Buracos na ERS-124 entre Montenegro e São Sebastião do Caí foram tapados recentemente, trazendo alívio aos motoristas

Malha rodoviária que corta o Vale da Felicidade tem bons e maus caminhos

Ponto de ligação entre a Região Metropolitana e a Serra Gaúcha, o Vale do Caí conta com um intenso tráfego nas principais rodovias que o cortam: BR-386, BR-470, ERS-124, ERS-240, ERS-122, RSC-287 e ERS-411. Diariamente são centenas de caminhões transportando insumos e bens e outras centenas de veículos de passeio passando pelas vias sob os cuidados do Estado e da União. Sem exceção, elas sofrem com problemas estruturais – umas mais do que as outras – e o Jornal Ibiá conferiu o estado delas.

Projeto para rótulas na RSC-287 está em fase final, garante EGR
Bastante esperada pela comunidade montenegrina, uma resolução para o problema da travessia do traçado urbano da RSC-287 pode estar próximo de ser efetivada. Conforme a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), o projeto está em fase final de análise. De acordo com o órgão, há a expectativa de que a licitação para a primeira rótula inicie ainda este mês. “Uma vez aprovado, serão elaborados os demais projetos, como drenagens e estrutura de pavimento”, informa a autarquia, via e-mail.

Desnível em cabeceira de ponte sobre o Arroio Maratá exige atenção na ERS-124

Nesta semana, os vereadores Rose Almeida, Joel Kerber e Talis Ferreira estiveram na secretaria estadual de Logística e Transporte para cobrar mais rapidez no andamento do processo. Lá, acompanharam a apresentação do projeto da EGR ao chefe de Gabinete da pasta. Segundo Joel Kerber, a ideia da empresa pública é realizar a primeira intervenção no trecho entre a boate Dado e a loja Taqi, onde devem ser construídas duas rótulas, além de outras intervenções e modificações.

A estatal é responsável pelo trecho da RSC-287 do quilômetro 0 ao 7 e garante que o traçado também deve receber em breve obras de recuperação. Inclusive, um dos piores pontos do trecho são as vias laterais dos atuais acessos.

O Programa de Recomposição Tarifária da EGR elenca, também, entre os principais projetos de realização em curto prazo para a praça de pedágio de Portão o aumento da capacidade da ERS-240 entre o pedágio e Montenegro, com implantação de terceira faixa e melhoria em acostamentos. No entanto, a empresa pública ainda não possui detalhes sobre custos ou cronogramas desta obra.

No Vale do Caí, a EGR é responsável ainda pela manutenção da ERS-122 entre Portão e São Vendelino. Nesta rodovia, o traçado mais perigoso aos motoristas encontra-se no sentido Vale do Sinos/Serra, em Bom Princípio, logo após o limite com São Sebastião do Caí. O trecho recebeu um forte trabalho de recuperação no ano passado, mas já apresenta diversos desníveis e “borrachudos”. Conforme a estatal, está sendo feito um levantamento técnico para apontar os reparos a serem feitos no local.

ERS-124 tem realidades opostas
Enquanto que o trecho da ERS-124, entre o entroncamento com da RSC-287 e a BR-386, em Montenegro, apresenta boas condições de trafegabilidade e poucos buracos, o traçado da rodovia entre Montenegro e São Sebastião do Caí, passando por Pareci Novo, exige atenção dos motoristas, principalmente no trecho entre o entroncamento com a ERS-240 e a ponte sobre o Arroio Maratá.

Acesso a Montenegro pela RSC-287 pode ser facilitado com a implantação de rótulas

Nesse segmento da rodovia, três grandes buracos que poderiam causar danos aos veículos foram recentemente tapados. No entanto, o principal problema é o desnível nas cabeceiras da ponte sobre o Arroio Maratá. Os solavancos ocasionados pelo desnível podem gerar danos materiais ou até mesmo um acidente mais grave, caso o motorista perca o controle do veículo em razão do desnível. A Superintendência Regional de Esteio do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informa que, em conjunto com profissionais da Superintendência de Obras de Artes Especiais (SOA) da autarquia, irá realizar uma inspeção no local para avaliar a situação. No entanto, o órgão não cita quando isso deve ocorrer.

Outro trecho crítico é a série de pontes de pista única entre Pareci Novo e São Sebastião do Caí, um dos grandes gargalos da rodovia – e do Vale do Caí. Sobre essas pontes, o Daer informa que não há estudos a respeito do seu alargamento em andamento ou análise de outra obra alternativa que possa desafogar o trânsito na região.

