EEEM Erni Oscar Fauth atende 306 alunos e já formou outras centenas

Criada em janeiro de 1939, escola cresceu para se tornar parte importante da comunidade

No dia 7 de janeiro de 1939 foi criado o Grupo Escolar da Vila Brochier, então sede do 9º distrito de Montenegro. A escola, mantida pelo Governo do Estado, contava com classes de 1ª a 5ª série e veio a se tornar hoje a única instituição de Ensino Médio de Brochier: a Escola Estadual de Ensino Médio Erni Oscar Fauth. Antes de receber o nome pelo qual é conhecida – e pelo qual recebeu a abreviação de EOF –, a instituição de ensino era chamada de Grupo Escolar de Brochier.

Prédio que abrigou a EOF no início de sua história segue em pé

Por 30 anos o grupo escolar ocupou um prédio alugado situado na esquina das ruas hoje denominadas Arnaldo Kochenborger e Valter Emílio Schneider. Com o tempo, o local ficou pequeno para o número de alunos e, ciente do problema, Willimar Fetzner doou o terreno onde foi construída uma nova escola. A inauguração desse novo espaço se deu em 24 de maio de 1970. Um ano depois, a escola passou ser chamada Grupo Escolar Erni Oscar Fauth numa homenagem ao atuante brochiense que falecera em 1958. A partir de 1973 foi implantado gradativamente o Ensino Fundamental completo. A primeira turma formava-se em 1975, mesmo ano em que foram inauguradas três novas salas.

A partir de decreto, em 1977, a instituição deixou de ser nomeada Grupo Escolar e passa a ser conhecida como Escola Estadual de Ensino Fundamental Erni Oscar Fauth. Em 1996, o complexo escolar é novamente ampliado, com a construção de mais três salas de aula. Uma nova sala foi construída em 2004, ano que marca outra importante conquista da escola: a implantação do Ensino Médio. Assim, a escola recebeu o nome que tem hoje: Escola Estadual de Ensino Médio Erni Oscar Fauth.

Atualmente, a escola atende 306 alunos com turmas de todos os anos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Os alunos são atendidos por uma equipe de 32 funcionários e têm à disposição laboratório de informática e de ciências, biblioteca, sala de recursos e refeitório. Para celebrar os 80 anos de existência, desde o ano passado, os alunos estão pesquisando sobre a história da escola. As atividades foram desde a visitação ao primeiro prédio do educandário, montagem de maquetes e criação de poemas. Um concurso realizado em 2018 também escolheu a marca para a celebração da data. A arte escolhida foi do aluno Derick Augusto Trennephol, hoje estudante do 1º ano do Ensino Médio.

A direção da escola, comandada pela diretora Patrícia Cristine Henz Schommer, também fez um resgate histórico e montará uma galeria de gestores. Incluindo Patrícia na conta, a EEEM Erni Oscar Fauth teve 21 diretores desde sua inauguração. Boa parte deles ou familiares são esperados no jantar comemorativo que será realizado na noite deste sábado, dia 7, na sociedade de Linha Pinheiro Machado.

Diretora diz que alunos esperam ansiosos pela construção do ginásio, assim como professores e pais

Comunidade escolar sonha com construção de ginásio há tempos
Nesses 80 anos de história, um sonho antigo da comunidade escolar da Erni Oscar Fauth é a construção de um ginásio coberto. Através de tratativas da Prefeitura – que conquistou uma emenda parlamentar para a obra – com o Governo do Estado, esse desejo está cada vez mais perto de se tornar realidade. O projeto do ginásio está na Caixa Econômica Federal aguardando liberação para o processo licitatório. Na escola, já houve algumas mudanças para receber o ginásio, como a alteração da pracinha de lugar e a demolição de um depósito. “Os alunos estão ansiosos. O corpo docente e os funcionários também. Há pais que recordam que ajudaram a fazer a canchinha (onde será construído o ginásio)”, comenta.

Mas essa não é a única mudança recente na escola. Recentemente a escola concluiu o acesso coberto para os alunos. Obra que foi finalizada com recursos do Círculo de Pais e Mestres (CPM). Para seguir crescendo, a diretora Patrícia entende que o principal desafio da escola é motivar os alunos para que eles entendam que o estudo é a base de tudo. Inclusive, o educandário tem como lema “Educando para a vida”.

“O que o aluno aprende na escola é para a vida dele, é conhecimento e formação como pessoa”, reforça a diretora. Patrícia destaca ainda a relação entre escola e comunidade. “Pelo fato de existir há 80 anos, vejo a escola sendo de suma importância. Assim como é a comunidade. Uma depende da outra, elas se completam”, comenta. Essa importância é reforçada pelo presidente do CPM, Fabrício Scherer. “Ela (a escola) forma os futuros cidadãos dessa comunidade. Além de ser o local de transmissão do conhecimento, educa os seus alunos para a vida, que é seu lema”, comenta.

