Educação. Professora da Escola Adão Martini fala das vitórias, mesmo com internet limitada no interior

A pandemia da Covid-19 será lembrada, entre outras características, pelo isolamento social. Uma forma eficaz de reduzir a proliferação do novo Coronavírus, e que desafiou todos os profissionais a se adaptarem, como aconteceu na Educação. Os professores foram criativos e dedicados para não deixar os estudantes afastados da busca pelo conhecimento, inclusive usando a própria pandemia como tema de estudo.

A professora Anne Priscilla Nunes Maciel pode representar os abnegados educadores que souberam encontrar soluções, especialmente nas Escolas Rurais. Ele leciona História e Geográfica para jovens entre 11 e 15 anos, do 6º ao 9º Ano; e Produção Interativa aos pequenos do 2º Ano; na Escola Estadual Adão Martini. A instituição fica na localidade de Vendinha e recebe jovens de Montenegro e Triunfo, onde, devido à distância das áreas centrais, o maior obstáculo foi o acesso à internet.

Todavia não foi o primeiro, pois Anne recorda que o aviso de suspensão das aulas presenciais chegou na tarde do penúltimo dia. “Preparamos conteúdo para a primeira semana que ficaram em casa”, explica, ao lembrar da corrida para fotocopiar as lições levadas pelas crianças. Apesar de o Estado ter aderido ao programa Google Classroom, este ainda está em fase de implantação. Mesmo em uso, com docentes e estudantes dominando-o, Anne assinala que ele pede internet banda larga.

Professora Anne com os alunos na despedida do ano letivo de 2019

E a realidade da Vendinha coaduna com a de todas as escolas interioranas do Brasil para agregar tecnologia ao ensino tradicional. A maioria dos alunos da Adão Martini tem acesso apenas por meio de celular com cartão pré-pago; somado ao sinal fraco. “Teve uma aluna que conseguia colocar cartão uma vez por mês. E quando colocava, chamava os que morram na rua dela para assistirem à aula”, descreve.

Herança tecnológica não vai esvaziar as escolas
Se havia limitação de acesso à rede mundial, não havia, na mesma proporção, barreira à vontade de aprender. A criatividade, a interação entre os jovens e o apoio dos pais fizeram este momento muito produtivo, resultando em trabalhos surpreendentes. Na dinâmica, as turmas foram transformadas sem grupos no WhatsApp nos quais os professores enviavam conteúdo nos dias e horários convencionais.

No entanto, a dissolução de dúvidas não tinha limites. Anne recebeu mensagens nos domingos e até nas madrugadas, que atendia ciente que talvez fosse o único horário em que o aluno podia usar o telefone dos pais. A participação chegou aos 97%, superando a interatividade que Anne observou em suas turmas de escolas na cidade.

A professora concorda que a pandemia deixará uma herança tecnológica. Mas que será uma nova ferramenta agregada ao método convencional de ensino. Isto porque neste dias de distanciamento o desejo dos alunos era de estar na escola. Inclusive, sua aula gravada já foi um alento, comemorado pela turma. “Tem a questão da amizade. Isso faz muita falta”. A docente defende a escola como um amplo espaço coletivo de aprendizado geral.

No vídeo em anexo, confira a entrevista na íntegra e os trabalhos realizados pelo 2º Ano sobre prevenção ao coronavírus.

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