Vereadores e representantes da Corsan se reuniram na Câmara Municipal

Medidas foram anunciadas durante reunião da Câmara. Gerente da agência local garantiu também que não há risco de contaminação da água

Após dois furtos na estação de bombeamento de água, em nove dias, a Companhia Rio-grandense de Saneamento (Corsan) reforçou a segurança no local. Durante reunião realizada na Câmara Municipal, na manhã da última sexta-feira, o gerente da estatal em Montenegro, Lutero Fracasso, afirmou que a tela que havia sido aberta foi substituída por uma grade de proteção de ferro com espessura maior e uma cerca de concertina (espiralada).

Nesta semana, será instalado um equipamento que, ao detectar a abertura do primeiro fusível, emite um alarme com som estridente, sistema que será monitorado por uma empresa local. As medidas foram explicadas durante a reunião, que ocorreu por iniciativa do vereador Tales Ferreira (PR). Na abertura do encontro, ele manifestou preocupação com os furtos e a falta de água, mas também com a insegurança que essas situações representam. Dessa forma, Tales questionou sobre a segurança da Estação de Tratamento de Água (ETA), e a possibilidade de alguém conseguir entrar e até mesmo contaminar água que abastece a cidade. “No momento em que o transformador é furtado duas vezes, a preocupação é com a segurança do reservatório. Se aparece um maluco e contamina a água?”, questiona.

Gerente da Corsan em Montenegro, Lutero Fracasso garante que não há riscos de contaminarem a água da ETA

Lutero garantiu que essa possibilidade não existe. Ele esclareceu que os furtos de transformadores ocorreram na estação de bombeamento de água, onde é feita a captação da água do Rio Caí, na ERS-240, para ser levada à Estação de Tratamento de Água (ETA 2), que fica na ERS-124, no trevo próximo ao antigo prédio da Antártica. “É preciso diferenciar as estações”, salienta. Embora próximas, elas não são juntas.

O gerente da Corsan esclarece que na ETA 2 há funcionários 24 horas, incluindo vigilantes das 19h às 7h. Neste local, a água é recebida, tratada e distribuída. “Qualquer tentativa de violar é vista pelos funcionários ou pela vigilância”, afirma Lutero. Ele frisou ainda as análises constantes realizadas na água. “A água não sai da ETA com problemas, é impossível envenenamento, porque (os funcionários) estão monitorando, toda a hora é feita a análise da água”, frisa.

A frequência das análises ocorre, em média, a cada 30 minutos. Lutero lembrou ainda que um veículo circula pela cidade coletando amostras de água nos pontos de consumos, entre os quais, as creches, por exemplo. “Qualquer situação irregular na água é detectada nas análises”, reforça. Ele afirma que a única forma de contaminar a água seria jogando algo no Rio Caí, mas, mesmo assim, o problema seria percebido nas análises da água.

Vereador suspeita de boicote à Corsan

O vereador Talis Ferreira estranha a ocorrência de dois furtos de transformadores e a frequência nos rompimentos de adutoras, provocando a falta de água na cidade. “Minha suspeita é que seja um boicote”, resume o vereador. “Por que? Eu não sei, mas vamos conversar com a polícia sobre isso”, afirma.

Suas suspeitas levam em consideração a forma como houve o furto dos transformadores. No último caso, na segunda-feira, 15, o furto ocorreu no transformador que faz a ligação de motores, alimentado por uma corrente com tensão de 22 mil wolts. Para isso, os criminosos desligaram uma chave que estava em poste com nove metros de altura. Durante a reunião, que teve também a participação dos vereadores Neri de Mello Pena (PTB), e Cristiano Von Rosenthal Braatz (MDB), além de representantes da Corsan, houve consenso de que os criminosos sabiam como furtar sem levar um choque elétrico.

Além disso, foi observado o ganho dos criminosos com a venda do cobre. A estimativa é que em um transformador tenha 400 quilos de cobre, que renderiam cerca de R$ 400,00. Foi observado ainda que o valor precisaria ser dividido, pois o trabalho demandaria pelos menos três pessoas. Diante disso, Tales observa que seria muito trabalho e risco para um baixo retorno financeiro. Sobre os rompimentos na canalização, o vereador questiona se a pressão poderia estar desregulada.

“Resisto a acreditar que seja um boicote”, declarou o gerente da Corsan, Lutero Francasso. Ele acrescenta que, por ter havido cinco rompimentos em oito dias, sendo três na virada de ano, houve vistoria nos sistemas e não foi constatada irregularidade ou mesmo erro involuntário.

Corsan planeja videomonitoramento nas estações

O administrador na Superintendência Regional da Corsan, Lucas Vargas Leães, esclareceu que está em elaboração um edital de licitação para instalação do serviço de videomonitoramento nas estações da Corsan, em todo o Estado. Ele observa, no entanto, que a tramitação burocrática do processo é demorada.  Enquanto isso, foram tomadas algumas medidas que reforçam a segurança dentro dos custos que não necessitam licitação.

Outra questão abordada durante a reunião foi a alternativa de implantação de um posto de vigilância armada nas instalações. Lucas esclareceu que essa medida também demandaria tempo, pois dependeria de um aditivo no contrato com a empresa que faz a segurança para a Corsan.

O gerente em Montenegro, Lutero Fracasso, observou ainda que, considerando o ocorrido no município, essa não seria a melhor alternativa. “Uma coisa é a vigilância armada em um local de circulação de pessoas, outra é a pessoa estar sozinha”, compara. Para ele, se houvesse um vigia armado, poderia ser rendido pelos criminosos e, inclusive, ser agredido e morto. Para ele, o videomonitoramente se mostra mais eficiente, mas ainda não há previsão para ser implantado.

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