IMAGEM ILUSTRATIVA: AEN/PR

A secretaria municipal de Saúde de São Sebastião do Caí começou nesta semana a testar para Covid-19 moradores do Município que trabalham nos frigoríficos Nicolini e JBS, em Garibaldi. Ao todo, 38 caienses estão empregados nessas empresas da Serra, onde houve surto do novo coronavírus.

“Estamos atentos e agimos rápido. Recebemos a lista com os nomes da 1ª Coordenadoria Regional de Saúde e já convocamos os funcionários. Hoje eles estão tendo suas amostras coletadas para os testes de PCR”, colocou o titular da pasta, Diomar Machado Flores, nesta segunda-feira, 4 de maio. Todos estão sendo orientados a ficar em isolamento por 14 dias.

Prefeitura de São Sebastião do Caí iniciou testagem nesta segunda-feira. Os testes foram obtidos através de convênio com a universidade Feevale. FOTO: SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO SEBASTIÃO DO CAÍ

O alerta para a situação dos dois frigoríficos veio a público após manifestação da prefeitura de São Leopoldo. Mais de 100 leopoldenses trabalham nas unidades da Serra e, destes, 66 testaram positivo para Covid-19, segundo o boletim atualizado na segunda-feira.

Ainda no sábado, dia 2, a Nicolini já tinha informado que, a partir desta semana, deixou de fazer o transporte de funcionários moradores de São Leopoldo e de São Sebastião do Caí. A medida vale até 17 de maio, com o afastamento dos colaboradores. Segundo a empresa, nas demais cidades em que o serviço é oferecido, os horários seguem normalmente.

Cerca de 30 montenegrinos também trabalham na Nicolini; e a Prefeitura de Montenegro vem agindo. Não está sendo feita a testagem, como é o caso do Caí, mas todos estes funcionários estão sendo contatados por telefone pela Vigilância Epidemiológica para o acompanhamento dos possíveis sintomas. Eles ainda seguem trabalhando.

Se juntam aos quase 40 moradores da cidade que já estão sendo monitorados no Município, sem serem testados. É o protocolo que está valendo por aqui. Conforme a secretária municipal de Saúde, em entrevista ao Ibiá na última quinta-feira, apenas se o paciente sintomático estiver piorando de sete a dez dias após o surgimento de sinais da Covid-19 que ele é encaminhado a um hospital e passa a ser tratado como suspeito, com a realização do teste.

Preocupação vem crescendo em todo o Estado

Essa preocupação com os frigoríficos do Rio Grande do Sul vem crescendo nos últimos dias. Uma planta da JBS em Passo Fundo chegou a ser interditada no mês passado, após surto da doença que atingiu quase 50 funcionários e familiares. Quatro colaboradores da unidade de Montenegro, inclusive, trabalharam por três dias no local antes da interdição; e foram colocados em isolamento pelo período de quatorze dias. Todos estão bem de saúde, segundo a Prefeitura, e sem a Covid-19.

Ontem, o Ministério Público do Estado também pediu que seja determinada a paralisação imediata dos frigoríficos da Companhia Minuano e da BRF SA, em Lajeado, pelos mesmos motivos. O fechamento vale por quinze dias; e ambas as empresas precisam apresentar planos de retomada com soluções efetivas de prevenção à disseminação do coronavírus.

O mais recente Boletim Epidemiológico da secretaria estadual de Saúde, emitido no dia 27 de abril, mostrou que há casos confirmados em frigoríficos, também, de Marau, Carlos Barbosa, Encantado e Tapejara. Até a semana passada, eram 124 funcionários do segmento com a Covid-19; e uma morte em razão da doença. Com todas essas unidades, 16,3 mil trabalhadores estariam expostos ao vírus.

Sobre o caso de Garibaldi, a JBS divulgou nota garantindo que está tomando todos os cuidados preconizados pelos órgãos de saúde; e colocando que conta também com “orientações da consultoria clínica do Hospital Albert Einstein e de médicos especializados em Infectologia”.

Em Montenegro, a secretaria municipal de Saúde visitou a planta local da empresa, que foi elogiada. “(Ela) vem monitorando e adequando suas instalações, seguindo todas as orientações do Ministério da Saúde para evitar surtos de Covid”, destacou a pasta, em nota. Em São Sebastião do Caí, a Prefeitura adiantou que tem reunião com a direção do frigorífico da Agrosul e também com a Conservas Oderich – principais empresas do Município – para avaliar as medidas de segurança em prática.

Portaria estadual prevê regras às unidades

  • Distanciamento mínimo entre funcionários, com recomendação de uso de barreiras físicas entre eles;
  • Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • Escalas e turnos de trabalho para evitar aglomerações na entra e saída dos expedientes;
  • Oportunizar trabalho remoto aos trabalhadores em grupos de risco;
  • Realizar busca ativa diária de pessoas com sintomas compatíveis com Covid-19;
  • Garantir o imediato afastamento dos trabalhadores com síndrome gripal e notificar esses casos imediatamente à Vigilância em Saúde do município;
  • Adotar ações educativas de divulgação e informação sobre as medidas de prevenção;
  • Disponibilizar sabonete líquido, toalha de papel e álcool gel 70% em diversos pontos;
  • Higienizar os ambientes e objetos com frequência;
  • Garantir a renovação do ar nos diferentes ambientes da indústria.
  • *O descumprimento da Portaria constitui infração sanitária, sujeitando o infrator a processo administrativo sanitário, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

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