Elisabete e Edson na entrada da escola Polivalente, onde banner diz tudo: “Lugar de aluno é na escola com segurança. Rede elétrica já!”

Polivalente, fechado por falta de luz, foi uma das escolas visitadas

Desde o dia 11 de novembro, o Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) está realizando a Caravana por #ReposiçãoJá, para professores e funcionários das escolas públicas estaduais. Elisabete Vargas Pereira, diretora do 5° Núcleo do CPERS de Montenegro, explica que os dois pontos reivindicados pela caravana são a busca pela reposição salarial dos professores e funcionários e também a denúncia pelo sucateamento das escolas públicas estaduais e a existência de “ataques do governador Eduardo Leite à educação”.

Edson Garcia, 2º vice-presidente do CPERS estadual, destaca que a caravana é o olhar do CPERS para a realidade das escolas. “Sempre estivemos na luta como uma mola mestra para a batalha que fazemos para que tenhamos uma educação pública de qualidade que

Edson Garcia, Elisabete Vargas Pereira e Amauri da Rosa

possa realmente agregar a todos de forma ideal.” Amauri da Rosa, diretor central do CPERS estadual, explica que a proposta é uma visita, mas em teor de denúncia. “Queremos conversar com os professores e direção, saber das necessidades que enfrentam no dia a dia e visto a situação que passam, denunciar para toda a comunidade e mostrar para eles e para a imprensa que assim não tem como as escolas funcionarem”, diz.

Por isso, durante a manhã desta quarta-feira, 17, foi o dia de Montenegro receber representantes do sindicato de estadual e, juntamente do 5º Núcleo (o CPERS do município), realizar uma visita de vistoria em algumas escolas estaduais da cidade, já que muitas delas, segundo o sindicato, não têm condições nem mesmo estruturais para a volta presencial decretada pelo governador do RS. Este é o caso do Colégio Estadual Dr, Paulo Ribeiro Campos, o Polivalente, que está com 15 salas sem luz desde o ano passado devido aos cinco episódios de furto dos fios na instituição. As escolas visitadas foram, além do Polivalente, Tanac, São João Batista, Adelaide de Sá Brito e Delfina Diaz Ferraz. As demais também serão visitadas em data a agendar pelo CPERS.

Luis Carlos Hummes, diretor do Polivalente, afirma que a caravana tem grande importância para as instituições de ensino e o apoio é fundamental neste momento difícil pela qual a escola passa. “Nós estamos sem luz até hoje, reivindicando, pedindo ao governo do Estado providências, mas, infelizmente até o presente momento não temos uma resposta e nem uma previsão de reforma elétrica. Enquanto isso, nossos alunos estão em casa, tendo que ter aulas remotas, que a gente sabe muito bem que não satisfazem suas necessidades educacionais”, argumenta.

Diretor do Polivalente, Luis Carlos Hummes, mostra fiação da escola

Para ele, lutar pelo mínimo é triste. “É uma lástima a gente ter que estar lutando por uma condição mínima de trabalho que é a gente chegar à escola e ter luz para os nossos alunos”. O diretor se preocupa, já que agora a escola está em período de matrículas para o ano que vem e está nesta situação de incertezas. Ele ainda conta que de cerca de 700 alunos antes do problema da fiação elétrica, atualmente, mesmo que em casa, a instituição atende 600 estudantes, ou seja, o número já reduziu e sem uma posição poderá piorar.

“O Polivalente está há quase dois anos sem os recursos cabíveis. O nosso governo está deixando muito a desejar para nós. Até agora, que já visitamos diversas escolas do Estado, vimos que muitas outras instituições também têm problemas em banheiros, telhas, água, luz, vidros e janelas quebrados. Nosso governo diz que vai colocar 56 escolas como referência no Brasil. Quem olha para o nosso Estado vendo que tem escolas sucateadas?”, indaga Elisabete.

Edson Garcia afirma que o decreto do governo que impõe que todos os alunos estejam presencialmente nas escolas é considerado um grande problema. “Faltando basicamente 30 dias úteis para o fim do ano letivo, nós obrigarmos aqueles que estão fazendo aulas virtuais remotas por falta de emprego, doença ou outros motivos a estarem na escola fisicamente é um grande problema para muitas realidades”, destaca. As lideranças sindicais reclamam da infraestrutura inadequada, mas, também, dos cuidados contra a Covid-19, que ainda gera preocupação no país. “Além de toda a estrutura, muitas escolas não têm termômetro, ou até mesmo funcionário para medir a temperatura de alunos e profissionais e sim, só têm álcool ou algumas nem isso, não é o suficiente para toda a comunidade escolar. Algumas escolas nem ventilação adequada nas salas de aula têm”, ressalta.

Fechada, sala de aula é apenas uma das 15 que estão em ótimas condições de uso no Polivalente, mas sem luz

“Não estamos nos negando a retornar, nunca deixamos de trabalhar”

Para o vice-presidente estadual o problema não é a volta para a sala de aula, e sim a situação. “Nós, todos os profissionais da educação, sejam professores ou funcionários, nunca deixamos de trabalhar presencialmente. Não estamos nos negando a retornar, porque nunca deixamos de trabalhar. Esperamos ter uma resposta rápida”, finaliza Edson Garcia.
Ele pontua, ainda, que a caravana ocorre para dar ênfase também à campanha salarial dos profissionais da educação. “Nós estamos hoje com mais de 50% de defasagem salarial apenas inflacionária, que são perdas do primeiro mês do governo Sartori, em janeiro de 2015, até o presente momento. É muita irresponsabilidade um governo não olhar para a base de trabalhadores da educação que há sete anos não tem reajuste e reposição”, afirma. A diretora do 5º Núcleo conclama os educadores. “Estamos reivindicando nosso salário que está defasado há sete anos. Estamos atrás de valores que são nossos, e não mendigando. O dever do governo é colocar em dia o nosso salário. É importante salientar que não estamos pedindo aumento algum”, diz Elisabete.

Visita ao Polivalente com diretoria, professores e funcionários

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