INFORMAÇÕES estão disponíveis no site do TSE e apontam baixa participação feminina e negra

Homem branco, com Ensino Médio completo e idade entre 40 e 60 anos. Este é o perfil médio dos candidatos a vereador de Montenegro. O levantamento foi realizado com base nas informações que os aspirantes à Câmara encaminharam à Justiça Eleitoral e estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A quantidade de “competidores” é 103, considerando que ocorreram duas impugnações e uma desistência, número um pouco menor do que o registrado em 2016 e em 2012, quando houve 114 e 112 candidatos respectivamente.

Chama a atenção, no cipoal de números, o fato de haver somente um postulante com até 29 anos (0,97%) na corrida pelos votos. Já na outra extremidade, os candidatos com mais de 60 anos equivalem a 18,44% dos inscritos: são 19 idosos, sendo 15 na faixa dos 60 aos 69 anos e somente quatro com mais de 70. O cenário parece ser, de um lado, o reflexo do envelhecimento do eleitorado e, de outro, um sintoma do desinteresse dos jovens pela Política.

Assim como a “gurizada” está pouco representada na busca pelas dez vagas do Legislativo, também a participação feminina é tímida. Elas compõem somente 33,98% do total de concorrentes. Ou seja, o número apenas cumpre a cota estabelecida pela legislação eleitoral para os partidos.

Outra curiosidade apontada pelo levantamento diz respeito à origem dos que pretendem ser vereadores: 39,81% não nasceram em Montenegro, mas escolheram a Cidade das Artes para viver e constituir família. Desses imigrantes, as origens mais citadas são Brochier (quatro pessoas) e Triunfo (três). Os “nativos” são 62.

Já no quesito profissão, as que mais se destacam são “empresário” (14,56%) e “aposentado” (11,65%). Na lista de ocupações divulgada pelo TSE, ainda há representantes das mais diferentes atividades, como agricultores, comerciários, advogados, motoristas, professores e servidores públicos. O total de categorias citadas é 34, além de pelo menos 18 candidatos identificados como “outras profissões”.

Confira os gráficos:
Racismo estrutural reduz presença negra

Em 147 anos de história, Montenegro nunca teve um vereador negro e, a julgar pela presença deles na lista de candidatos, mudar esta realidade em 2020 não será uma tarefa fácil. Apenas oito aspirantes à Câmara declararam-se descendentes de africanos. Para a psicóloga Letícia Silva dos Santos, presidente da ACB Floresta Montenegrina, as causas devem ser buscadas no racismo estrutural, um conjunto de comportamentos e de atitudes que “naturalizam” a discriminação.

A questão é muito mais profunda do que a simples mobilização da comunidade afrodescendente e a briga por espaços dentro dos partidos. Passa pela conscientização da sociedade e por políticas públicas que promovam equidade racial. “Vejo mudanças em médio e longo prazo”, afirma Letícia, lembrando que a mobilização coletiva e o protagonismo negro têm sofrido fortes ataques em diversos setores da sociedade.

A busca por soluções requer, de acordo com a psicóloga, pesados investimentos na Educação, com foco na real universalização do acesso à escola em todos os níveis e na promoção de uma cultura antirracista.

“Os partidos só querem preencher suas cotas”
A disputa pela Câmara, este ano, tem 103 participantes, mas somente 35 são do sexo feminino. Significa que os partidos apenas cumpriram a cota estabelecida em lei, sem maiores avanços no que tange à presença da mulher na Política. Para Carliane Pinheiro, a Kaká, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, as próprias legendas são as culpadas.

“Os partidos, em geral, só procuram as mulheres para satisfazer as cotas. Elas até se filiam, mas depois não encontram espaço para defender suas ideias e acabam se afastando novamente”, analisa Kaká. “Quando uma mulher chega, ela vem com novas ideias, ela desacomoda. Aí o patriarcado fala mais alto e, por não se sentirem acolhidas, desistem”, conclui, acreditando que uma mudança real ainda vai levar muito tempo.

Das dez cadeiras existentes na Câmara atualmente, apenas duas são ocupadas por mulheres e ambas trocarão de titulares em 1º de janeiro de 2021. Rose Almeida, que está em seu quinto mandato, decidiu não concorrer novamente e Josi Paz disputa o cargo de vice-prefeita ao lado de Kadu Müller.

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