O traçado entre Montenegro e São Sebastião do Caí também passa pelo perímetro urbano de Pareci Novo, onde devem ocorrer modificações. Apesar de não citar prazos, a autarquia informa que estão em estudos melhorias de duas intercessões localizadas em acessos ao Município, bem como na sinalização da travessia urbana. Também existem expedientes tramitando a respeito da instalação de controladores de velocidade no traçado pareciense da rodovia, que podem ser lombadas eletrônicas ou outros dispositivos.

Chão batido, buracos e descontentamento em trecho da BR-470
Federalizada em 2015, a BR-470 se estende de Navegantes, em Santa Catarina, até Camaquã, no Centro-Sul gaúcho, passando pelo Vale do Caí. E é no Vale do Caí, mais especificamente em Montenegro, que um trecho desta rodovia gera descontentamento em motoristas e nas pessoas que vivem às margens dela. Isso porque o traçado da BR-470 que vai da ERS-124 até a BR-386 é uma estrada de chão batido repleta de buracos.

Rodovia federal de chão batido é marcada por desníveis em toda a sua extensão

“Estamos procurando rotas alternativas. Na BR-470 não tem condições de rodar”. Quem afirma isso é o agricultor Renato Silva, 60 anos. Há 30 anos morando na comunidade de Fortaleza, ele trafega todos os dias pela rodovia federal e diz que já esqueceu a última vez que viu uma equipe do Dnit trabalhando no local para tapar os buracos e realizar uma roçada. Inclusive, um recado foi afixado num poste à margem da rodovia alertando aos motoristas: “Bem-vindos BR-470 – Buracos. Cuidado buracos à frente”. Renato salienta ainda que diversos moradores da localidade já tiveram prejuízo em razão do péssimo estado de conservação da rodovia. “O fecho de mola do meu carro quebrou esses dias. Se o motorista não cuidar, o carro vai cair aos pedaços”, alerta.

Buracos que surgem onde foi colocado raspas de asfalto possuem bordas que causam grande danos aos veículos

Conforme o agricultor Rodrigo da Rocha e Silva, 34 anos, a última manutenção feita ocorreu no final de 2018. “Aqui sempre foi um trecho problemático”, afirma, lembrando que a falta de reparos também ocorria quando o Daer era responsável pelo traçado. Morando no Passo da Pimenta toda a sua vida, ele garante que a localidade é tranquila e tem seu único problema nos buracos da estrada que a corta.

Por haver grandes empresas instaladas na localidade de Fortaleza, o traçado de chão batido da BR-470 conta com um intenso tráfego de caminhões e ônibus. Morador da comunidade, Fabiano Chapuis, 42 anos, trabalha com o transporte de madeira e diz que a buraqueira resulta em molas de caminhões quebradas e tempo dobrado para se fazer o frete. “Em dia de chuva não dá nem pra rodar”, conta. Trafegar com carros de passeio também causa prejuízo. Fabiano precisou trocar o pneu e a roda do veículo da família após danos causados por um buraco.

Motorista de caminhão, Fabiano já usou trator próprio para tapar buracos da rodovia

O motorista revela que já chegou a usar seu trator para tapar buracos num trecho perto de sua propriedade que estava intransitável. Fabiano destaca que já conversou com o Dnit e foi informado que o órgão estaria abrindo licitação para contratar uma empresa que ficará responsável pela manutenção do traçado. Essa é a mesma informação passada pela autarquia ao Jornal Ibiá. Conforme o Dnit, o processo licitatório para contratação de empresa para execução dos serviços de conserva e recuperação da BR-470 está na fase de preparação do edital.

Renato Silva: “Estamos procurando rotas alternativas. Na BR-470 não tem condições”

Obra em ponte na BR-386 deve ser concluída ainda este mês
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prevê para o final deste mês a conclusão das obras da ponte sobre o Rio Caí, na BR-386. A ponte foi interditada no sentido Interior/Capital em outubro de 2016 devido a problemas estruturais. As obras de recuperação só tiveram início em março de 2018 e tinham como prazo inicial de término 330 dias, ou seja, fevereiro de 2019. “Em razão dos escassos recursos orçamentários provenientes do Governo Federal, a previsão de termina passou para o final de maio de 2019”, explica a autarquia, via assessoria de imprensa. Os serviços estão 85% concluídos.

