A movimentação neste Dia de Finados começou cedo no Cemitério Municipal de Montenegro. O fluxo de pessoas é pequeno, mas contínuo. Quem optou por ir nas primeiras horas da manhã conseguiu escapar do intenso calor de mais de 30 graus, registrado próximo ao meio dia.

Dona Hercila Piazza Daudt, de 84 anos, aproveitou a companhia de uma de suas filhas para visitar as sepulturas do esposo, falecido há sete anos, e da filha que desencarnou com um ano e três meses de idade, no distante ano de 1959. “O tempo é nosso aliado, mas não se esquece jamais. A dor da perda é como uma ferida, que cria uma casquinha, mas às vezes volta a doer. Nessa dor, o tempo é nosso aliado”, comenta.

Hercila ressalta que procura manter a tradição herdada do marido. “Meu esposo gostava de vir trazer flores, então a gente continua fazendo isso agora que ele não está mais aqui. Se ele está vendo ou não, a gente não sabe. Mas é bom pensar que ele fica feliz por isso”, acrescenta.

A aposentada Celícia Maria de Castro, de 80 anos, aproveitou a companhia das filhas, Estela Baroscketezky e Sílvia Castro, e da neta Anaia Castro, para cumprir sua programação nesta data. Primeiro, elas foram até o cemitério da localidade de Porto dos Pereira, onde estão sepultados 11 membros da família. Depois, seguiram unidas para “visitar” o filho de dona Celícia no Cemitério Municipal, onde foi sepultado no ano passado. “É mais fácil enfrentar essa dor quando a gente está unido. Aqui a gente recorda as coisas boas e ruins, uma dando apoio para outra”, diz a matriarca.

“Seguramos nossas dores para uma escorar a outra”, acrescenta Sílvia. A parceria da família começa antes do Dia de Finados. No sábado anterior a data elas limparam as sepulturas e que neste dia 2 receberam flores como forma de homenagem aos que não mais estão aqui.

 

A união entre as famílias não é vista apenas entre aqueles que possuem entes queridos no local. Em frente ao cemitério, pai, filhos e noras mantém viva uma tradição que começou há mais de 40 anos. Cláudio Volmir da Silva, 48 anos, conta que começou a vender flores, de brincadeira, aos oito anos. “Comecei numa brincadeira vendendo junto com o dono de uma floricultura e depois passei a vender pra ele. Logo minha família começou também e estamos aí até hoje”, conta satisfeito com o ofício.

A situação hoje em dia é bem diferente de alguns anos, mas nada que desmotive os floristas. Este ano eles trouxeram para venda 200 unidades de vasos a menos que em 2018, Nos últimos anos a redução total foi de 500 unidades. “Estamos mantendo o mesmo valor, mas não está fácil”, conta Cláudio.

Para agradar a todos os públicos a banca da família oferece flores naturais e artificiais. As chamadas “flores de verdade” ainda são as mais procuradas pelos consumidores. A venda das de plástico e tecido representa apenas 20% da procura dos clientes. Contudo, Iedo Júnior da Silva, 31, prepara os arranjos artificiais com a mesma dedicação que o avô, seu Iedo da Silva de 79 anos, e os demais membros de sua família têm para conquistar clientes e amigos, que fizeram com o passar dos anos. “Vendo flores desde que nasci. Eu nasci aqui”, diz Iedo Júnior quando questionado sobre a atividade.

Iedo avô observa a movimentação de seus descendentes sentado em frente a banca. Mesmo com problemas de locomoção, ele faz questão de estar presente nessa ocasião que também representa um encontro de família. E assim é o Dia de Finados, considerado por muitos como a data em que famílias se reúnem para demonstrações de amor e saudade, seja para com entes deste ou de outro plano.

 

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