A delegada Cleusa Spinato está no comando da DEAM desde sua inauguração, em dezembro de 2014

EM 2020, mais de 1.200 inquéritos de violência doméstica já foram instaurados

Nesta quinta-feira, dia 17, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Montenegro completa seis anos de atendimentos prestados aos 19 municípios que compõem o Vale do Caí e Triunfo. Em um ano atípico, no qual muitos casais tiveram de passar mais tempo juntos, devido à pandemia do novo coronavírus, os números da violência cresceram. De janeiro até 15 de dezembro, a Deam instaurou mais 1.200 inquéritos de situações de violência contra mulheres, fora os casos em que a vítima não quis levar o processo adiante.

Em 2019 foi inaugurada a Sala das Margaridas, ambiente reservado voltado ao atendimento às mulheres. Foto: Arquivo DEAM

Somente neste ano, a Deam registrou 472 casos de ameaças, 66 a mais que no ano passado (em 2019 foram 406). Vias de fato passou de 105 registros em 2019 para 127 em 2020. As ocorrências por perturbação da tranquilidade também aumentaram, de 84 para 90. Foram cinco tentativas de feminicídios, neste ano, frente a três de 2019.

Já os casos mais graves da violência doméstica mostram empate nos dados do período de comparação. Até o momento, 2020 tem um feminicídio consumado, mesmo registro de 2019. O número de estupros também se mantém igual, são 11 ocorrências.
A Deam, tem entre seus objetivos oferecer um atendimento diferenciado, que visa fortalecer às vítimas no difícil momento da denúncia. O trabalho da delegacia, liderado pela delegada Cleusa Spinato, também se destaca pelas ações preventivas, que realiza junto à Rede de Enfrentamento à Violência e aos conselhos municipais, como o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (Comdim).

Carliane Pinheiro, a Kaká, presidente do Comdim, destaca a importância da Deam para a região. Ela lembra que a maioria das cidades do Estado não conta com uma delegacia especializada em atender mulheres. Como resultado, grande parte das agredidas não se sente confortável para denunciar o caso.

A Deam conta com local adequado para receber vítimas de violência doméstica. Foto: Arquivo DEAM

2021: ano para intensificar ações preventivas
Trabalhar a prevenção a todos os tipos de violência contra às mulheres é um dos papeis desempenhados pela delegacia. Para tanto, a delegada Cleusa Spinato e sua equipe participam de palestras em escolas e rodas de conversas, para mulheres. Para a delegada, mudar o cenário da violência não é tarefa fácil, é preciso promover uma alteração cultural entre as novas gerações. Por isso, é importante o contato com os educandários e a abordagem do tema junto aos estudantes.

Ainda não se sabe como será o próximo ano, se a Covid-19 estará controlada e por quais caminhos a pandemia irá nos levar. Mas, uma coisa é certa, a delegada Cleusa quer intensificar as ações de orientação sobre prevenção. A ideia é fazer com que as mulheres não esperem “demais” para denunciar seu agressor. “O feminicídio é o final da violência contra a mulher. Ao longo do relacionamento, vários fatos vão ocorrendo e a mulher tem que perceber isso e denunciar”, diz a delegada.

Sem poder realizar eventos presenciais, em 2020 as lives serviram como canal de comunicação com a sociedade. Contudo, a intenção de Cleusa para o ano que vem é retomar os encontros, claro, se a pandemia permitir.
Muitas vezes a orientação dada por familiares e amigos, para que a mulher busque ajuda, não é suficiente para lhe indicar um caminho. Por isso é importante reforçar as orientações, explica a delegada. “Os casos de feminicídios se sucedem sempre nesta mesma forma, na qual a vítima não registrou nenhuma ocorrência, não procurou a proteção da lei. São raros os casos de feminicídios em que a vítima tinha medida protetiva em vigor”, comenta Cleusa.

Diferenciais da Deam Montenegro
A Deam de Montenegro é a única delegacia no Estado que atende de forma regional. “Se temos uma delegacia especializada, não tem por que deixar de atender os municípios que estão integrados aqui. A estrutura física da delegacia é excelente, a nossa dificuldade, como sempre, é o efetivo”, avalia a delegada.

Conforme a responsável pela Deam, em volume de trabalho a delegacia só fica atrás das unidades de Porto Alegre e Canoas, e isso por causa do quadro de servidores. O local conta com salas especiais para receber as vítimas de violência e também atende casos de maus-tratos a idosas e crianças.

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