Depois de subidas durante a semana, moeda norte-americana caiu na tarde desta quinta-feira. Imagem: Internet

Câmbio. Subida não é a maior da história, mas influencia na vida de todos

O dólar passou a operar em alta nesta quinta-feira, dia 6, influenciado por uma cautela com a cena eleitoral no Brasil. Também surtiu efeito no mercado o feriado da Independência, que manterá os mercados locais fechados no dia em que, nos Estados Unidos, serão divulgados números sobre o mercado de trabalho. Esse índice é indicador bastante acompanhado pelo Federal Reserve – banco central norte-americano – na formulação de sua política monetária.

Ao final da manhã de ontem, a moeda norte-americana subia 0,45%, vendida a R$ 4,1606. A disparada do Dólar nesses dias tem sido uma das maiores dos últimos anos. Essa situação influencia de muitas formas a vida dos brasileiros. Exemplo disso é a política de preços da Petrobras para os combustíveis revendidos às distribuidoras. Os alimentos, como pães e massas, terão aumento devido à importação de farinha.

Na máxima da sessão de ontem, o dólar chegou a R$ 4,1646, e na mínima, a R$ 4,1026. No ano, o dólar acumula alta de 25% e, no mês, de 11%. No entanto o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) Montenegro/Pareci Novo, Karl Heinz, não concorda que essa é uma alta histórica. Ele recorda que, em setembro de 2015, a moeda chegou a R$ 4,24 no Brasil.

Em relação às subidas atuais, Kindel entende que são por consequência da turbulência no mercado externo, guerras comerciais envolvendo principalmente Estados Unidos (EUA) e China. Além disso, somam-se uma desvalorização de moedas dos países emergentes em geral frente ao Dólar; crises agudas na Argentina e na Turquia; e pequena elevação na taxa de juros interna dos EUA. “No front interno, a maior parte decorre da instabilidade política em razão das eleições”, avalia o empresário.

Com elevação, as exportações são beneficiadas
Neste cenário de alta no Dólar, ganha quem exporta, perde quem importa matéria-prima e produtos. Karl Heinz explica que brasileiro que produz em Real, ao converter sua venda, acaba tendo mais lucro. “Ou seja, uma mesma que vende em dólares ganha mais reais na conversão”, sintetiza.

Pelo mesmo raciocínio, prossegue o presidente, as importações ficam mais caras. “Efeito colateral disso é o aumento da inflação, já que produtos importados ofertados no mercado interno ficam mais caros; assim como os referenciados no Dólar”, explica. Contudo, ele observa que mesmo os exportadores podem ter prejuízos, devido à menor venda ao exterior. Isso ocorre não em razão da cotação da moeda norte-americana, mas em razão da crise em alguns mercados, como é o caso da vizinha Argentina.

Outra causa do aumento do Dólar é o sistemático déficit fiscal do Governo Federal, que reforça a desconfiança no Brasil. “A desconfiança gera terreno fértil para os especuladores”, observa Karl Heinz Kindel.

Moeda está saindo

E depois de quatro meses seguidos de entrada de dólares, o Brasil registrou saída da moeda em agosto, segundo dados do Banco Central (BC). No mês passado, saíram mais dólares do país do que entraram. O saldo negativo chegou a US$ 4,250 bilhões. De janeiro a agosto, o saldo ficou positivo em US$ 24,178 bilhões.

O fluxo de dólares no Brasil ocorre tanto por meio do comércio exterior como pelos investimentos de estrangeiros e pode influenciar a cotação da moeda. Com menos dólares no mercado, como ocorreu no mês passado, a tendência é de aumentar a cotação. Quando há mais dólares, a influência pode ser a redução da cotação. Entretanto, outros fatores também afetam o valor da moeda americana: no caso os já citados cenários externo e interno.

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