No bairro Olaria, o mercado do seu José Toledo teve o movimento bastante reduzido

Campanhas nas redes sociais têm estimulado apoio aos empreendimentos diante da pandemia

“Pequenos negócios correm muito risco com a Covid-19”. Assim inicia o texto compartilhado amplamente nas redes sociais não só por donos de pequenos empreendimentos, mas também por consumidores em geral que alertam sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia do país, principalmente nas pequenas e médias empresas.

“Um mês difícil pode ‘quebrar’ um negócio! Peça comida das pequenas lanchonetes. Compre no petshop da esquina e não das grandes redes. Vá na mercearia perto da sua casa e não na grande rede de supermercado”, prossegue o texto, compartilhado por milhares de pessoas. A grande repercussão não é por acaso.

Em poucas linhas, a publicação revela que além de atingir o setor da saúde, o atual cenário de enfrentamento a Covid-19 também atinge diferentes negócios e prejudica a economia global. Ainda, o texto destaca que grandes empresas, como McDonald’s, por exemplo, terão mais condições de se recuperar da crise do que pequenos e médios empreendimentos.

Para compreender a importância da campanha e apoio aos pequenos negócios, os números servem como apoio. De acordo com um levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em dezembro de 2019, o Brasil contava com 15,4 milhões de pequenos negócios, que respondem por 54% dos empregos formais no país. No bairro Olaria, o minimercado do seu José Toledo faz parte dessa estatística, onde emprega toda a família e afirma nunca ter enfrentado um cenário parecido. “Por causa da pandemia, as pessoas quase não estão saindo e, assim, deixam de comprar”, disse o comerciante.

Junto com as preocupações com a saúde, a pandemia da Covid-19 trouxe muitas incertezas para os negócios e uma queda na atividade comercial. Enquanto as bolsas despencam e o dólar dispara, elevando os custos com matérias-primas e equipamentos, nos comércios de bairros e microempreendimentos a preocupação é como manter os clientes. “A gente já trabalhava com tele entrega, e isso tem ajudado bastante”, comenta Toledo, acrescendo que o estabelecimento teve redução no horário de atendimento.

Conforme o Sebrae, a construção civil, alimentação fora do lar, moda e varejo tradicional são alguns dos setores mais impactados pela pandemia do Covid-19 no Brasil. Com um pequeno empreendimento no setor alimentício, o montenegrino LauGraef conta como a pandemia interferiu nos negócios que tem em conjunto com a sócia MayanaMertins. “Antes da crise do novo coronavírus, estávamos servindo almoço vegano no Vitrola uma vez por semana, além disso, levávamos produtos para feiras e eventos”, explica Graef.

“Obviamente tivemos que parar com os almoços e eventos, além disso, temos que evitar o contato, o que nos impossibilita de cozinhe juntos. Então, mais do que uma diminuição nas vendas ou algo assim, acabamos tendo nosso negócio impossibilitado mesmo”, lamenta o montenegrino, que encontrou outras formas continuar trabalhando com produtos a pronta entrega.

Campanha circula nas redes sociais

Compre do pequeno e mantenha a economia girando
Uma das principais maneiras de fomentar os pequenos negócios em época de coronavírus é adicionar (e principalmente manter) os itens de produtores ou lojas locais na lista de compras. Mesmo com o fechamento dos estabelecimentos, muitos continuam atendendo a pedidos por delivery ou para retirada no local (tele-busca). Essa foi a forma que a montenegrina Fernanda Hilgert encontrou para enfrentar a crise, já que a cantina onde trabalhava com a mãe foi fechada por conta da pandemia, inviabilizando os negócios da família.

“A gente continua fazendo nossos almoços que funcionava na cantina da Fundarte, tanto para comer lá quanto para entrega na região central da cidade em marmitas. Sem a opção de comer no local, estamos fazendo pães caseiros, bolos, maionese e tudo que já era vendido antes para driblar essa crise”, comenta Fernanda. “Por isso pedimos para que cada vez mais as pessoas comprem dos pequenos, porque são esses que mais irão sofrer com esse cenário”, completou.

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