Computadores, televisões, ventiladores e tantos outros eletrônicos podem ser reaproveitados

Eletrônicos, vidros, lâmpadas, isopor e até azeite podem ser reaproveitados. Descartar corretamente ainda é um desafio

João descarta na Telemonte há cinco anos e considera importante que todos se preocupem com a preservação do meio ambiente no Vale do Caí

Todo e qualquer material eletroeletrônico pode ser reaproveitado. Mesmo estando estragado, as peças muitas vezes servem para uso em futuros consertos e podem até mesmo virar matéria-prima para a indústria. Mesmo assim, diversos produtos, como computadores, aparelhos de televisão, rádios, geladeiras, celulares, entre outros, ainda são jogados em calçadas, córregos ou em espaços com vegetação. Os rejeitos eletrônicos, também conhecidos pela sigla REEE (Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos), quando descartados de modo incorreto, podem gerar sérios riscos ao meio ambiente e à saúde dos moradores de um lugar.

Isso se deve ao uso de metais pesados altamente tóxicos na composição destes equipamentos. Os mais encontrados são o Mercúrio, Berílio e Chumbo. Quando o descarte incorreto ocorre, são enterrados junto dos equipamentos, sendo então absorvidos pelo solo, contaminando os lençóis freáticos – a água.

Outro método incorreto é o da queimada de materiais, como roupas, por exemplo, liberando toxinas perigosas no ar. Além destes fatores expostos (que afetam as pessoas ao redor de forma direta) a prática ainda coloca em risco o trabalhador responsável pelo descarte irregular, visto seu contato direto com a fumaça ou, até mesmo, pelo consumo de água próximo a regiões de descarte (quando enterrados), podendo causar graves danos à saúde.

Foi pensando em todas estas questões, que Jandir Giaretta, de 66 anos, decidiu continuar trabalhando, mesmo após sua aposentadoria. Há 17 anos, ele deixou o setor de Recursos Humanos de uma indústria montenegrina para abrir sua empresa de descartes corretos, a Telemonte. “Corremos atrás de todas as autorizações para agir da forma correta. E a intenção sempre foi a de ajudar a preservar o meio ambiente da melhor forma possível e promover mais qualidade de vida”, diz. A empresa é licenciada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Mesmo depois de aprovada a lei 13.576/09, que responsabiliza os fabricantes pelo recolhimento e destinação adequada do lixo eletrônico, muita gente ainda não sabe o que fazer com teclados, monitores, baterias e pilhas em desuso. Jandir afirma que tudo pode ser reaproveitado, basta ter a orientação e a destinação corretas. “O problema é que as pessoas ainda não estão preocupadas com o perigo do descarte incorreto. Mesmo com a nossa empresa aqui, pronta para receber os materiais, muitas empresas não contratam o nosso serviço porque é muito mais barato descartar de outros meios”, desabafa.

Comunidade pode descartar seus materiais de graça na Telemonte

Paulo aproveitou o espaço para descartar garrafas de bebidas, inúteis para ele

A comunidade pode descartar todos os materiais recebidos pela Telemonte na empresa, que fica na estrada Mauricio Cardoso, 8351. O funcionamento é de segundas a quintas-feiras, das 8h30min às 11h30min e das 13h30min as 17h30min, sem necessidade de agendamento prévio. Caso haja dúvida quanto ao tipo de rejeito que a empresa recebe, basta entrar em contato pelo número (51) 36492048. Para as pessoas físicas, é de graça. Já as empresas pagam pelo serviço.

Quem já deposita no espaço da empresa é o montenegrino Paulo Roberto Cruz, de 50 anos. Em seu terceiro descarte no local, ele levou duas caixas de garrafas de vidro. “É um meio excelente para jogar fora aquilo que a gente não usa mais. Antes eu colocava junto do lixo de casa, mas torna-se perigoso para quem coleta”, comenta. Paulo lamenta a falta de conscientização de muitas pessoas, que ainda descartam incorretamente seus resíduos. Além disso, ele afirma que Montenegro precisa de mais eventos que incentivem o hábito de cuidar do meio ambiente.

O empresário João Luiz Lima, de 60, também escolheu o espaço da Telemonte para dar um fim sustentável a restos de isopor. O material é usado na embalagem de equipamentos que ele comercializa. João classifica o serviço como “excelente” e aponta que a atividade ainda crescerá muito no Estado.
“Eu comecei a me preocupar mais com o meio ambiente há uns cinco anos e, daí em diante, sempre descartei tudo aqui com o Jandir. É uma questão de preservar o nosso próprio local, mas infelizmente muitos comerciantes só se preocupam em descartar corretamente quando são multados por atitudes erradas. Acredito que, em breve, o número de empresas que fazem a destinação corretra crescerá, mas o que precisa mesmo é o cuidado de cada um”, comenta.

lâmpada fluorescente é um material muito perigoso por conta do Mercúrio

Perigo constante para a população
As pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes são consideradas os resíduos mais perigosos, pois liberam elementos muito tóxicos, que podem prejudicar o meio ambiente e a saúde das pessoas. Jandir explica que, por essa razão, esse material não pode ser descartado no lixo comum. “É um material muito perigoso, por conta do Mercúrio. Há sério risco de quebrar no caminhão que faz a coleta de lixo, podendo gerar problemas de saúde aos trabalhadores. Largar na natureza é uma péssima atitude, mas já encontramos em muitos casos irregulares, principalmente em acostamentos das estradas”, conta.

