Debate de quase duas horas entre gestores municipais definiu recomendações da Amvarc aos Municípios

Recomendação é que aulas sejam suspensas a partir de quinta-feira, dia 19

Numa assembleia extraordinária da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc) realizada na tarde de terça-feira, 17, no campus da Universidade de Caxias do Sul (UCS) em São Sebastião do Caí, prefeitos de toda a região elaboraram em conjunto determinações para a contenção da pandemia do novo coronavírus em suas cidades. A principal decisão foi sobre a suspensão das aulas na rede municipal. Após muito debate, a recomendação foi de se suspender as aulas durante 15 dias a partir desta quinta-feira, 19. Montenegro, Pareci Novo, São José do Sul e Brochier deverão publicar decretos nesse sentido. Maratá optou por realizar a suspensão das aulas na rede municipal de ensino a partir do dia 20, sexta-feira.

Presidente da Amvarc reforçou importância da atuação em conjuto

Entre as recomendações também estão a suspensão, a partir da terça-feira, dia 17, de eventos públicos municipais por um prazo de 30 dias e a suspensão de eventos privados pelo mesmo período, a critério dos organizadores. Outra recomendação é a de que sejam suspensas as férias dos servidores e funcionários da rede municipal de saúde a partir desta quarta-feira, 18, e que servidores públicos com mais de 60 anos poderão receber licença por interesse saúde.

Sobre o funcionamento das repartições públicas que atraem grande número de pessoas e marcação de consultas, a Amvarc recomenda que cabe ao Município definir a melhor estratégia, buscando reduzir a aglomeração de pessoas. Há, ainda, uma recomendação para que as sessões das Câmaras de Vereadores da região se deem a partir de transmissões on-line, sem público presente.

É recomendado, ainda, que o transporte e deslocamentos de servidores municipais de saúde dentro do Estado sejam mantidas conforme a necessidade, obedecendo todas as recomendações e cuidados com assepsia e proteção. Outra recomendação é de que cada Município amplie a campanha de cuidados que cada pessoa deve ter para evitar a contaminação com o novo coronavírus.

Empossado na reunião, o novo presidente da Amvarc, o prefeito de Harmonia, Carlos Alberto Fink, o Lico, destacou que as medidas não são obrigatórias, mas deverão ser respeitadas pelos gestores municipais do Vale do Caí. “É uma recomendação pela Amvarc, mas pelo que se viu a maioria dos Municípios vai seguir. Temos que fazer um trabalho em conjunto”, explicou. “A tendência é que todos os Municípios sigam essas ideias e que possamos trabalhar em conjunto para evitar o máximo possível que esse vírus se prolifere na nossa região”, reforçou.

Encontro ajudou a determinar papel de cada um dos atores na rede de saúde

HM reuniu secretários municipais de Saúde pra orientações
Na manhã de terça-feira, dia 17, o Hospital Montenegro (HM) promoveu uma reunião com orientações para secretários de Saúde dos 14 Municípios que têm a casa de saúde montenegrina como referência. Também participaram do encontro gestores dos hospitais São José, de Barão, Sagrada Família, de São Sebastião do Caí, Hospital São Salvador, de Salvador do Sul, Santa Rita, de Triunfo, a coordenadora de Saúde da 1ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Ana Maria Rodrigues, e a representante da Vigilância Epidemiológica do Estado, Rossana Maria Kowalski.

O diretor técnico do HM, Jean Ernandorena, explicou que o encontro serviu para organizar a rede de saúde desses Municípios que têm o Hospital Montenegro como referência se definindo qual é o papel do posto de saúde, o do pronto-atendimento, o da vigilância sanitária e o do HM durante a pandemia. “Você imagina como ia ser se todo mundo fosse para o mesmo lugar. Não teríamos recursos humanos e nem materiais para atender todo mundo”, resumiu.

Ernandorena salientou que a comunidade também tem que entender o seu papel e que se passará por um momento de turbulência. “A gente tem que saber que se isso (a pandemia do novo coronavírus) vai ser uma tempestade ou se vai ser uma chuva de Verão depende muito de cada um. Se as pessoas não tomarem cuidado e não tiverem precaução, vai ser muito ruim”, comentou. Ele reforçou, ainda, que ficar em isolamento social é muito importante para evitar a propagação do vírus.

A coordenadora de Saúde da 1ª CRS saudou a realização da reunião por parte do HM. Ana Maria salientou que o momento não é de pânico, mas de serenidade. “Precisamos ajudar as nossas equipes de saúde para chegarem a um hospital, efetivamente, os casos que precisam vir aos hospitais e adotar os protocolos de higiene pessoal, que são muito importantes”, salientou. Ela reforçou que no momento foi apresentado aos Municípios orientações sobre a campanha nacional de vacinação contra a gripe, que começa segunda-feira, dia 23.

Rosa Filho explica que não adianta suspender aulas se crianças se aglomerarem em pracinhas

Infectologista alerta para isolamento
“Se existe a ideia de fechar escolas para diminuir riscos para as crianças, que essas crianças fiquem em casa, que não vão se juntar no parquinho”. É com esse alerta que o médico infectologista do Hospital Montenegro, Antônio Carlos Rosa Filho, salientou a importância do isolamento social para conter o novo coronavírus. “Não adianta nada fechar escolas se as pessoas não tiveram consciência de que elas precisam ficar em casa. Principalmente pessoas de idade. Não saiam de casa”, reforçou.

O infectologista compreende que a suspensão das aulas causa um novo problema social: as pessoas que não terão onde deixar seus filhos. Ele indicou que os pequenos não sejam deixados com os avôs, por estes serem pessoas de mais idade e que possuem um alto índice de mortalidade em caso de doenças respiratórias, caso do novo coronavírus. “30% das crianças até 10 anos de idade podem ter uma infecção respiratória qualquer, incluindo o coronavírus assintomático, ou seja, não terão nada aparente e vão disseminar a doença por aí”, afirmou.

Rosa Filho destacou que as pessoas não podem, por não ter aula, se aglomerar numa pracinha ou num shopping. “Se é para fazer uma espécie de ‘autoquarentena’, vamos chamar assim, isso tem que ser eficaz em todos os aspectos, ou seja, as pessoas precisam ficar em casa e sair o mínimo possível”, orientou. “Fiquem em casa. É difícil e não é da cultura do brasileiro, mas vamos ter que aprender na marra porque, se não, o risco vai ser enorme”, complementou.

Deixe seu comentário