Foto: Reprodução da internet

Não importa tamanho, cor ou local onde esteja exposta. O valor de uma obra de arte pode ser determinado por uma série de detalhes e motivos que não seguem um rito específico. Mona Lisa, o quadro mais valioso e famoso do mundo, já foi cotado em 5,5 bilhões. Este valor pode ter sido fruto de toda a história que envolve a obra durante estes 515 anos de existência.

No entanto, atualmente, não há outra obra que seja tão comentada como “Menina com Balão”, do artista de rua britânico, Banksy. Uma menina tentando alcançar um balão, vermelho, em formato de coração, foi grafitada no muro de uma loja localizada em Londres, em 2002. Porém, foi somente uma década depois, que um cartão com a pintura da imagem foi vendido por cerca de 73 mil euros.

Assim que o quadro da Menina e o Balão foi vendido, obra começou e ser destruída por dispositivo que falhou antes de concluir o trabalho.Foto: Reprodução da internet

No ano passado, a “Menina com o Balão” foi eleita a obra favorita dos ingleses. Um ano depois, em 5 de outubro de 2018, um quadro com o desenho do artista Banksy foi leiloado por R$ 5 milhões (1,04 milhão de libras). O que ninguém esperava é que ao ser confirmada a venda um triturador de papel, escondido dentro da moldura do quadro, seria ativado e destruiria metade da pintura.

Grafite foi feito por Banksy no muro de uma loja, em Londres, em 2002.Foto: Reprodução da internet

O artista explicou em um vídeo, no dia seguinte ao fato, que a intenção era autodestruir a obra e citou uma frase do pintor espanhol Pablo Picasso: “A necessidade de destruir é também uma necessidade criativa”. Porém, um erro fez com que a destruição completa do desenho não fosse concluía.
A partir disso, a casa de leilões Sotheby’s lançou um comunicado dizendo que a performance do artista britânico se transformou, em um instante, em história da arte mundial. “É a primeira vez que um novo trabalho artístico é criado durante um leilão”, completou a casa. De acordo com a imprensa do Reino Unido, a obra pode dobrar de valor graças à relevância de sua destruição.

Todos esses fatos possuem algum tipo de explicação dentro do mundo da arte. No entanto, pouca gente entende como o valor de uma obra é estimado e quais os fatores que influenciam nisso. Além disso, não é somente o valor financeiro, mas o valor artístico apresentado.

Lucas aponta o sistema da arte como definidor de valor financeiro da obra .Foto: Arquivo Pessoal

Sistema da arte pode definir valor
Formado em Artes Visuais pela Uergs Montenegro e Mestre em Educação e Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UNB), Lucas Pacheco Brum, 29 anos, explica que as obras de Bansky possuem crítica social, questionando até a própria sociedade.

De acordo com Brum, um trabalho artístico, independente de feio ou bonito, para ter valor financeiro alto, precisa entrar no sistema da arte. “A obra deve estar em exposições, ser avaliada pela crítica, comentada por historiadores e ter merchandising. Isso pode gerar um bom preço”, diz.

Porém, a maioria dos artistas do mundo entra neste sistema após a morte. “A arte é criada para a produção de pensamento, questionamento. Ela não é criada com a finalidade de uso”, aponta. Outros detalhes que fazem o trabalho ganhar apreço podem ser definidos quando cai no gosto do público.

Brum destaca que a área artística é uma praia movediça. “Um acontecimento inesperado pode tornar um feito valioso. A arte acompanha e é próxima do momento trivial que a gente vive, tendo como principal função falar de questões da atualidade em que vivemos”, diz.

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