Semana da Mulher. Dados oficiais referem-se ao começo deste ano, mas devem ser piores. Nem todas denunciam

Na manhã de ontem, por volta das 10h, a programação da Semana da Mulher Montenegrina teve continuidade no plenário da Câmara de Vereadores. Com o tema “violência contra a mulher”, o debate foi conduzido coletivamente por representantes do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), da Delegacia de Atendimento à Mulher, do Conselho Tutelar e do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. A abertura coube à vereadora e presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, Josi Paz (PSB). Aproximadamente 30 pessoas compareceram ao plenário para debaterem sobre a questão. Abordagens como quem procurar em casos de agressões, números de violência já neste ano em Montenegro e qual o papel de cada centro municipal no acolhimento e tratamento de vítimas foram feitas.

Assédios contra o sexo feminino são comuns e sutis. Basta ligar a televisão, por exemplo, para presenciar livremente a objetificação do corpo feminino e a imagem sempre atrelada ao romance, na chamada cultura do estupro. Só quem é mulher sabe. Discursos como esses alimentam e reforçam uma cultura de violência que se materializa no dia a dia. Em Montenegro, são três casos de agressão por dia, segundo as autoridades.

Delegada defende instalação de uma Casa de Passagem
Falar sobre a mulher carrega muitas conotações e estigmas. E é impossível, infelizmente, não associar o sexo feminino à violência. De acordo com a delegada Cleusa Tânia de Oliveira Spinato, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que desde dezembro de 2014 atua na cidade, a violência contra a mulher está mais presente na sociedade do que se pode supor. E manifestada de diversas formas. “Ela é crescente”, constata.

Os números comprovam. Apenas no começo deste ano, em janeiro e fevereiro, de acordo com ela, 200 ocorrências de agressões contra a mulher foram registradas e encaminhados pela Delegacia. Isso significa que, em média, três mulheres são agredidas por dia na cidade. A probabilidade, porém, é de que o número seja ainda maior. Muitas silenciam diante da violência, por medo, vergonha ou dependência, e não denunciam seus agressores. Principalmente por isso, a fala de Cleusa foi insistente sobre a necessidade da criação de uma Casa de Acolhimento às vítimas de agressão.

Atualmente, esse papel tem sido desempenhado, dentro das possibilidades e com limitações, pelo Retiro Comunitário de Reabilitação Ocupacional de Montenegro, o Recreo.

“Nossa rede de acolhimento e assistência não está completa, pois há a necessidade de uma Casa de Passagem para que vítimas de violência possam buscar apoio, ao invés de terem que retornar aos lares junto com os acusados. É um problema municipal. Mas estamos trabalhando em um projeto regional para suprir essa carência”, explica.
Amanhã à tarde, no auditório da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, haverá a apresentação da proposta. O planejamento é regional porque todos os municípios do Vale do Caí arcariam com os custos, dando maior perspectiva de sucesso à implantação.

Onde buscar ajuda
CRAS – O psicólogo Guilherme Bulcão Manica e a assistente social Neiva Susete da Rocha Saldanha, membros do CRAS, explicam que o Centro é especializado no acolhimento e acompanhamento psicológico e social, de crianças, adolescentes, moradores de rua e famílias que tenham tido seus direitos violados. “Dentro deste grupo, estão as mulheres vitimas de agressões. Nós atuamos com uma escuta ativa do paciente. Orientamos sobre os direitos, que é o de não apanhar e de denunciar em casos de abusos”, explica Guilherme.

Estimular a vítima a comentar sobre as agressões e romper o ciclo de violência também faz parte do apoio. Os atendimentos às vítimas de violência são feitas individualmente ou em grupo, conforme a necessidade.

Conselho Tutelar – Lucianita Menezes, coordenadora do Conselho Tutelar de Montenegro, destaca que a problemática de violência contra a criança, adolescente ou a mulher deve vir acompanhada de programas sociais. Ela destacou que uma Lei Federal, como a de n° 8.069, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, não é suficiente para mudar comportamentos. “É da nossa cultura essa ideia de que precisa apanhar para aprender. Mas ninguém precisa!”, explica.

Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres – Carliane Pinheiro, presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Montenegro – COMDIM, trouxe relatos de mulheres com quem convive e solicitou o apoio dos cidadãos ao projeto da Casa de Passagem regional, que será apresentado hoje, durante uma reunião na Delegacia de Pronto-atendimento.

 

 

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