Produtores e entusiastas do mel passaram por diversas estações que abordaram diferentes assuntos

Evento no Cetam contou com a presença de apicultores e meliponicultores de todo o Estado durante a quarta-feira

Claudete (E) destacou demanda pelos cursos de apicultura e meliponicultura observada no Centro de Treinamento de Agricultores de Montenegro

Tendo como foco a apicultura e a meliponicultura, o Dia de Campo promovido ontem pelo Centro de Treinamento de Agricultores de Montenegro (Cetam) contou com a participação de mais de 500 agricultores de todo o Estado. Não apenas produtores de mel marcaram presença no evento, mas também entusiastas desta cultura. Os participantes puderam passar por sete estações que abordavam desde a biodiversidade e abelhas, a instalação do apiário e o manejo de colmeias até o processamento do mel e a gestão da propriedade.

A coordenadora do Cetam, Claudete Klein, observou que os cursos que abordam a produção de mel são destaques do Centro. “Nós tínhamos programado três turmas para o ano de 2018, tivemos que aumentar para cinco”, contou sobre o curso de apicultura. Ela mostrou-se feliz ainda por muitos ex-alunos do Cetam terem aceito o convite para participar do momento.

Manoel Renato Gutierrez tem
na produção de mel um hobby

Entre os participantes do Dia do Campo estava Manoel Renato Gutierrez, 58 anos. Proprietário de um sítio na localidade de Vendinha, o aposentado conta com cinco caixas de abelha em sua propriedade. Apesar de produzir mel apenas para consumo próprio, Manoel entende que é necessário dominar as técnicas de manejo das colmeias e produção. Segundo ele, não importa se o produtor tem uma ou 100 caixas, quando há a oportunidade de adquirir mais conhecimento é preciso aproveitá-la. “Achei muito completo o evento. Oportunidades assim são importantes”, destacou.

O veterinário aposentado Euclides Scheid, 62 anos, foi outro que marcou presença no Dia de Campo. Vindo de Arroio do Meio, ele tem na produção de mel um de seus hobbies. “Estou aqui de curioso. Tenho caixas de abelhas e estou começando a trabalhar com as sem ferrão”, contou ele. Euclides salientou, ainda, a importância das abelhas para a manutenção de outras culturas e de sua ação fundamental para o equilíbrio do meio ambiente.

Foi a ciência da importância das abelhas para o meio ambiente e o desejo de conhecer novas espécies que levaram outro produtor ao Dia de Campo. O avicultor Idinei Disegna, 60 anos, veio de Encantado para acompanhar o evento em Montenegro e lembrou a importância de preservar as abelhas.

“Onde moro algumas espécies desapareceram, mas hoje já estão retornando”, comentou. Com produção de mel para consumo próprio, ele lembrou que no início ele e seu pais retiravam colmeias no mato e as colocavam em caixas. “Hoje já tenho mais técnica e sempre tem algo para aprender”, destacou, salientando a importância do Dia de Campo.

Participantes tiveram a oportunidade de conhecer diferentes espécies de abelhas

Apicultura x Meliponicultura
Durante o Dia de Campo, os produtores também puderam entrar em contato com a meliponicultura, que utiliza meliponíneos, conhecidos como abelhas sem ferrão, para a produção de mel. A apicultura é caracterizada pelo manejo das abelhas com ferrão, as chamadas apis. Instrutor do curso de meliponicultura do Cetam e extencionista rural do escritório de Bom Princípio da Emater-RS/Ascar, Johannes Humbertus Falcade explicou que os meliponíneos são originários das Américas, enquanto que as apis foram trazidas por imigrantes.

Meliponíneos são as conhecidas abelhas sem ferrão

“A principal diferença é que ela (a abelha meliponínea) não tem ferrão. Ela é mais dócil. Estamos no meio do nosso meliponário com todos os participantes juntos”, destacou. Johannes salientou ainda que essa fator faz com que seja possível cultivar caixas em locais como jardins de casas ou sacadas de prédios. Outra diferença é no tamanho das colmeias. Enquanto que até 90 mil abelhas com ferrão podem chegar a ocupar uma caixa, as famílias dos meliponíneos são menores. Segundo Johannes, algumas espécies das sem ferrão reúnem-se em apenas 50 abelhas.

Apesar de isso afetar a produção, o especialista não vê desvantagens. Conforme ele, uma colmeia de 10 mil abelhas sem ferrão da espécie jataí produz cerca de um quilo por ano. “É uma produção que, se tu for ver por abelha é maior que das apis, mas como é um enxame menor produz menos”, observou. A diferença está na qualidade. Segundo o instrutor, as abelhas sem ferrão buscam néctar e pólen em plantas nativas, incluindo chás, medicinais, aromáticas e temperos. “Elas visitam bastante essas plantas e trazem suas características para o mel delas”, diz.

Espaço conta com diversas espécies importantes para as abelhas

Bosque Apícola foi inaugurado
Durante o evento foi apresentada aos visitantes a nova atração do Cetam: o Bosque Apícola. No espaço estão diversas espécies de plantas que auxiliam as abelhas. “Por que a gente fez isso? Para que o apicultor e o meliponicultor saibam as plantas que eles devem ter lá na sua propriedade para que as abelhas consigam se alimentar e tirar o néctar e o pólen”, explicou Claudete, a idealizadora do projeto.

Conforme a coordenadora do Centro, a ideia de criar o bosque surgiu justamente da ampla demanda pelos cursos que envolvem a produção de mel e manejo de abelhas. Lá, todas as plantas estão identificadas com o nome científico e também como elas são conhecidas popularmente. “Esse bosque é um legado que eu quero deixar para o Centro de Treinamento. É uma bandeira que eu levantei desde que cheguei aqui e que hoje (ontem) estou concretizando”, celebrou Claudete.

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