Equipes da empresa CCR Via Sul já trabalham na manutenção de trechos da BR-386

Se uma obra está para acabar, outra deve iniciar. Trata-se da praça de pedágio que deverá ser construída entre Montenegro e Nova Santa Rita pela CCR Via Sul, concessionária que venceu o leilão da rodovia. Ainda não é certo quando as obras terão início, mas a previsão é de que elas sejam concluídas até fevereiro de 2020, quando terá início a cobrança da tarifa de R$ 4,40. Conforme a empresa, o projeto das novas praças de pedágio – no total serão quatro na BR-386 – está em processo de aprovação junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Desde que assumiu a concessão, em fevereiro, a CCR Via Sul realiza os trabalhos iniciais, previstos em contrato, de manutenção, conservação e recuperação dos quatro trechos que administra, incluindo aí o traçado montenegrino da BR-386. Além disso, a concessionária projeta para o dia 15 de agosto o início da operação completa, com os serviços de atendimento ao usuário passando a serem realizados.

Espera sem fim pela volta das obras de recuperação na ERS-411
Iniciada em setembro do ano passado e paralisada cerca de um mês depois, a obra de recuperação da ERS-411 pode ser retomada nas próximas semanas. Recentemente o Estado quitou a pendência financeira que havia com a empresa detentora do contrato de conserva rotineira, a Construtora Giovanella, e já solicitou à empresa que ela dê continuidade aos trabalhos na rodovia que liga Montenegro a Brochier e Maratá. No entanto, não é dado prazo de quando essa continuidade irá ocorrer.

Enquanto obra na ERS-411 segue paralisada, motoristas continuam colocando suas vidas em risco ao desviar dos trechos abertos na localidade de Costa da Serra

O superintendente da 11ª Superintendência Regional do Daer, Fabiano de Oliveira Pereira, diz que depois de notificada a empresa não deu retorno à autarquia. “Assim, encaminhei um processo administrativo para a direção do Daer, para que tome as providências previstas em contrato e notifique a empresa para a execução do serviço”, explica.

A ideia é de que, quando a obra seja retomada, primeiramente sejam finalizados os serviços nos locais em que os trabalhos haviam sido paralisados, um trecho de cerca de dois quilômetros em Costa da Serra, interior de Montenegro. Conforme a autarquia, após a conclusão dos serviços no trecho onde a obra foi paralisada, a 11ª Superintendência Regional do Daer, de Lajeado, deve realizar um cronograma para as próximas ações na rodovia.

Segundo a autarquia, a obra prevê intervenções descontínuas ao longo de toda rodovia, com execução de reparos localizados, fresagem, reperfilagens e execução de drenos. “A execução de tais serviços somente poderá ser programada quando tivermos definição das cotas mensais de recursos que a secretaria estadual da Fazenda disponibilizará ao Daer para os serviços contratados de conserva rotineira”, reforça o órgão.

Obra na BR-470 entre Montenegro e São José do Sul seguirá parada
Ligação direta do Vale do Caí com a Serra Gaúcha, o trecho da BR-470 entre Salvador do Sul e Montenegro recebeu, no início do ano passado, uma intervenção que iniciou em fevereiro e deveria terminar em março de 2018, mas até hoje não foi completada. As obras de recapeamento e sinalização horizontal foram realizadas apenas até o quilômetro 277, em São José do Sul. De lá até a rótula com a RCS-287, em Montenegro, os buracos, rachaduras e desníveis são constantes.

Para o Dnit, rachaduras na pista da BR-470 entre Montenegro e São José do Sul não influenciam na segurança dos usuários que trafegam pela rodovia

De acordo com o Dnit, a sequência do serviço de recapeamento depende da disponibilidade de recursos para o contrato. “Atualmente, o valor disponível permite apenas a execução da roçada, da limpeza e de tapa-buracos na rodovia”, informa o órgão. Questionado pelo Ibiá, o Departamento afirma que o segmento em Montenegro está sem buracos e bem sinalizado. A autarquia admite a presença de rachaduras, mas diz que elas em nada influenciam na segurança e conforto dos usuários da vida.

O agricultor Marcelo Neis, 36 anos, utiliza a BR-470 para escoar a sua produção e entende que a rodovia já esteve em melhores condições. A pista de rolamento em boas condições e bem sinalizada, segundo ele, era observada logo após a rodovia ter sido federalizada, em 2015. “Agora começou a abrir buracos e a roçada não se vê mais”, afirma. No entanto, ele entende que há rodovias em piores condições do que a BR-470 na região e cita como exemplos a RSC-287 e a ERS-411, em Costa da Serra.

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