Últimos reajustes da Petrobras tornaram o produto mais barato nas refinarias, mas não se viu tanto impacto nas bombas. O varejo, em sua maioria, seguiu com os preços “estabilizados”. FOTOS: REPRODUÇÃO/INTERNET

Bastante debatida, precificação do combustível já deu o que falar na Capital neste mês

O preço volátil da gasolina vem alertando os motoristas. É um sobe e desce frequente; e o recente caso da Zona Sul de Porto Alegre, quando vários estabelecimentos subiram o produto em quase R$ 0,50 nas bombas “de um dia para o outro”, chamou a atenção de quem consome e de quem controla esse consumo. Houve até movimento do Procon, que levantou as notas emitidas por estes postos para apurar uma eventual formação de cartel.

E o que o “Seu Bolso” desta semana questiona é o seguinte: é mesmo abusiva a precificação da nossa gasolina?

ENTENDENDO ALGUNS PONTOS…

Em um sistema de livre comércio como o nosso, usar um “preço abusivo” dificilmente funciona. O empresário tem a liberdade para definir a sua própria política de preços com base em suas condições de compra. E muito disso é definido pela oferta e a procura. Se alguém consegue cobrar um preço “x” e, mesmo assim, ter demanda de clientes que pagam o valor, fica difícil sustentar, do ponto de vista econômico, que tal preço é um abuso.

Quando o Procon pega as notas fiscais em Porto Alegre para analisar esse movimento de aumento dos postos, ele toca em um ponto bastante comentado aqui em Montenegro: a tal prática de cartel.

Esse é um fenômeno considerado “crime contra a ordem econômica” no país, sujeito até a pena de prisão. É quando duas ou mais empresas do mesmo ramo atuam em conjunto para controlar o mercado onde estão inseridas, combinando preços para eliminar a concorrência; e garantindo para si grandes fatias de lucro.

Nada do tipo foi confirmado na capital. Especula-se que o movimento do aumento tenha sido um reajuste feito para recuperar perdas anteriores, quando a gasolina chegava mais cara das distribuidoras e o preço praticado na bomba era abaixo do “confortável” aos empresários.

E também nada do tipo foi constatado em Montenegro, embora sejam muitas as manifestações de consumidores nas redes sociais que acusam os estabelecimentos de tal combinação. São vários comentários que generalizam a gasolina de Montenegro como a mais cara em comparação aos postos dos municípios vizinhos. Mas será que isso procede?


Levantamento do “Seu Bolso” realizado nesta terça-feira, 23, encontrou o preço médio da gasolina comum no Município por R$ 4,52. A aditivada chega aos R$ 4,63 (vide tabela). Ainda é alto, mas já esteve pior no mês de maio deste ano, quando a comum alcançou os R$ 4,80.

De fato, no mesmo dia do levantamento, se encontrava gasolina custando R$ 4,37 em Portão, valor mais barato do que em qualquer um dos postos montenegrinos. Do outro lado, em Triunfo, a média local se repetia, com o preço médio girando entre os R$ 4,50.

Mas é preciso levar em conta alguns fatores. A marca e a procedência da gasolina, evidentemente, são alguns deles. E há as questões de custo: se há ou não funcionários; se o posto é uma empresa familiar; se há algum acordo com as distribuidoras; se há a possibilidade de compras maiores; ou compras “casadas”. Isso só para citar alguns deles. Além de tudo, cada posto precisa estar atento a sua concorrência próxima, visto que, por centavos, já se perde o cliente.

“Quem quer se manter, tem que fazer as contas”, coloca a gerente administrativa de posto em Montenegro, Ivete Schreiber. “A gente trabalha pelo que é realidade. Tem que colocar no papel tudo o que tem de despesa; e precisa ter um valor absurdo para comprar uma carga simples. Se o posto é pequeno e não trabalha com a margem correta de custo, ele quebra”.

É o que tem acontecido. De acordo com o Sulpetro – sindicato que representa os postos de combustíveis gaúchos – 120 estabelecimentos fecharam no Rio Grande do Sul no ano passado. “Eles estão tentando sobreviver com as reduzidas e já baixíssimas margens de lucro”, aponta o presidente da entidade, João Carlos Dal’Aqua. “A revenda está atravessando um momento muito difícil, agonizando com o alto custo de operação e margens baixas.”

Entra o preço do combustível nas refinarias, que vem baixando nos últimos reajustes da Petrobras, mas, além deles, a carga de impostos. “A alta carga tributária, nacional e estadual, contribui decisivamente no processo todo. Somente na gasolina, são quase 50% de impostos que incidem sobre o preço do produto: são 17% de Cide, PIS/Pasep e Cofins, e outros 30% de ICMS. Além disso, o preço de pauta sobre o qual incide a alíquota de 30% de ICMS – a terceira maior do país – está em R$ 4,8369”, expõe Dal’Aqua.

O Sindicato reitera que os empresários são livres para fazerem seu preço; e defende que a variação de valores “conjunta” ocorrida em Porto Alegre deu-se pela simples relação de concorrência. “Como o mundo, hoje, é instantâneo e a troca de informações é imediata, isso permite que a concorrência avalie preços quase que em tempo real. O que vemos, atualmente, são comerciantes se balizando para competir com o vizinho”, acrescenta o presidente. Seria o que ocorreu na Zona Sul da capital.

 Como evitar a gasolina mais cara:

  • PESQUISE preços antes de abastecer;
  • Use as redes sociais, como os grupos de WhatsApp, para TROCAR INFORMAÇÕES sobre o melhor preço;
  • Conhece e confia no produto? Então PRIORIZE o estabelecimento que lhe ofereça o valor mais em conta. Isso deve chamar a atenção da concorrência;
  • Em caso de suspeita de más práticas, procure o PROCON. Em Montenegro, ele fica na rua Apolinário de Moraes, 1705. Atende pelo telefone: (51) 3632-3122

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