Um policial de 54 anos morreu em uma operação contra abigeato em Montenegro

BAIXAS NA SEGURANÇA. Suicídio causou mais mortes em policiais do que confronto com crime

Em 2018, 343 policiais civis e militares foram assassinados, 75% dos casos ocorreram quando estavam fora de serviço e não durante operações de combate à criminalidade. A violência a que os policiais estão permanentemente expostos tem efeitos psicológicos graves. Em 2018, 104 policiais cometeram suicídio, número maior do que o de policias mortos durante o horário de trabalho (87 casos) em confronto com o crime. Essa realidade é apontada pela 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que registra exposição à violência fatal a que os policiais brasileiros estão sujeitos. A rotina estressante dos agentes é apontada como fator para a tomada de atitude extrema.

No Rio Grande do Sul, em 2018 o número de PMs que deram fim a própria vida dobrou em ralação ao ano anterior, foram seis mortes. Já na Polícia Civil o registro é menor. Em 2017 não houve nenhum caso, no ano seguinte ocorreu uma morte.

Em relação aos casos de suicídios de policiais militares em outros estados, o RS fica atrás somente de São Paulo, onde em 2017 ocorreram 16 casos de suicídios e no ano seguinte 20, Paraná (6 e 8), e Rio de Janeiro (5 e 3). A triste realidade de uma rotina turbulenta também é enfrentada por policias que desempenham atividades em municípios de menor porte.

Em 2018, o Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Caí disse adeus a dois de seus servidores. Ambos morreram de formas parecidas, com tiro disparado pela própria arma de fogo contra a cabeça. Outro fato em comum é que os dois policiais enfrentavam problemas causados por quadro depressivo, como informado por familiares e amigos, na época das mortes.

“Os casos de suicídios, estão diretamente relacionados à natureza estressante das atividades desenvolvidas pelos policiais no exercício da profissão”, assegura o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Rogério Pereira Martins. “Muitas vezes expostos a sofrimentos psíquicos e emocionais, aliado à dificuldade de acesso a tratamento especializado, como também a questões socioculturais, os agentes não encontram outra saída a não ser dar fim à própria existência”, acredita o comandante.

Falar sobre suicídio, em grande parte das sociedades, ainda é um grande tabu. Contudo, aos poucos as concepções sobre o tema começam a muda, com o intuito de preservar vidas. “Esses temas constituem desafios a toda a sociedade, na discussão de ideias e ações que minimizem os riscos desta profissão, que é um fenômeno mundial”, corrobora Pereira Martins.

Se de um lado agentes da Segurança Pública perderam a batalha silenciosa, enfrentada dentro de si mesmo, outros tiveram sonhos interrompidos ao cumprir com a missão diária de proteger a sociedade. Dois casos, em especial, chamaram a atenção dos moradores do Vale do Caí do ano passado até agora.

No dia dois de maio, o inspetor Leandro de Oliveira Lopes, 30 anos, foi assassinado durante uma operação de cumprimento de mandado de prisão contra integrante de uma facção com atuação na Região Metropolitana de Porto Alegre, o crime ocorreu no município de Pareci Novo. A vítima e mais 23 policiais, entre eles integrantes do Grupamento de Operações Especiais (GOE), foram recebidos a tiros quando ingressaram no sítio na localidade de Matiel, zona rural do município.

No dia 16 de julho deste ano, o policial Edler Gomes dos Santos, de 54 anos morreu em uma operação da PC contra crimes de abigeato. O escrivão foi atingido na região da axila do ombro esquerdo, por disparo efetuado de uma espingarda calibre 12. Possivelmente a bala passou pelo vão do colete. Ele faleceu no local. O fato ocorreu em uma pequena propriedade na localidade de Potreiro Grande, próximo à Estrada da Pedreira Velha, em Montenegro.

Uma semana antes do crime de Montenegro, o policial militar Gustavo de Azevedo Borba perdeu a vida em um confronto. Antes disso, em 26 de junho, Rodrigo da Silveira e Marcelo de Fraga Feijó também foram abatidos. Todos os crimes ocorreram em Porto Alegre, durante o exercício da atividade de policiamento. “A morte de policias militares e civis no Rio Grande do Sul vem chocando a todos”, destacou a chefe de Polícia Civil Nadine Anflor.

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