Foto: Divulgação/SES

Diretor do Simers defende aplicação de testes no grupo sintomáticos e também em seus contatos

A pandemia da Covid-19 tem sua gravidade ampliada pelos fatores ‘expansão rápida e pouco conhecimento sobre o novo coronavírus’. Tendo somente a certeza que higiene, máscaras e distanciamento são fatores de desaceleração, os demais aspectos motivam debates divergentes; como a respeito da testagem em massa como alicerce para a flexibilização do isolamento.

Ao cidadão fica apenas a certeza de que deve ouvir unicamente a ciência, como a avaliação feita pelo médico cirurgião Guilherme Peterson. O entrevistado defende a ideia dos testes serem aplicados em um seguimento específico, evitando assim tirar dinheiro do que realmente é importante em uma pandemia, que é o tratamento daqueles com diagnóstico positivo.

A ideia que foi difundida é de testar o maior número de pessoas possível, mesmo aquelas que não manifestassem sintoma ou que tivessem convivido com doente. Essa seria a forma de monitorar a circulação do vírus e balizar as ações de governos, especialmente a respeito do funcionamento de comércio e serviços, ou até eventual declaração de ‘lockdown’.

Cirurgião Guilherme Peterson. Foto: Arquivo Pessoal

O diretor de Inovação e Tesoureiro do Sindicato Médico do RS (Simers) avalia que, se o estado brasileiro tivesse capacidade de disponibilizar, de fato, os testes seriam base de ações. Peterson explica que diagnósticos precoces facilitariam a identificação e o isolamento dos contaminados, assim como seus familiares e contatos. “Com tempo, se reduziria a progressão da doença”, avalia o médico.

Mas realidade do Brasil é outra
Um exemplo sempre lembrado é da Coreia do Sul, que colocou barraquinhas nas ruas para testar quem passava, e assim evitou (naquele momento) a disseminação descontrolada. Mas o médico gaúcho reconhece a realidade econômica incomparável entre as duas nações, certificada pelas ruas que revelaram que grande parte da população não pode simplesmente ficar sem trabalhar.

Guilherme Peterson reitera que, realmente, quanto mais pessoa se conseguir identificar que já tiveram contato com o vírus, mais cedo tudo pode reabrir. E hoje, segundo sua observação, a transmissão já estaria, basicamente, dentro da casa dos brasileiros. Assim, concorda que – caso fosse possível – a testagem em massa seria fundamental para identificar cedo os transmissores e programas estratégias.

Mas, na realidade brasileira, a opção mais inteligente então é direcionar os recursos ao fortalecimento dos serviços de saúde e suplementares, dando capacidade para agregar a demanda dos doentes de Covid-19 e evitar a superlotação. O diretor do Simers sugere diálogo entre gestores públicos e médicos para definir ‘custo e efetividade’, focando corretamente onde aplicar os parcos recursos.

Testes rápidos detectam em15 minutos presença de anticorpos ao coronavírus. Foto: Divulgação/SES

Nesta situação o foco devem ser os sintomaticos
Guilherme Peterson assinala inclusive que comprar milhares de doses de testes, que são muito caros, poderia se revelar pouco eficaz. O argumento é que uma pessoa testada hoje, supostamente de forma preventiva, pode ser infectada minutos depois. E ela apresentará sintomas após sete dias, período no qual circulou carregando o coronavírus. Isso justifica a aplicação em todos que apresentem algum dos sintomas, por menor que seja a manifestação; além de todos com quem tive contato.

Assim a flexibilização seria alicerçada no isolamento dos doentes confirmados; combinada com redução – ao máximo possível – do contato entre as pessoas, cuidados como higiene, uso de mascara, sem aglomeração e isolamento social. Inclusive, Peterson observa que a redução no horário e dias do comércio e serviços não é pratico, pois restringe as opções de circulação das pessoas, aumento a chance de se encontrarem.

Testes realizados

No Estado
Testes Rápidos distribuídos
348.460 9 (até 24/08)

Testes RT-PCR disponíveis

– Lacen – Laboratório Central de Saúde Pública
27.357 exames RT-PCR disponíveis (em 24/08)
44.576 exames realizados

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