Historicamente, mês de impostos, compras e matrícula escolar registra maiores saques na Caixa Econômica

Comparação entre os meses de janeiro de 2019 e janeiro de 2018 mostra crescimento nas retiradas de dinheiro

Os números não mentem. Janeiro foi mês de os brasileiros irem em peso aos bancos para sacar dinheiro. Segundo o Banco Central, no Brasil todo, R$ 11.232 bilhões líquidos foram sacados da caderneta de poupança no mês passado. O montante registrado é o segundo maior da história para janeiro, desde o início da série histórica, em 1995.

Na agência montenegrina da Caixa Econômica Federal foi a mesma coisa e a quantidade de retiradas foi considerável. Aumentou 60% em comparação ao mesmo período do ano passado. Foi dinheiro que deixou de “poupar” na poupança para ser aplicado em outras finalidades.

Para o gerente da agência local, Tito Livio Fauth Filho, é natural que os saques aumentem em janeiro. “Novembro e dezembro são meses em que os bancos acabam captando mais. É quando entra o 13º salário, as férias, e as pessoas colocam o excesso do dinheiro para ‘poupar’. Em janeiro é o inverso”, explica.

Aí vem início de ano escolar, vem o IPTU para pagar e também costuma ser um período em que as pessoas optam por trocar de carro, iniciando o ano em um veículo novo. “Então é uma tendência natural que seja um mês mais propenso a saídas. Isso torna muito difícil que os bancos fiquem no positivo”, salienta o gerente.

Para o gerente da Caixa, Tito Livio Fauth Filho, o recorde de 2019 é explicado por uma maior confiança do consumidor em investir

O que chama mais atenção, no entanto, é o quão considerável foi o montante sacado no período em comparação aos janeiros de outros anos. No ano passado, por exemplo, os brasileiros haviam tirado da poupança um total de R$ 5,201 bilhões – menos da metade do sacado em 2019.

Tito vê um lado bom neste fenômeno. Para ele, não é que as pessoas tenham precisado de mais dinheiro para as despesas. Ao contrário. Ele avalia que as retiradas feitas podem ser explicadas por uma maior confiança na economia do país, que está estimulando investimentos e aquisições. “Todo mundo espera que esse seja um ano de mudança. Então até mesmo empresas, que guardavam o dinheiro na conta da Pessoa Física, retiram da poupança para fazer investimentos”, aponta o gerente.

Na caderneta, o próprio nome já diz: o objetivo é “poupar”
Apesar dos resultados positivos da caderneta nos dois últimos anos, os brasileiros ainda não têm o hábito de guardar dinheiro. Dados do Banco Mundial mostram que, em 2017, apenas 32% dos brasileiros com mais de 15 anos de idade guardaram alguma quantia de dinheiro – seja na caderneta, seja em qualquer outra aplicação financeira. A média global é de 48% e, nos países de alta renda, o percentual é de 73%.

O gerente da agência montenegrina da Caixa explica que a poupança – como o próprio nome indica – tem o fim específico de poupar recursos, não sendo indicados saques frequentes que venham a prejudicar os rendimentos. “Até é indicado que a pessoa tenha um planejamento de depositar um pouco todo mês e que crie um hábito de guardar”, ressalta Tito.

É o que faz a aposentada Adelaide Machado, de 67 anos, que deixa parte da sua aposentadoria na caderneta. Seu último saque, quando precisou, foi feito há pouco mais de um ano. Do mais, são só depósitos. “Eu guardo para um imprevisto e precisa ter controle. Não dá para ficar sacando direto”, coloca.

Nos anos em que a crise esteve mais acentuada, em 2015 e 2016, a poupança acabou ficando no vermelho, sendo menos procurada. Ela começou a se recuperar em 2017, fechando 2018 com uma captação líquida de R$ 38,2 bilhões (mais entradas do que saídas, à nível nacional). Voltava a ser a opção de muitos.

“Ela tem uma segurança muito grande. A pessoa já sabe a remuneração que terá e sabe a data do rendimento”, destaca o gerente local. Na agência, a caderneta é a opção desde aos pais que, quando os filhos nascem, abrem a conta para guardar recursos que custeiem seus estudos na juventude; até aos idosos como Adelaide, que querem manter seu dinheiro em segurança, sem guardá-lo em casa.

Quanto rende a poupança
Hoje, a poupança é remunerada pela taxa referencial (TR), que está próxima de zero, mais 70% da Selic (a taxa básica de juros da economia, que foi fixada em 6,5% ao ano; ou 0,54% ao mês). Essa regra vale sempre que a Selic estiver abaixo dos 8,5%. Quando estiver acima disso, a poupança é atualizada pela TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17% ao ano). Esta remuneração, mais elevada, deixou de valer em setembro de 2017, quando a Selic passou para abaixo do nível dos 8,5%.

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