No vendaval de outubro, a equipe coordenada pela Defesa atuou em favor da comunidade

Além das tragédias. Não só em época de enchente, órgão atua na prevenção de acidentes e na minimização de danos às famílias afetadas

Elton José Santos da Silva é o coordenador da Defesa Civil desde 24 de outubro

Em tempo de desastres, como o grande vendaval de outubro do ano passado ou as – infelizmente – tradicionais enchentes anuais, muito se fala na Defesa Civil e em seu papel de auxiliar a população vitimada por essas ocorrências. Pouco se sabe, no entanto, quem compõe este órgão e o que ele faz no restante do ano, quando sua ação em tragédias não é necessitada.

A Defesa Civil nasceu, em Montenegro, no final de 2015. Antes dela, era a chefia de gabinete da Prefeitura que tentava agir em sentido parecido. Hoje, sua sede fica no Parque Centenário e ela tem como coordenador, desde outubro, Elton José Santos da Silva. Apesar do apoio pontual da Guarda Municipal, que é capacitada para ações e planos de Defesa Civil, é apenas o coordenador que atua no dia a dia do órgão. Quando há a necessidade, ele aciona uma equipe, composta por diferentes agentes da administração pública, para que atuem nas ações.

“Em Montenegro, a Defesa Civil é só eu. Todavia, quando é preciso uma mobilização para alguma coisa, eu transito em várias secretárias”, explica o coordenador. Nas situações de enchentes, por exemplo, a equipe coordenada por Elton é formada, de acordo com o plano oficial, por membros da Guarda Municipal, da Assessoria de Comunicação e das Secretarias Municipais de Saúde, Viação e Serviços Urbanos, Obras, Meio Ambiente, Habitação e Assistência Social.

Por fora do órgão, ainda auxiliam Brigada Militar e Corpo de Bombeiros na equipe formada, além de empresas privadas. Está para ser instituído, inclusive, um grupo no Whatsapp para acelerar essa união e coordenação nos momentos de necessidade, a partir de um “Plano de Ação de Ajuda Mútua”. Cada membro cumprirá um papel no plano, de acordo com sua área de atuação, sabendo no que deve agir quando alguma tragédia aconteça.

O papel da Defesa Civil, então, como frisa Elton, é o de coordenar e orientar as ações que tirem as pessoas das áreas de risco e as coloquem num local seguro, também trabalhando fortemente na prevenção. É preciso atenção, no entanto, para que não ocorra confusão entre o papel da Defesa e o de Assistência Social. Acontece, sim, de os dois órgãos trabalharem em conjunto, atuando com doações em situações específicas de tragédia. Fora disso, o apoio social à população se dá apenas por meio da Assistência.

Trabalho preventivo da Defesa é contínuo

Para construções em risco, como a da foto, a vistoria do órgão se faz necessária

O trabalho do coordenador Elton José Santos da Silva segue durante todo o ano. Apesar de não haver sempre situações pontuais onde se necessite ação, a Defesa Civil age fazendo orientações e análises de potenciais áreas de risco no município, realizando vistorias e emitindo pareceres. São locais que podem vir a desmoronar ou alagar, por exemplo.

Não são raras as solicitações de órgãos, como a Caixa ou o Ministério Público, que pedem este tipo de avaliação da Defesa. Nestas vistorias são feitos levantamentos fotográficos e a busca por possíveis soluções. Isso pode, inclusive, ser solicitado pelo cidadão comum que, por exemplo, acredite morar em uma possível zona de risco. O telefone da sede no Centenário é (51) 3632-4784.

Além disso, nos momentos de calmaria, o trabalho de prevenção ocorre com os orçamentos para compras de materiais e o desenvolvimento dos planos de ação. Caso seja necessário, há também uma integração com outros municípios, em uma troca recíproca. No ano passado, antes da atual coordenação ter assumido o posto, o município de São Jerônimo recebeu auxílio de Montenegro, com a doação de algumas roupas.

Efetividade na ação em tempo de enchente

No mapa online, os locais de monitoramento sinalizam em tempo real o risco de cheia

Com o auxílio tecnológico e os dados coletados, a remoção das famílias nas áreas de enchente se dá antes que a água chegue e, por isso, com mais facilidade. “Como a gente vai ter esse aviso com antecedência, se pode passar nas casas e informar. A pessoa vai decidir, então, se quer sair ou não”, explica Elton. São firmados dois pontos de abrigo no município, primeiramente no Ginásio Azulão, no Centenário, e, após, no Ginásio da Escola Cinco de Maio.

Em recente entrevista para o Jornal Ibiá, o membro da Guarda Municipal Ararê Zavarise de Moura – que atuou com a Defesa Civil nas últimas cheias – apontou que já existem 22 famílias “fixas”, que sempre ficam desabrigadas nestas situações. Além delas, muitas ficam desalojadas – termo que define as que não podem ficar em suas casas, mas tem outro lugar para ir, não necessitando o abrigo municipal. Trabalha-se, então, com o banco de doações para auxiliar as vítimas.

