O Ministério da Saúde aponta que entre 2006 e 2016 o número de brasileiros com o problema cresceu 61,8% no país. Foto: reprodução internet

Conhecida pela diminuição da produção da insulina e/ou resistência a sua ação, a Diabetes é uma doença crônica. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2016, o número de brasileiros com o problema cresceu 61,8% no país. Entre as consequências mais recorrentes da doença está a Retinopatia Diabética (RD), que segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é a principal causa de cegueira em pessoas entre 20 e 74 anos.

Os dados preocupantes foram lembrados no Dia Mundial de Combate ao Diabetes, celebrado em 14 de novembro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 400 milhões de adultos, em todo mundo, tiveram a doença em 2014, número elevado e que assusta, principalmente, quando comparado com a década de 80, quando eram 108 milhões.

Aline Dame d’Avila

A retinopatia diabética é caracterizada por lesões nos vasos que irrigam a retina, causadas pelos níveis elevados de glicemia, levando a um processo inflamatório, podendo causar obstruções ou ruptura da parede dos vasos com hemorragia. “A causa da doença está relacionada ao diabetes descompensado, tanto o tipo 1 quanto o tipo 2”, explica a endocrinologista Aline Damé d’Ávila. “Estima-se que 90% dos pacientes de diabetes tipo 1 e 60% com o tipo 2 devem desenvolver a retinopatia diabética ao longo da vida”, completa.

Os sintomas são discretos. Na fase inicial existe a perda visual leve ou moderada, que pode vir acompanhada de visão torta. No entanto, quando em sua forma mais agressiva, denominada proliferativa, pode gerar cegueira decorrente do sangramento interno nos olhos. “O ideal é que o paciente esteja em acompanhamento periódico com o oftalmologista, no mínimo anualmente, para tratar qualquer alteração da retina ainda assintomática, para não ter risco de evoluir para perda visual irreversível”, orienta Aline.

Para identificar a retinopatia diabética é necessária a realização periódica do exame de mapeamento da retina. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia recomenda que pacientes diabéticos tipo 1 sejam examinados anualmente após quatro ou cinco anos do diagnóstico, e os tipo 2 assim que diagnosticados.

O tratamento precisa se dar em função do controle do diabetes por meio da hemoglobina glicada, hipertensão arterial sistêmica e colesterol. “Conforme o grau de alteração da retina, o oftalmologista indicará fotocoagulação a laser, farmacomodulação com antiangiogênicos, implante intravítreo de polímero farmacológico de liberação controlada e, nos casos mais graves, até tratamento cirúrgico com vitrectomia”, detalha a especialista.

“A retinopatia diabética é uma das complicações do diabetes, portanto o mais importante é a população reduzir a ingestão alimentar de líquidos açucarados, hidratos de carbono (pães, biscoitos, massas, arroz, batata), bem como de doces e, também se tornar mais ativa, deixando a tecnologia de lado uns minutos e praticando alguma atividade física” salienta Aline. “A prevenção é a melhor forma de evitar complicações da doença como acidente vascular cerebral, amputações de membros inferiores, maior risco de Alzheimer e transtorno depressivo, entre outros.”

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