e da Escola Erni Oscar Fauth, de Brochier, estiveram presentes no ato nesta quinta-feira, 14. Foto: Reprodução Internet

CPERS/Sindicato realizou o anuncio da greve e escolas poderão aderir a partir de segunda-feira, 18

“Nós vamos fechar as escolas. Os alunos estão conosco. Eles (governo) verão a maior greve que esse Estado já teve. É guerra que Leite quer? É guerra que ele vai ter”, discursou a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, em grande mobilização da categoria nesta quinta-feira, 14. A Praça da Matriz e os arredores do Palácio Piratini e da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, ficaram lotadas por milhares de trabalhadores em educação vindos de dezenas de municípios do Estado. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), mais de 50 ônibus do interior do Estado passaram pela Avenida Alberto Bins, em contagem realizada antes das 11h.
A mobilização dos educadores é contra a política de arrocho e parcelamento salarial, e também em oposição as propostas de alteração do Plano de Carreira do Magistério, do Estatuto dos Servidores e da Previdência Estadual. O Cpers/ Sindicato promete uma greve maciça, entre as mais importantes da história da categoria. 
A decisão pela greve já tinha sido tomada em assembleias anteriores, mas o motim foi a assinatura do governador Eduardo Leite no projeto de alteração de carreira dos educadores. “Nós já temos uma decisão, de assembleias anteriores, que 72h depois de o governo protocolar o projeto deflagraríamos a greve. Nós iremos tirar o comando de greve, porque a partir de segunda-feira estaremos em greve no estado do Rio Grande do Sul”, diz Helenir.
Segundo ela, a categoria tem como objetivo pressionar a Assembleia Legislativa, já que o governo não buscou diálogo, apresentou o projeto e, quando o Sindicato rebateu com a sua proposta, o governo desconheceu o documento. “Eduardo Leite disse que não contribuímos com o pacote. Tu não pede para quem está sendo enforcado que contribua para o enforcamento. Não pede para o professor pagar o próprio salário. Não pede para o educador ajudar com a destruição e privatização da escola pública. O governador quer guerra. É greve que ele vai ter!”, fala a presidente.

Adesão de Escolas será decidida na próxima semana

Presente no ato em Porto Alegre, a diretora geral do 5° Núcleo do Cpers, Juliana Kussler, é contra todas as ações de “desgoverno” de Eduardo Leite. De acordo com ela, nenhuma escola comunicou se irá, ou não, aderir à greve e a decisão provavelmente será tomada na segunda-feira, 18. “Não temos como saber ainda as escolas que irão entrar em greve, pois ontem, 14, elas estavam em paralisação e nesta sexta-feira, 15, é feriado nacional”, fala.
Em estado de greve até o momento, Juliana diz que muitos são os pontos que foram se acumulando para a greve geral da categoria. “Estamos contra o pacote do governo, parcelamento e atrasos dos salários, dentre outros fatores. Para se ter uma noção os atrasos nesse mês foi mais do que nunca, pois vai chegar a 14 de dezembro e todos que recebem mais do que R$ 1700, que é uma grande parte dos professores, irão receber os salários de outubro. Então nós não temos a menor idéia de quando o governo irá pagar novembro, imagina então dezembro e janeiro”, declara.

Leite apresenta proposta final da Reforma RS
Após dez meses de estudos da situação fiscal do Rio Grande do Sul e de diálogo com parlamentares, categorias de servidores, chefes de Poderes e representantes da imprensa, o governo concluiu as medidas que compõem a Reforma RS. As medidas foram apresentadas ontem.
“A intensa agenda de diálogo que promovemos com a sociedade foi importante para ajustes nos projetos da Reforma que encaminharemos à Assembleia. As medidas não são simpáticas, mas fundamentais para o futuro do RS e para a segurança da aposentadoria dos servidores”, destacou Leite.
A Reforma RS integra uma série de ações que o governo está adotando para enfrentar a crise fiscal e colocar as contas em dia. Privatizações, concessões e parcerias público-privadas, simplificação de leis e processos, modernização da estrutura de arrecadação tributária para aumentar as receitas (programa Receita 2030), alongamento dos pagamentos de dívidas, revisão do impacto econômico dos benefícios fiscais, postura proativa nas questões federativas, controle permanente das despesas correntes, adesão ao Regime de Recuperação Fiscal e busca por receitas extraordinárias para alívio do fluxo de caixa são iniciativas paralelas e complementares.
Antes das mudanças, o conjunto de medidas previa uma economia de R$ R$ 26,4 bilhões (em valores revistos pela equipe econômica do governo) para os próximos 10 anos. Com as alterações no texto, o impacto previsto foi reduzido para R$ 25,4 bilhões na próxima década.
*Com informações da assessoria de imprensa do Governo do Estado

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