Eficanas visitando as obras da revitalização do complexo da Estação da Cultura. Fotos: Arquivo pessoal

Comemoração. Entidade promove ações de filantropia e valorização da cultura e da arte

Cinco décadas se passaram desde que Maria Eunice Müller Kautzmann, juntamente com um grupo de mulheres, fundou a Efica – Embaixada Feminina de Intercâmbio Cultural na América, em 23 de outubro de 1970. A entidade, que em 1999 passou a chamar-se Entidade de Filantropia, Cultura e Arte (Efica), com o lema “A Serviço da Vida”, completa nesta sexta-feira, 23, 50 anos de trabalhos voltados à cultura, arte e desenvolvimento de Montenegro.

Entrega de cestas básicas realizada pela entidade. Fotos: Arquivo pessoal

A Efica foi criada inicialmente para destacar a importância da mulher e a conquista do seu espaço nos vários segmentos da comunidade, principalmente na cultura e na arte do município. Com o passar do tempo a finalidade e propósitos do grupo necessitava de novos rumos, de uma revitalização.

Conforme conta a atual presidente do grupo, Clarice Biehl, além de atuar em muitas atividades filantrópicas e culturais na comunidade, em 2002 a entidade passou a ser Produtora Cultural Voluntária, podendo assim, ampliar o seu campo de atuação. Desde então, a Efica promove e é parceira de diversas ações, como a Revitalização do complexo da Estação da Cultura, antiga Estação Férrea, este considerado o trabalho mais relevante da entidade. “Desde a primeira revitalização do Prédio Central da Estação – 1ª etapa, a Efica sempre pode contar com o patrocínio da mesma empresa, através de Projetos realizados pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), da Secretaria Estadual da Cultura: empresa Braskem, que em 2006, ano da inauguração chamava-se Copesul”, conta a presidente.

Anos mais tarde, mais exatamente em 2009, foi inaugurada a 2ª etapa de revitalização do complexo, o antigo prédio dos Correios e Telégrafos, além da implantação da subestação de energia. Em agosto de 2016, foi inaugurado o antigo prédio do Restaurante da Estação Férrea, renomeado como Espaço Cultural Braskem. Clarice destaca as ações de sustentabilidade que a 3ª etapa incluiu. “Foram colocadas cisternas com capacidade de armazenamento de 12.000 litros de água da chuva, a ser utilizada nos sanitários do complexo e limpeza dos espaços”, fala.

Oficina de joias promovida pela Efica foi uma das iniciativas feitas para comunidade

No ano do cinquentenário da entidade, será inaugurada a 4ª etapa de revitalização de todo o complexo, a Casa do Chefe da Estação, localizada ao fundo do pátio do prédio principal. “Com este projeto, foi contemplada também mais uma grande ação de sustentabilidade: uma usina de energia solar” diz a presidente. Foram colocadas, no telhado da plataforma, 56 placas fotovoltaicas de captação de energia, que já estão sendo testadas e irão alimentar a energia de todo o complexo. Esta ação irá gerar uma economia de 98% do total de custos com energia. De acordo com Clarice, a Produtora Cultural Voluntária, motivada pela Braskem, também participa regularmente da campanha “Tampinha Legal”, com a coleta de tampinhas de plástico de refrigerantes, utilizadas na confecção de vasos de flores, de aparelhos e cadeiras de roda.

Integrante desde 2007, e há seis anos presidindo o grupo, Clarice é grata por todas as ações já realizadas. “Fazer parte dessa história é uma realização, alegria”, conclui.

Ações voltadas à comunidade
No seu trabalho, a entidade também atua em ações solidárias voltadas à população montenegrina, sempre recorrendo ao que é mais necessário no momento. Neste ano, em virtude da pandemia do novo coronavírus, a Efica se engajou na arrecadação de alimentos para famílias da periferia que perderam seus empregos e apresentaram dificuldades econômicas. Segundo a diretoria, a Braskem foi parceira também nessas ações, auxiliando com cestas básicas.

O grupo de eficanas também confeccionou máscaras para proteção de grupos em situação de vulnerabilidade social, doando em três remessas para que a Secretaria da Saúde administrasse a distribuição. Além disso, a entidade continua se envolvendo em ações de solidariedade junto às creches (confeccionando e doando roupas), abrigos e lares de idosos, com doações de leite, material de higiene pessoal, brinquedos, brindes para jogos de recreação, alimentos, utensílios e panos de copa. “A atual diretoria da entidade – gestão 2014/2020, além das ações solidárias, traz eventos culturais e oficinas que são oferecidas à comunidade, com o apoio da empresa Braskem”, completa Clarice Biehl.

O amor pelos montenegrinos
Há mais de 20 anos na Efica, a ex-presidente, Beatriz Steffen, conta que muitos momentos foram marcantes para ela nessa trajetória. “Quando assumimos o compromisso de restauração da Estação Ferroviária, o que mais me marcou foi ter que retirar famílias que moravam nos prédios quase em ruínas, sem ter muita certeza de que atingiríamos os nossos objetivos. Com muitas reuniões entre a Prefeitura e nós da Efica, conseguimos que a Prefeitura os recolocassem em outros lugares. Em seguida entramos em contato com, na época Copesul, hoje Braskem e finalmente conseguimos o patrocínio”, relembra.

Para ela, esse momento foi pura alegria, pois além das famílias ficaram bem acomodadas, a revitalização da Estação teria início. “A história da restauração da Estação Ferroviária, se contada detalhadamente com certeza daria um belo livro”, relata. Segundo Beatriz, ser eficana é gratificante. “Significa trabalhar pelo engrandecimento cultural e social da nossa comunidade; e principalmente pelo grande círculo de amizades que formamos ali”, completa.

Também integrante da diretoria da Efica, Rosani Brochier Nicoli, considera muito relevante poder participar de uma “entidade que através de sua ação, de ser produtora cultural voluntária, pode contribuir com a preservação do patrimônio histórico da comunidade”. Nicoli cita toda a revitalização da Estação da Cultura ,que já foi realizada e continua até o momento, e também as ações em 2020. “Neste ano especial, em que vivemos essa situação toda da pandemia as ações de filantropia mobilizaram todo o grupo de eficanas, na confecção de máscaras doadas em três remessas […] Como também a doação de cestas básicas para a comunidade mais afastada do centro da cidade, e também em situação de vulnerabilidade e desemprego”, conclui.

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