HM é um hospital geral e as especialidades médicas não são de sua missão

A partir de 1º de setembro, o Hospital Montenegro (HM) não fará mais consultas da especialidade médica Oftalmologia (medicina da visão). O diretor da instituição, Carlos Baptista, explica que essa é uma decisão do Governo do Estado enquanto responsável pela gestão da saúde pública. O Hospital, como prestador de serviços, apenas cumpre. As consultas e tratamentos para cidadãos do Vale do Caí serão realizados em Portão.

Baptista assinala que Estado só corta recurso e dificulta manter especialidades

Baptista pede que a população entenda que a política pública não é feita pelas casas de saúde. Elas apenas cumprem o contrato de convênio, no qual o Governo determina quais serviços serão prestados pelo parceiro. Já a instituição diz se pode ou não prestar aquele atendimento. Neste caso, a instituição de Montenegro podia atender, mas com limitações técnicas.

Seu serviço médico limitava-se a consultas, avaliação de internados, cirurgias eletivas e pós-operatório. Caso o paciente apresentasse um caso mais grave, como glaucoma, do mesmo jeito acaba sendo encaminhado – via Secretaria Municipal de Saúde – para tratamento em outra cidade. Diante disso, o Estado resolveu transferir essa especialidade para um hospital mais bem estruturado.

A casa de saúde de Portão acaba de firmar parceria com a clínica São Pietro Saúde que está montando um bem estruturado centro de oftalmologia dentro do hospital, capaz de oferecer um tratamento completo. “Em um único lugar, o paciente terá toda a linha de cuidado, do começo ao fim”, explica Baptista. Ele admite que o HM não pode oferecer esse nível de atendimento devido as suas limitações técnicas.

Esse é terceiro corte do Estado em um ano
Carlos Baptista concorda que ter especialidades no município é positivo, especialmente ao cidadão que não precisa viajar. Também ao hospital, pois permite um diagnóstico antecipado, evitando a entrada de um quadro mais grave pela Emergência do próprio HM. Todavia, qualquer iniciativa pede aporte de recursos que hoje são escassos na instituição.

Mesmo um atendimento básico, como o teste de visão para uso de óculos, representa investimento; sendo que cada vez mais o Estado tira dinheiro dos hospitais. “Nós só tivemos corte. Esse governo, por exemplo, ele só cortou. Ele cortou metas quando não pagava, ele cortou em março de 2017 R$ 400 mil do nosso contrato”, declarou.

Baptista recorda ainda que em junho deste ano aconteceu  outro corte de R$ 35 mil quando da renovação do convênio. A luta agora é para garantir que os R$ 25 mil da Oftalmologia sejam mantidos no convênio. O argumento da direção do HM é que pretende redireciona-los ao ambulatório de Urologia (trato do sistema urinário). Leia mais no Ibiá desta sexta-feira.

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