As delegacias de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais nasceram do Projeto da Força-Tarefa contra os Crimes Rurais e Abigeato, desenvolvido em 2017. As primeiras foram instaladas na região da Fronteira. Foto: Polícia Civil

Vale do Caí. Cartório especializado não agrada pecuaristas que reivindicam uma Delegacia

Ainda em setembro, Montenegro passará a contar com um Cartório Especializado em Crimes Rurais, junto à 1ª Delegacia de Polícia. Os trâmites legais para sua criação foram finalizados e a cerimônia de inauguração estava prevista para a sexta-feira da semana passada, dia 30. Todavia, foi adiada para contar com a presença da Chefe de Polícia, delegada Nadine Tagliari Farias Anflor, que na semana passada teve agenda na Expointer.

A medida adotada pela Polícia Civil do Estado quer lançar foco exclusivo sobre investigações de crimes no campo, em especial o abate e o furto de amimais. No Vale do Caí estas ocorrências têm se repetido, causando indignação e pedidos de socorro entre os pecuaristas. “Nosso pleito é antigo, desde 2016 a gente busca uma delegacia especializada”, enfatiza o presidente da Associação dos Pecuaristas do Vale do Caí (Apevale), Roberto Machado.

Os cartórios especializados já são realidade em diversas cidades gaúchas que não contam com Delegacias de Polícia Especializadas em Crimes Rurais e de Abigeato (Decrabs). Inclusive, o delegado André Lorbiecki Roese, novo responsável pela 1ª DP, paralelo ao comando da DPPA de Montenegro, aponta nesta direção. “Este é o embrião para no futuro ser instalada uma delegacia especializada aqui em Montenegro”, comenta.

Isso se justifica pelo fato desta estratégia de criar um cartório foi definida a partir da análise de registros feita pela Chefia da Polícia Civil do Estado, revelando preocupação com as crescentes ocorrências na região. O Cartório de Abigeato (como é chamado) terá um policial lotado. “Para se fazer uma repressão mais qualificada, para identificação, principalmente, dos crimes de Abigeato”, defende o delegado.

Apenas um Cartório não satisfaz criadores
Diante deste cenário de prejuízo e medo, Roberto Machado revela certa frustração. Ele lembra que o primeiro lote de delegacias foi para a região da Fronteira. Então foi criada a expectativa de que o segundo lote de criações assistisse Montenegro. “Mas fomos surpreendidos com essa notícia de que será apenas um cartório”.

O presidente assinala que a reivindicação do Vale já foi levada aos poderes Executivo e Legislativo do Estado, inclusive aos secretários de Segurança Pública que antecederam Ranolfo Vieira Júnior, que acumula a função com o cargo de vice-governador.

A situação no meio rural também preocupa outro criador de gado, que prefere não ter seu nome divulgado. Para ele, a implementação do Cartório ainda é pouco. “É necessário uma DP de crimes rurais aqui em Montenegro. Aqui tem mais população que em Cruz Alta, se lá receberam, aqui também deveria ter”, justifica.

André Lorbiecki Roese delegado da 1ª DP e DPPA de Montenegro. Foto:arquivo Jornal Ibiá

100 cabeças furtadas por anoO presidente da Associação dos Pecuaristas não cansa de chamar a atenção para o fato de o abigeato ter crescido substancialmente na área rural entre Triunfo e Montenegro. A informação é confirmada pelo ruralista Carlos Barreto, que cita 500 cabeças de gado furtadas nos últimos cinco anos.

Ele exemplificou com o caso de um produtor que perdeu quatro vacas de alta genética adquiridas na Expointer, avaliadas em R$ 200 mil. “Ocorre que as distâncias da região do Vale do Caí e de Triunfo são grandes. Falta iluminação no interior, câmeras de segurança”, analisa Barreto.

Ele reitera que seria mais positivo haver aqui uma DP rural, considerando que outras regiões, inclusive menores que esta, já foram contempladas. “No nosso entender não é uma medida (cartório) que venha a ser eficaz para o combate da criminalidade. Nós vamos continuar insistindo, pedindo para que seja instalada esta delegacia especializada”, finalizada Roberto Machado.

Preocupação foi debatida na Expointer
A pauta crimes rurais foi tema de entrevista coletiva na última quinta-feira, 29, na sede da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) dentro do Parque de Exposições Assis Brasil.

A chefe da Polícia Civil do Estado, delegada Nadine Tagliari Farias Anflor, destacou justamente o trabalho que vem sendo realizado pelas Delegacias de Polícia de Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato no intuito de reduzir os crimes.

Neste sentido, ela destacou o trabalho do delegado André de Matos Mendes, que é o coordenador destas Decrab’s, e dos policiais que atuam na repressão aos delitos desta natureza. Então destacou as inaugurações de uma DP especializada em Camaquã, no dia 16 de setembro, e do Cartório em Montenegro.

O vice-governador e secretário da Segurança Pública, delegado Ranolfo Vieira Júnior, também elogiou o empenho da Polícia Civil e da Brigada Militar nas ações de combate ao abigeato.

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