O coordenador da Defesa conta, ainda, que, dentro do “Plano de Ação de Ajuda Mútua”, realizará encontros nas associações de moradores dos bairros atingidos pelas cheias para reforçar o papel do órgão e dar algumas orientações. “Tem coisas que eles mesmos podem fazer para amenizar essa situação da cheia. Por exemplo, com a colocação de sacos de areia. Eles não vão impedir que a água entre dentro da casa, mas vão filtrar a água. Depois fica muito mais fácil de limpar”, exemplifica.

Sistema integrado entre Município, Estado e União
Recentemente, Elton foi certificado em uma capacitação sobre o sistema S2ID. Este é uma plataforma online onde é informado, para conhecimento nacional, qualquer tipo de sinistro que ocorra no município. É a partir dali, também, que se verifica a necessidade de ação da força da Defesa Civil de âmbito estadual ou federal, dependendo da gravidade verificada.

São os dados informados que levam aos decretos de situação de emergência ou de calamidade pública; e a liberação de recursos e planos de contingência e reparação. O S2ID é, também, a referência que a União tem sobre os locais e os históricos de tragédias. “Se choveu acima do normal, a gente já precisa fazer um relatório e cadastrar. Assim, eles vão ter mapeado o que está acontecendo”, explica o coordenador.

Dependendo do caso, uma situação de desastre pode contar somente com a força do município, do município e do estado ou, ainda, com as três forças, até a União – envolvendo inclusive as forças armadas. Em âmbito municipal, o Decreto de Situação de Emergência é comum nas tragédias, pois dá mais facilidade para as compras emergências, sem que elas precisem passar por processos de licitação.

Independentemente do tipo de apoio, após aberto, o relatório do S2ID tem dez dias para ser fechado. Nele constará uma vasta quantidade de dados com, inclusive, os prejuízos trazidos pela ocorrência. Empresas que não abriram, funcionários que ganharam sem trabalhar, escolas sem aula e gasolina gasta são exemplos do que precisa, obrigatoriamente, ser informado. Pelo tempo hábil, claro, muitas dessas informações são inseridas por estimativa.

Desafios na coordenação
Elton José Santos da Silva assumiu a Defesa Civil em 24 de outubro de 2017. Antes, ele foi policial militar por 29 anos – em grande parte, atuando em Montenegro. “É uma coisa que está me levando para novos desafios na minha carreira. Mas é interessante e acho muito gratificante. É importante ajudar as pessoas e de uma forma macro, para toda uma comunidade”, afirma.

Ele ressalta que não pretende fazer nenhuma mudança drástica em relação ao que era realizado pela antiga coordenação. “A mudança feita vai ser em gestão, para que as coisas aconteçam de forma eficaz. O importante é a prestação do serviço e se eu conseguir fazer isso bem, já estarei satisfeito”, pontua.

Melhorias à vista para a cidade
Recentemente, a Defesa Civil trabalhou em conjunto com dois engenheiros da Secretaria Municipal de Obras Públicas na elaboração de 14 pré-projetos de melhorias no município. O foco do trabalho é o recebimento de uma verba do Ministério do Desenvolvimento Social para as atividades da Defesa que, se aprovada, destinará cerca de R$ 5 milhões para a cidade.

Com melhorias em pontes, canalizações e limpeza de arroios, os pré-projetos foram para Brasília com informações básicas e, havendo a aprovação, voltarão para a elaboração do projeto, de fato, com informações de custo e demais detalhes pertinentes. O coordenador Elton acredita que isso ocorrerá em breve, ainda no início deste ano.

Tecnologia diminui danos
Outra frente de ação do órgão é o acompanhamento das questões climáticas durante o ano, principalmente no que se refere à possibilidade de enchentes. Integrada com diferentes tecnologias, a Defesa Civil pode acompanhar a situação para prever as cheias antes que elas ocorram e já agir com antecedência na remoção das pessoas que se encontrem em alguma área de risco.

Neste sentido, se trabalha com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e tem uma estrutura técnico-cientifica pensada para estes alertas. Também, a Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM), do Ministério de Minas e Energia, que faz classificações de dados geológicos e hidrológicos que são usados para análise.
Com portais disponíveis para acesso da população em geral, estes órgãos possibilitam que a Defesa Civil controle, por exemplo, o nível de água da Bacia do Rio Caí, a partir de réguas digitais instaladas em pontos chave ao longo do trecho. Em situação de alerta, um mapa com cada local de medida vai sinalizando a necessidade de verificação e a possibilidade de enchente. Começa, então, o preparo da equipe para a ação.

Além das ferramentas, uma recente visita do coordenador Elton na empresa Tanac buscou firmar uma parceria para, também, auxiliar no monitoramento. “A Tanac é importantíssima. Eles conseguem antecipar uma situação de cheia, às vezes com 48 horas de antecedência. A gente conversou e se comprometeu de nos ajudarmos mutuamente”, afirma o coordenador. A empresa deverá fazer parte do “Plano de Ação de Ajuda Mútua”, que ainda está em fase de construção para aprovação posterior.

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