Para uma melhor segurança, evite misturar pilhas de tipos diferentes ou pilhas novas com pilhas usadas. O empresário afirma que é importante também não transportá-las ou armazená-las soltas, pois elas podem sofrer choques e batidas. “Isso aumenta o risco de vazamento”, explica Jandir. Em caso de vazamento, evite o contato com o líquido da pilha ou bateria. Se ocorrer, lave a parte do corpo afetada com bastante água e, em caso de irritação da pele, procure um médico.

Medicamentos também requerem cuidados

Muitos equipamentos ainda são deixados em lugares inadequados, o que comprova a falta de educação

Até o medicamentos, fabricados para salvar vidas, podem ser prejudiciais a outras pessoas e ao meio-ambiente em caso de descarte inadequado. O empresário Jandir Giaretta conta com a parceria de hospitais, farmácias e clinicas veterinárias que precisam obrigatoriamente dar um futuro seguro aos resíduos, sem riscos a saúde da população.

“Restos de medicações sem o destino correto podem ocasionar um uso, sem saber, por outras pessoas, resultando em reações graves e contaminando o ambiente”, comenta o empresário. De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, o Sinitox, os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações em todo o país desde 1996.

O meio ambiente é agredido com a contaminação da água, do solo e dos animais. Jandir afirma que o descarte de medicamentos pelo esgoto e pelo lixo comum faz com que as substâncias químicas cheguem aos rios e córregos, podendo contaminar a água que bebemos.

Geralmente estes resíduos têm como destino final a incineração ou são levados para aterros industriais, dependendo do procedimento adotado em cada município. No caso da Telemonte, os produtos são levados ao aterro sanitário de Gravataí.

Óleo de cozinha usado tem várias utilidades
O óleo de cozinha já utilizado contamina milhares de litros de água se descartado de maneira incorreta. Porém, a partir da destinação certa, é possível fazer sabão, tintas e até combustível. Jandir explica que todos os tipos de óleos não podem ter como destino pias, bueiros, ralos ou guias da calçada, porque impactam negativamente nos encanamentos e também poluem a água, além de contribuírem para a morte de seres vivos.

“Após utilizar o óleo de fritura, você pode armazená-lo em uma garrafa pet. Conforme for utilizando o produto, vá armazenando desse modo e lembre-se de sempre fechar bem as garrafas para evitar vazamentos, mantendo também fora do alcance de crianças e animais de estimação que podem ser atraídos pelo cheiro do óleo ou pela simples curiosidade. Após preencher algumas garrafas é só levar até a Telemonte”, diz o empresário Jandir Giaretta.

Vale lembrar que a entrega de produtos por pessoas da comunidade é gratuita. O óleo descartado corretamente é destinado à produção de biodiesel, sabão, tintas a óleo, massa de vidraceiro e outros produtos. Isso preserva matéria-prima, incentiva a reciclagem e evita que mais litros de óleo sejam descartados de maneira incorreta.

Descarte entre os cabeleireiros
De acordo com um levantamento feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2013, o Brasil produziu quase 210 mil toneladas de detritos por dia e menos da metade desse número foi diretamente para os aterros sanitários, o lugar correto para serem descartados. Muito do que é jogado fora pode ser reaproveitado. Nos cortes de cabelos, por exemplo, é possível trabalhar na confecção de perucas, que podem ser vendidas ou até mesmo doadas à comunidade. É preciso começar a repensar a maneira como dispensar os detritos dos salões.

saiba mais

Jandir afirma que a preocupação começa na separação dos materiais dentro de casa e no reaproveitamento do lixo orgânico

*A reciclagem de uma única lata de alumínio economiza energia suficiente para manter uma TV ligada durante três horas.
*Uma tonelada de papel reciclado economiza 10 mil litros de água e evita o corte de 17 árvores adultas.
*Cada 100 toneladas de plástico reciclado economizam uma tonelada de petróleo.
*Um quilo de vidro quebrado faz um quilo de vidro novo e pode ser infinitamente reciclado.
*O lacre da latinha não vale mais monetariamente e não deve ser vendido separado. As empresas reciclam a lata com ou sem o lacre. Isso porque o anel é pequeno e pode se perder durante o transporte.
*Para produzir uma tonelada de papel, é preciso 100 mil litros de água e cinco mil KW de energia. Para produzir a mesma quantidade de papel reciclado, são usados apenas dois mil litros de água e 50% da energia.
* Todas as operadoras de telefonia no Brasil possuem programas de coleta e reciclagem de celulares, smartphones, baterias e acessórios usados
* 50 mg de óleo provocam a poluição de mais de 25 mil litros de água

Como fazer a sua parte em casa?
Jandir acredita ser difícil organizar tudo contando apenas com o incentivo municipal, com as promoções da secretaria de Meio Ambiente. É preciso agir também em casa. Desde a separação dos resíduos até a reutilização do lixo orgânico em hortas, por exemplo. O primeiro passo deve ser dado nas residências. “Desde muito antes de abrir a empresa, eu já me preocupava com o meio ambiente. Nós estamos cuidando do ar que respiramos e da água que bebemos. Não é algo simples”, comenta.

dicas do ibiá

garrafas e frascos de vidro devem ser descartados separadamente. Não é correto colocá-los junto ao lixo doméstico, pois há grande risco do material quebrar e ferir quem faz a coleta domiciliar e os recicladores

*Não misture lixo reciclável com orgânico – sobras de alimentos, cascas de frutas e legumes são exemplos de lixo orgânico. Plásticos, vidros, metais e papéis são exemplos de lixo reciclável
*Lave as embalagens como latas, garrafas, frascos de vidro e plástico. E seque-os antes de depositar nos coletores
*Embrulhe vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso (do tipo jornal) ou coloque-os em uma caixa para evitar acidentes. Garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos.

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