O desgosto com a compra foi tamanho que seu Afonso Antunes da Silva nem mesmo tirou os produtos da embalagem após ter sido vítima de estelionato

BARATO saiu caro. Sem saber, cidadão foi lesado em R$ 2 mil ao adquirir lençóis e edredom vendidos na porta de casa

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. E o barato, muitas vezes, sai caro. Essas duas frases definem bem a enrascada na qual o aposentado Afonso Antunes da Silva, de 79 anos, acabou envolvido. Ao realizar uma compra de produtos de cama, lençóis e edredom, ele acabou pagando cinco vezes mais do que o valor acordado com os vendedores. De R$ 400,00, o valor passou para R$ 2.400 mil. Sentindo-se enganado, seu Afonso procurou o Procon e registrou boletim de ocorrência na delegacia de Polícia Civil.

Afonso estava em casa, na rua Otaviano Moojen, no bairro Industrial, em Montenegro, quando um casal apareceu na frente do imóvel oferecendo jogos de lençóis e um edredom. O aposentado disse que não tinha interesse, mas a insistência da dupla prendeu a atenção do cidadão. A filha dele se aproximou e acompanhou a negociação. Inicialmente, um jogo de lençóis foi oferecido pelo valor de R$ 120,00. Afonso continuou dizendo que não queria, mas novas propostas foram feitas.

O preço foi reduzido para R$ 100,00 e depois para R$ 80,00. O vendedor argumentava que eram as últimas peças e queria muito fazer negócio. O dono da casa disse que não tinha dinheiro e foi então que, sem perceber, caiu em um golpe. “O homem disse que aceitava qualquer cartão. Quando eu disse que tinha, só faltou ele pular no meu bolso pra tirar”, conta o consumidor.

A última proposta se tornou tentadora. Foram oferecidos sete jogos de lençóis e um edredom pelo custo de R$ 400,00. Afonso continuou com receio do negócio, mas a filha achou que seria uma boa compra, e ele acabou aceitando. “Eu pensei em comprar e talvez até revender. Mas agora tá ali, nem mexi mais nessas coisas”, conta Afonso.

O problema se deu durante a operação com o cartão de crédito. O vendedor disse que o primeiro registro da venda havia falhado. Mas, na verdade, a transação foi efetuada, e num valor diferente do combinado. O lançamento foi de R$ 2 mil. A filha de seu Afonso foi quem digitou a senha do pai e ela afirma que não viu o valor registrado na máquina. O vendedor repetiu a operação, desta vez como combinado: cinco parcelas de R$ 80,00, o que dá o total dos R$ 400,00.

Seu Afonso e a filha só se deram conta do que havia acontecido quando chegou a fatura do cartão de crédito. Nela havia o lançamento de R$ 2 mil mais os R$ 400,00. Apavorado, ele procurou o órgão de defesa do consumidor do Município e foi orientado a registrar boletim de ocorrência. “Quando eu vi, tava roubado. Eu não queria, não tinha necessidade de fazer negócio com eles. Eu me senti completamente enganado”, desabafa o consumidor.

O que diz o Procon sobre o caso
Várias falhas envolvem a venda da mercadoria adquirida por seu Afonso, afirma o secretário executivo do Procon, Fábio Júnior Barbosa. Não há nota fiscal dos produtos, tampouco qualquer informação que identifique a empresa que forneceu os itens para serem vendidos. O Procon abriu um procedimento, através da empresa de cartão de crédito do consumidor, para chegar à razão social do comércio. “O pessoal da operadora de cartões nos informou quem é a empresa e nós vamos fazer uma averiguação, na sequência”, relata Fábio.

Conforme o secretário-executivo, o crime de Estelionato se caracteriza pelo fato do cliente ter pago R$ 2 mil por mercadorias que não recebeu, e sequer foi informado sobre a transação. “Eles entregaram o produto referente às cinco parcelas de R$ 80,00. Não deram o comprovante para a pessoa, ela não tem como saber o que foi passado e só descobriu quase um mês depois”, explica o representante do Procon Municipal. “Se o consumidor quisesse devolver o produto, poderia porque houve um erro maior”, acrescenta.

Fábio acredita que o estorno dos R$ 2 mil deva aparecer na próxima fatura do consumidor. Contudo, orienta principalmente a população idosa, para que fique atenta a qualquer operação que envolva dinheiro ou cartões de débito e crédito. “Às vezes, as pessoas nem percebem. Aqui é de se perceber porque são R$ 2 mil, mas imagina se fossem R$ 50,00? É uma pessoa de idade, não ia nem se dar conta”, afirma Fábio.

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