Demora da concessionária em atender demanda da população causa revolta e perdas

Espera. Comunidades sofrem com demora de mais de 48 horas para atendimento e reparo por parte da concessionária

Algumas localidades de Pareci Novo sentiam ainda nesta quarta-feira os reflexos dos temporais das madrugadas de domingo e de segunda-feira. Os problemas iam desde localidades ainda sem energia elétrica à dificuldade de abastecimento de água na cidade, que é feita por poços artesianos. A situação causou revolta na população e também do Poder Público, que busca junto ao Ministério Público uma audiência com a concessionária.

Carlos estimou que prejuízo por ficar sem energia por mais de 48 horas seja de cerca de R$ 10 mil

Um dos atingidos pela falta de energia era o avicultor Carlos Alberto Stein, 53 anos. Ele possui uma granja de matrizes de aves de posturas em Despique que desde a madrugada de segunda-feira estava sem energia elétrica em razão da queda de cabos na estrada que vai até sua propriedade. Os seis aviários da propriedade que alojam 35 mil aves são automatizados e a falta de energia para manter a produção exigia muito esforço físico. “Desde segunda-feira já são mais de 14 mil quilos de ração espalhados no ‘braço’”, contou.

A falta de água na propriedade – que é abastecida por um poço artesiano próprio – foi driblada a partir de uma ligação com o poço que o avicultor possui em sua residência, onde há energia. Ele estimou que por dia são utilizados 20 mil litros de água para manter a granja. O que Carlos não conseguiu manejar foi a necessidade de as aves terem 16 horas de luz por dia para otimizar a produção. “Isso influencia na produção”, observou. A estimativa é de que ele tenha um prejuízo de cerca de R$ 10 mil.

Mercadista usou gerador para minimizar perdas pela falta de luz

“Se estivesse quente teria morrido muito ave”, destacou o avicultor, que não teve perdas por este motivo. Segundo ele, a falta de energia também afeta a climatização dos ovos que serão encaminhados para incubadoras. Para tentar reverter a situação, ele entrou em contato com a concessionária de energia por diversas vezes, mas não obteve retorno favorável. “Tenho desde 2008 a granja e esta é a primeira vez que fico mais de um dia sem energia”, lamentou. A situação faz o avicultor pensar em comprar um gerador.

Foi justamente graças a um gerador que a mercadista Andréia Cezina de Mello Klein, 42 anos, não teve prejuízo em seu mercado na localidade de Despique, que estava desde domingo sem luz. “Se não tivesse (um gerador) não saberia nem calcular o prejuízo. Perderia tudo”, ponderou. Com o equipamento ela conseguiu manter o comércio aberto para atender a comunidade local. Porém, seu marido ficou impossibilitado de trabalhar, já que o gerador era tocado pelo trator dele. Andréia ressaltou que tentou por diversas vezes contato com a RGE, seja por ligação o SMS, mas só obteve sucesso nas tentativas na manhã de terça-feira. O fornecimento de energia só foi restabelecido na manhã desta quarta-feira.

Falta de luz gera falta de água
Como em Pareci Novo o abastecimento de água é feito por poços artesianos, a falta de luz acarreta na falta de água nas comunidades que sofrem com os problemas na distribuição de energia elétrica. Na manhã desta quarta-feira, o poço que abastece o Centro da cidade seguia sem luz e a Administração Pública providenciou o fornecimento de água através de um desvio na rede da parte alta da Várzea do Pareci. A ideia era intercalar o abastecimento para não deixar a Várzea do Pareci sem água. Conforme o prefeito Oregino José Francisco, o Executivo também alugou dois geradores para colocar em dois poços artesianos no intuito de amenizar o problema da falta de água.

Sem energia, poços artesianos não operam e comunidades ficam sem água

A demora de atendimento por parte da RGE Sul também irritou o chefe do Executivo de Pareci Novo. Na manhã desta quarta-feira, Oregino foi ao Ministério Público em Montenegro como representante do Município e também da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc) para solicitar uma audiência com a empresa. Conforme o prefeito, algumas localidades já ficaram sem energia no sábado, com o abastecimento sendo restabelecidos apenas na terça-feira. “Só ontem vieram as primeiras equipes.

Fizemos uma série de protocolos desde domingo. A creche estava sem energia e a Prefeitura e o posto de saúde estavam parcialmente fornecidos”, colocou. Oregino criticou ainda a demora e insensibilidade da concessionária ao atender a população.

Questionada sobre a demora no atendimento, a RGE Sul informa que passou por três temporais consecutivos em sua área, desde a madrugada de domingo. “Hoje (quarta-feira), em Pareci Novo, a concessionária possui casos pontuais em atendimento”, disse a empresa, via assessoria de comunicação. A concessionária salienta ainda que durante os trabalhos a distribuidora prioriza as demandas relacionadas à saúde e segurança pública.

A RGE ressalta que a normalização do fornecimento de energia possui uma lógica sistêmica. “Ou seja, como a rede é composta por circuitos que abastecem os bairros segue-se delimitações técnicas e não os limites geográficos, dessa forma pode ocorrer de uma rua de determinada área já estar normalizada e outra, na mesma quadra, ainda não estar restabelecida”, esclarece a concessionária. Quanto à mudança da Estação Avançada que atende Pareci Novo, que passou de Montenegro para São Leopoldo, a empresa garante que em nada altera o trabalho executado pelas equipes da RGE Sul.

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