Venda de cestas e artesanato chama a atenção de quem passa na RSC-287

Indíos Kaingang estão na RSC-287 há quatro meses

Celebrado no Brasil em 19 de abril, o Dia do Índio, homenageia o povo que já estava nas nossas terras mesmo antes dos europeus chegarem. Porém, agora os indígenas lutam para conseguir algum terreno em Montenegro e aqui se fixar.

Os índios Kaingangs vinham com regularidade para o município, mas dessa vez já estão há 4 meses e buscam uma alternativa para o obstáculo das terras. “Nós temos bastante crianças e idosos aqui, e é por causa disso que estamos lutando para o Município ceder um espaço para nós”, fala o cacique, Eliseu Claudino de 42 anos .

O grupo de 16 famílias veio de reservas de Carazinho e Redentora, no Norte do Estado, e está atualmente em uma propriedade de uma empresa nas margens da RSC-287. De acordo com o agente em indigenismo da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) de Porto Alegre, Maurício Sanches, os donos entraram com um processo de reintegração de posse e foi dada liminar para que eles saiam até o dia 8 de maio do local. “Na semana que vem entraremos em contato com a Prefeitura e o Ministério Público Federal para tentar a doação de uma área para que seja feito o assentamento indígena em um terreno público”, relata Maurício.

De acordo com o kaingang Eliseu, foi a FUNAI que entrou em contato para avisar sobre a retirada do local. “O proprietário nunca chegou a vir aqui falar com a gente. Quando chegamos, quem veio aqui foi representantes do CRAS, da Secretaria de Habitação e o Conselho Tutelar”.

Os indígenas vivem basicamente do artesanato que vendem na beira da RSC-287 e também na cidade. Além disso, alguns trabalham fora também, enquanto as crianças esperam por um professor para ensiná-las. “As crianças de até 10 anos têm aula com um professor kaingang contratado pelo Estado mas, para isso, precisamos estar fixados em algum local. Só depois dessa idade que eles aprendem a língua portuguesa”, fala Eliseu.

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