Recentemente, Montenegro e região foram atingidos por cheias que geraram prejuízos para muitas famílias. Quando se fala em enchente, logo se pensa em um alto volume de chuvas. De fato, choveu muito no Estado na primeira quinzena de julho. No entanto, o descarte irregular de lixo é um dos principais causadores das inundações. Boa parte da população sequer se preocupa com as consequências que um papel de bala jogado no chão pode resultar, mas o impacto é significativo para o meio ambiente.

Algumas famílias perderam tudo na enchente recente. Em algumas residências, além do lixo e do lodo arrastado pela água para os pátios, muitos animais peçonhentos apareceram. “Os bichos ‘pegam carona’ nesse material flutuante e acabam indo para as residências. É um êxodo de animais peçonhentos, as casas ficam tomadas, um horror”, frisa Adriano Chagas, secretário municipal de Meio Ambiente.

O secretário observa que muitas pessoas acreditam que o lixo é um material que desaparece em pouco tempo. Contudo, a realidade é bem diferente. “Em determinado momento, o lixo retorna para cobrar o quanto a pessoa foi irresponsável. E esse pagamento é caro, em forma de enchente. Essas canalizações pluviais que temos na rua direcionam os resíduos para esses corpos hídricos. E em determinado momento, esse corpo hídrico, com esse material que é arrastado pela chuva, acaba gerando o represamento”, explica.

O município não possui um mecanismo de quantificação da quantidade de lixo descartada pela população. Apesar de não ser mensurável, o impacto desse descarte incorreto ao meio ambiente é notório. “Sabemos que é muito impactante, porque a maioria das enchentes ocorrem pelo entupimento das bocas de lobo, tudo em função do lixo. Não temos uma varrição regular de via pública. Isso acaba contribuindo para que haja um represamento das águas pluviais”, acrescenta Adriano.

A cheia do rio traz todo o resíduo coletado e armazenado no corpo hídrico que fica nas margens. O secretário de Meio Ambiente define como um ‘ciclo de problemas’ o lixo descartado incorretamente pelas pessoas. “(o lixo) É o principal causador das enchentes, e não necessariamente a chuva. O problema maior é a não infiltração da chuva no meio urbano. A chuva tem que infiltrar para que ela possa voltar ao aquífero. A nossa preocupação é garantir que a água da chuva infiltre na zona urbana”, declara.

A conscientização começa em casa
Os bueiros entopem cada vez mais na cidade. Para evitar esse problema, Adriano Chagas pede para a população se conscientize e pense no próximo. “A gente não tem muito controle, pois acaba se tornando um círculo vicioso. É uma conscientização individual de cada cidadão, um direito de cidadania que cada um tem que exercer. As pessoas precisam ter entendimento dos graves problemas ocasionados pelo descarte incorreto de lixo”, pontua.

Na Secretaria Municipal de Habitação, equipes da Prefeitura trabalham para fazer o controle de prevenção antes que a água e o lodo invadam as casas. Na última semana, a Administração Municipal recebeu a doação de produtos de limpeza para serem distribuídos às famílias atingidas. A dona de casa Mara dos Santos relata os problemas causados pela enchente que atingiu a região há duas semanas. “Essa cheia deixou um lodo dentro de casa, ficou um cheiro muito ruim. Algumas garrafinhas que foram jogadas na rua pelas pessoas ficaram no meu pátio quando a água baixou”, lamenta.

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