Cine + Arte Tanópolis não exibe filmes há sete meses. Situação financeira é crítica

PROPRIETÁRIO formalizou série de protocolos para retomar as atividades em segurança

O grupo de trabalho da Vigilância em Saúde, setor de Fiscalização e secretaria de Indústria e Comércio da Prefeitura de Montenegro avalia a reabertura do cinema da cidade seguindo uma série de protocolos de saúde. As regras foram sugeridas pelo próprio proprietário do Cine + Arte Tanópolis, em cima de orientações da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas. Sem receber público desde 15 de março, o empresário protocolou a sugestão junto à Prefeitura ainda no início deste mês; e aguarda, com expectativa, algum retorno.

Em paralelo, o governo do Estado emitiu decreto na última sexta-feira, dia 9, já com protocolos para a reabertura dos cinemas, mas apenas nos municípios em bandeira laranja que tenham retomado as aulas presenciais nas escolas infantis municipais. É uma questão de prioridades, segundo o governador Eduardo Leite. Como as aulas não voltaram, Montenegro não poderia se usar da autorização. Por outro lado, o Município já divide com o Estado a responsabilidade pela cogestão do sistema de bandeiras, podendo, dentro de alguns limites, impôr protocolos próprios.

Proprietário do cinema, Ewerton Brandolt tem pressa por essa decisão. “Os pubs estão lotados, os restaurantes estão lotados, as igrejas estão lotadas. Só o cinema, com distanciamento, que não pode funcionar”, lamenta. Nesta quinta-feira, dia 15, a sala completa sete meses fechada. Um dos cinco funcionários teve que ser demitido. Os outros quatro estão com contrato de trabalho suspenso. Mas as despesas fixas, especialmente a de condomínio e a de aluguel do prédio, se mantêm. “Ninguém consegue matar no peito sete meses pagando conta sem entrar um real”, coloca.

Brandolt aponta que a situação é crítica. Ele tem outras duas salas de cinema em Capão da Canoa e duas em Sombrio, em Santa Catarina. Estão todas fechadas. Para conseguir pagar as contas desde março, investiu num cinema drive-in na praia de Xangri-lá, de onde tem saído os recursos para o custeio das despesas nas demais unidades. Até chegou a haver um início de conversas para um drive-in, também, em Montenegro; mas o projeto não foi pra frente. “O drive-in tem um custo muito alto e eu vi que teria que investir mais para poder trabalhar quando eu tenho a sala montada. Eles tem é que liberar o cinema para abrir”, diz o empresário.

Dentre os protocolos sugeridos para a volta das sessões está a capacidade reduzida da sala para 40% (o equivalente a 70 lugares) com distanciamento entre uma poltrona e outra. Não haverá exibição de filmes 3D por causa dos óculos; as máscaras são obrigatórias; pessoas do grupo de risco da Covid-19 não poderão entrar; e o intervalo entre uma sessão e outra será aumentado. “Se permitirem 30 pessoas por sessão já paga as contas. O problema é não ter nada. Desse jeito, a não ser comece a bombar o drive-in de Xangri-lá, é o último mês que eu tenho para pagar as contas do cinema de Montenegro”, alerta Brandolt. “A Cidade das Artes vai ficar sem cinema de novo.”

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