Maxcidreia mostra o local onde, durante a enxurrada, a água chegava na altura de sua cintura

Com sistema de drenagem ineficaz, águas que caem no pátio de obras vão direto para as residências vizinhas

A chuva da noite de segunda-feira trouxe transtornos para alguns moradores da rua dos Imigrantes, no bairro Senai. Cerca de 15 pátios acabaram alagados. Em alguns, a água chegou a invadir as casas, estragando móveis. Toda a situação se deve à construção de um condomínio do programa “Minha Casa, Minha Vida” em um terreno nos fundos das residências. O sentimento dos moradores é de indignação.

O grande campo dos fundos, antes das obras, tinha o terreno mais baixo que as casas da rua, permitindo o escoamento da água da chuva. Os trabalhos do condomínio iniciaram em meados de agosto, com o aterro levantando o solo em cerca de um metro e meio, já acima das moradias. Um corredor se formou entre os fundos das casas e a fundação da construção. Com um sistema de drenagem inadequado, toda a água, quando chove forte, corre por esse corredor. Sem ter por onde ir, ela acaba nos pátios.

Já é a segunda vez que os alagamentos ocorrem. Na segunda-feira, foi a casa da cabeleireira Maxcidreia da Rosa que foi mais atingida. No corredor entre sua residência e a do vizinho, a água chegava na altura da cintura. Um dos cães da família precisou ser resgatado ou morreria afogado. Em um dos cômodos da casa, os tijolos começaram a rachar, enquanto a água brotava para dentro pelos frisos formados e até por debaixo do piso que, hoje, em muitos pontos, está oco devido à erosão.

“O meu marido tava vendo TV com meus filhos na hora e eu tava no quarto. A minha filha que foi na janela e viu o que tava acontecendo. Só deu tempo de correr pra levantar tudo o que dava dentro de casa”, relembra. Alguns dos roupeiros da casa, recém comprados, foram danificados pela água. Os três filhos foram levados para a mãe de Maxcidreia até a organização do lar. Com a chuva que está por vir, ela e o marido ainda mantém todos os pertences erguidos para evitar maiores perdas. O medo que a parede rachada venha a desabar e leve a casa abaixo não sai da mente do casal.

“Tu trabalha a vida toda para conseguir alguma coisa, aí vem um e destrói tudo?”, lamenta a moradora. Na hora do alagamento, os vizinhos acionaram o vereador Talis Ferreira (PR), que foi até o local verificar a situação e comprometeu-se a cobrar providências. O vereador conseguiu uma advogada para os moradores, na busca por uma organização para cobrar providências e ter os prejuízos ressarcidos.

Os vizinhos contam que, desde o começo dos trabalhos, já tentaram alertar a empreiteira responsável pela obra quanto às falhas na drenagem e foram avisados que, como a Prefeitura de Montenegro teria autorizado o projeto, tudo seria feito daquela forma mesmo.

Em todos os lares, paredes racharam devido ao trabalho das máquinas

Casas têm paredes rachadas devido a obras
Não só a questão da água que traz dor de cabeça aos moradores vizinhos à construção do condomínio. Muitas das residências estão com rachaduras nas paredes devido ao trabalho das máquinas na obra. É temor de muitos moradores que a estrutura de seus lares tenha sido abalada em função da movimentação das máquinas.

Na casa da família do operador de empilhadeira Marcos Ercílio de Oliveira existem rachaduras em pelo menos seis pontos. Ele conta que, enquanto os pesados equipamentos trabalhavam na construção, as paredes chegavam a tremer e balançar. As máquinas eram utilizadas para a colocação de pedras e a terraplenagem. Por vezes, funcionavam há apenas um metro de sua janela. Nos vizinhos, o problema se repete.

Moradores ficam à espera por soluções
Ainda está para ser construído um muro entre a obra e as residências, fato que deve potencializar ainda mais o problema de escoamento das águas. Na manhã de ontem, os moradores se uniram para mostrar à reportagem do Jornal Ibiá os problemas ocasionados. Ao passarem para os fundos das casas, apontando os locais de entrada da chuva, chegaram a ser ameaçados por quem trabalhava na construção de que a polícia seria acionada para a sua remoção do pátio de obras.

Contatado, o diretor de Fiscalização de Obras e Posturas da Prefeitura de Montenegro, Jackson Santos de Oliveira, afirmou que o projeto apresentado pela construtora foi, de fato, aprovado pelo Município, atendendo a todas as regras estipuladas.

Após ter ciência da situação dos alagamentos, ele chamou o responsável técnico pela obra. Ambos irão até o local, ainda nesta manhã, para analisar a situação e buscar soluções.

Construtora afirma que tomará providências

MORADORES demonstram situação da construção, que não permite a vazão da água

A empresa ALM Engenharia, de Venâncio Aires, é a responsável pela construção do condomínio. De acordo com o supervisor administrativo da empresa, Leandro Pitsch, serão tomadas as devidas providências o mais breve possível. “Não queremos prejudicar ninguém, de forma nenhuma. Aqueles são nossos vizinhos”, coloca. Leandro explica que o sistema de drenagem atual, feito com pedras, é normal para a fase inicial da obra, com a posterior construção de um sistema de captação definitivo que dê escoamento à água.

Sabendo da ocorrência dos alagamentos, ele se comprometeu a adiantar a construção desse melhor sistema, que originalmente seria feito em uma etapa posterior dos trabalhos. “Faremos uma ação imediata para evitar qualquer constrangimento ou prejuízo”, comenta. O supervisor afirma que serão sanados os prejuízos trazidos aos moradores da obra e reitera que o interesse da construtora é somar ao município e não trazer nenhum tipo de problema.

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