Detran mostra o envelhecimento do conjunto de veículos em Montenegro nos últimos quatro anos. Números evidenciam reflexos locais da crise econômica

Dados do Detran-RS mostram que, ao final de 2018, a frota de Montenegro chegou aos 43.836 veículos emplacados. Acompanhando o histórico de emplacamentos – obtido com exclusividade pelo Jornal Ibiá – é possível notar como o setor automobilístico bem exemplifica a recente crise econômica do país como um todo.

De 2011 para 2012, 1.900 veículos novos entraram na frota do Município. O índice manteve a média anual até sofrer queda de mais de 50% entre 2014 e 2016 – período onde a crise se acentuou. De 2016 para cá, já sinalizando recuperação, a entrada de veículos novos em Montenegro voltou a crescer, ainda que em ritmo mais devagar.

É nesta realidade econômica que se nota como a frota montenegrina está envelhecendo. Dados do final de 2018 mostram que a maior parte dos veículos no Município tem ano de fabricação entre 2006 e 2014. O dado é muito diferente do que se via em anos como 2011, 2012, 2013 e 2014, quando a maioria dos veículos tinha sido fabricada no próprio ano da compra. O mesmo se percebe nos municípios de Brochier, Pareci Novo, Maratá e São José do Sul.

Atualmente, dos 43.836 veículos de Montenegro, 2.265 foram fabricados em 2011 – o ano de produção que mais aparece no ranking. Os carros “do ano” – de 2018 mesmo – ocupam apenas a 14ª posição, com 1.288 emplacamentos feitos. Em tempos de crise, já se compra menos carro e, quando se adquire, a opção acaba sendo pelo seminovo.

O fenômeno é verificado pelas próprias concessionárias e revendas. As principais da cidade, inclusive, dedicam-se tanto ao comércio dos novos quanto dos semi, já prevendo o que os empresários chamam de “gangorra” do setor automobilístico. Quando um está em baixa, o outro, na grande maioria das vezes, está em alta.

“Nessa baixa que deu, a gente se estruturou foi pelo seminovo. Abrimos novas praças e temos conseguido segurar a onda aqui”, exemplifica o gerente de concessionária Tiago Rambo, já sinalizando uma recuperação da procura pelos novos iniciada em 2018. A expectativa para 2019 é de melhora ainda mais acentuada.

Proprietário de revenda, José Airton Kerber avalia que, com ou sem crise, o seminovo sempre foi um bom negócio. “Com o zero, tu sai no portão da loja e ele já não é mais zero. O proprietário já perde de 10% a 15% do valor só de andar nos primeiros dez, quinze dias”, coloca. Com 27 anos no ramo, ele salienta que o comprador precisa procurar veículos com procedência e, preferencialmente, de baixa quilometragem e com ar condicionado.

Setor automobilístico está mais otimista, mas ainda cauteloso quanto à recuperação

O pouco de crescimento identificado no ano passado serviu para elevar o otimismo do setor automobilístico brasileiro. O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) já anunciou que prevê aumento de 5% na produção de veículos neste ano. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) confia ainda mais nos bons números. Estima que a produção dos carros 0 km deve crescer 11%, com um acréscimo de três milhões de unidades no montante final produzido nas fábricas.

Apesar de todo este movimento, especialistas pregam cautela, principalmente por causa dos financiamentos. “É cedo para cravar um crescimento expressivo do mercado interno. Isso porque os bancos estão com apetite para financiar, mas ainda têm receio porque tiveram prejuízos em anos anteriores”, alerta Roberto Bottura, presidente da Checkprice, empresa que oferece análises de mercado ao setor. O alerta para a necessidade de um aumento saudável é para evitar a formação de uma bolha de consumo.

A FROTA NA REGIÃO:

  • Em Brochier, hoje, são 3.998 veículos. A maioria, fabricada em 2012;
  • Em Pareci Novo, são 3.463. A maioria, fabricada em 2011;
  • Em Maratá, são 1.877. A maior parte tem data de fabricação de 2013;
  • Já em São José do Sul, o total de veículos atual é de 1.704. A maioria fabricada no ano de 2012.

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