Pai de uma aluna do nono ano, Fabrício salienta que o envolvimento e proximidade dos pais na escola é de extrema importância por estabelecer um forte vínculo que se reflete no desempenho dos alunos e no seu amadurecimento sócio-afetivo. “Eles (os alunos) se sentem valorizados, tendo os pais sempre presentes, sabedores e preocupados com a sua vida escolar e se esforçando juntamente com a equipe diretiva e docente para promoverem cada vez mais uma educação de qualidade”, reforça. De acordo com Fabrício, as reuniões do CPM com a equipe diretiva são mensais e têm como objetivo deliberar sobre o cotidiano da EOF, suas necessidades, formas de captar recursos e realização de eventos.

Neli destaca espaço maior da nova escola como principal diferença

Inauguração do prédio novo teve festa, lembra Neli
Em 1970, Neli Nora Müller, hoje com 85 anos, era a diretora da EEEM Erni Oscar Fauth. Foi durante sua gestão que o educandário saiu da casa alugada para ocupar o prédio recém construído. A ex-professora, que lecionou para a 4ª série, recorda que o prédio anterior era velho e não tinha salas suficientes. “No novo prédio melhorou, ele tinha salas para cada série”, conta.

Neli lembra, ainda, que a comunidade ficou bastante feliz com a inauguração do novo espaço, realizando uma grande festa. Durante o um ano que atuou na EOF, o que marcou Neli foi ter trabalhado apenas com uma única série. Antes, ela só havia atuado em escolas com turmas multisseriadas. Um ano após ter assumido a função da diretora na escola brochiense, ela foi transferida para dar aulas em Maratá, onde mora hoje.

Quem foi Erni Oscar Fauth?
Filho de Balduíno Frederico Ignácio Fauth e Guilhermina Fauth, Erni Oscar Fauth nasceu em 29 de janeiro de 1915, na então Vila de Brochier. Aos 14 anos, perdeu o pai. Quatro anos depois, serviu ao Tiro de Guerra, em Montenegro, mas retornou em seguida a Brochier para permanecer ao lado da mãe. Em fevereiro de 1939, casou-se com Lucia Leri Gertsner, com quem teve seis filhos: Lírio Alberto, Tito Lívio, Juarez Balduíno, Ildo Oscar, Heleno Erni e Helena Terezinha.

Dedicado ao progresso de sua terra natal, Erni cedeu um terreno para a construção de um campo para a prática do futebol. Ele ajudou, ainda, a fundar o Esporte Clube Juventude. O brochiense é um dos fundadores do Hospital São João Batista, de Brochier, e também teve participação na construção da igreja evangélica local. Erni também representou sua comunidade sendo vereador de Montenegro, cidade a qual Brochier pertencia na época.

Em 18 de setembro de 1958, Erni sofreu um segundo derrame cerebral, do qual não conseguiu se recuperar, e acabou falecendo. Para homenageá-lo, a escola estadual localizada no município foi batizada com o seu nome.

Sala onde Nara (E) e Luciane estudaram na 4ª série é hoje da informática

Professoras guardam boas memórias da época de alunas
Hoje vice-diretora, Luciane da Motta Brochier, 45 anos, retornou há 12 para a Erni Oscar Fauth como professora de Geografia. Sua passagem anterior havia sido entre 1980 e 1988, como estudante do Ensino Fundamental. Se atualmente ela está trabalhando no educandário que lhe deu a formação inicial, muito disso tem a mão de seus antigos tutores. “Foram os professores que incentivaram (a seguir os estudos)”, conta. Ela recorda que de uma turma de 12 pessoas, oito foram fazer o Ensino Médio, algo raro para a época.

Luciane recorda que na sua época o complexo da escola não era como atualmente. Ela entende, ainda, que o comportamento dos alunos também era diferente. “Naquela época a gente ia atrás dos sonhos, buscávamos o que queríamos. Vejo que os alunos hoje não têm essa motivação”, comenta. “A cada dia, busco conversar com eles, trazer essa vivência para colocar e importância de ter metas e ir a busca dos seus sonhos”, complementa, falando de parte do seu trabalho como vice-diretora.

Entre as experiências vividas pela sua turma, Luciane recorda de um chá organizado pela própria turma para realizar uma viagem para Tramandaí. “Andamos a pé pelo município pedindo donativos e angariando fundos para a excursão”, conta. Entre outras lembranças gostosas estão eventos que acontecem ainda hoje, como as interséries e a Festa Junina. “Muito do que sou hoje é dos professores, da turma… é uma ligação que segue até hoje”, reforça.

Inclusive, Luciane tem como colega docente uma de suas antigas colegas de classe: Cleide Nara Koch Schreiner, que atua há 24, de seus 44 anos, como professora na EOF. Atualmente, ela é professora de Matemática. “Retornar e dar aula aqui foi gratificante”, garante. Cleide recorda, ainda, que foi bastante difícil quando a turma se separou para ir fazer o Ensino Médio em Montenegro. “Foi um desafio. Tínhamos ido do pré até a 8ª série com a mesma turma”, afirma. Hoje, ao lado da antiga colega, ela prepara os alunos para enfrentar seus desafios.

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