Em São Sebastião do Caí, dezenas de pessoas se reuniram no fim da tarde desse domingo, 30 de janeiro, para protestar contra o programa de concessão de rodovias do Governo do Estado e a instalação de um pedágio no Município. A manifestação ocorreu no quilômetro 4 da ERS-122, altura do bairro Areião, onde é prevista a colocação da praça.

Com placas de “Pedágio não” e “São Sebastião do Caí contra o pedágio”, os manifestantes deixaram a rodovia em meia pista por cerca de uma hora e meia. Houve breves momentos de paralisação total do trânsito. Aos carros que passavam, eles mostravam os cartazes e também falavam sobre o futuro pedágio que é pra estar ali. Apesar do transtorno, muitos motoristas buzinaram e aplaudiram a ação.

“O governo chega achando que manda em tudo, mas o povo tem vez e voz”, diz Sergio Müller, 57 anos, morador do Caí e um dos manifestantes. “Tem que tocar no coração desse governador que aqui em São Sebastião do Caí não vai ter pedágio. O povo unido jamais será vencido.”

A manifestação foi organizada por lideranças comunitárias e lideranças políticas. A reclamação sobre a praça gira em torno do local escolhido, que acabará isolando a comunidade do Areião, e ainda mais especialmente sobre o preço proposto pelo Estado. O valor base definido – sobre o qual as empresas interessadas na concessão farão suas propostas – é de R$ 9,95. A tarifa será cobrada dos motoristas na ida e na volta.

“Eu tenho o meu genro que trabalha em Novo Hamburgo e já gasta um absurdo de gasolina. Aí, com o pedágio, serão mais quase vinte reais (indo e voltando) pra ele pagar todos os dias. Ele teria que parar de trabalhar lá”, lamenta a moradora do Areião, Ivete Maria Steffler, de 62 anos de idade. “O nosso Município já é pequeno, ele não tem muitos empregos, e o pessoal é obrigado a ir para outras cidades trabalhar. Aí, já ganham pouco, e ainda terão que pegar esse pedágio de vinte reais. É um absurdo.”

Segundo o prefeito de São Sebastião do Caí, Júlio Campani, o principal desejo da comunidade é que, ao invés da nova praça, seja mantida a já instalada em Portão, na localidade de Rincão do Cascalho, onde a cobrança é feita em um só sentido. Na proposta do Governo do Estado, o pedágio de Portão será desativado e trocado pelo novo no Caí e por outro na ERS-240, em Capela de Santana. O edital para a concessão já está publicado.

Rotas de fuga podem mudar decisão do Estado

Apesar de feita a publicação do edital para a concessão, o prefeito Campani está confiante no diálogo com o Governo do Estado, especialmente por o ponto onde é proposta a instalação do pedágio possuir possíveis rotas de fuga aos motoristas. Segundo o chefe do Executivo, uma delas fica à direita de quem vai no sentido Portão-Caí, tem cerca de dois quilômetros, com um deles já pavimentado.  A outra, ainda mais relevante, fica do lado oposto, com entrada um pouco depois do acesso ao campus da UCS e saída na ERS-240, em Capela de Santana. É um trecho de cinco quilômetros, conhecido como Passo da Taquara, onde, em breve, o governo municipal vai iniciar a pavimentação.

“O que vai acontecer é que o pessoal que vier da Serra não vai pagar o pedágio aqui, se for mantido, porque nessa estrada vai ter asfalto e eles vão sair lá na 240, também depois do novo pedágio de Capela de Santana. Então, eles vão ir a Porto Alegre sem pagar nem na ida e nem na volta”, expõe Campani.  Em reunião na quinta-feira com o secretário extraordinário de Parcerias do Estado, Leonardo Busatto, que lidera as tratativas para a concessão, o prefeito explicou a questão. “Eu fiz uma série de ponderações técnicas pra ele e ele disse que esse fato do Passo da Taquara não era de conhecimento dele”, relata. Busatto garantiu que vai levar a questão ao governador Eduardo Leite.

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