O comércio de máquinas agrícolas no Vale do Caí já observa uma retomada positiva nas vendas. Os índices de crescimento, entre 15% e 40% no primeiro semestre deste ano superam, inclusive, a média nacional de 10%. Todavia, é preciso ter claro que o cálculo é feito sobre uma retração violenta durante a crise entre 2016 e 2017. A esperança de melhoras nos próximos seis meses está alicerçada na queda de juros do financiamento Mais Alimentos e na Expointer, que inicia sábado.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor observou um primeiro semestre com vendas aquecidas, especialmente no Centro-Oeste do Brasil, com montadoras relatando melhorias acima de 10%. Entretanto, aqui no Sul, não foi verificada a mesma performance, com relatos de quedas e indicadores muito parecidos com os do ano passado.

No cômputo geral, a estimativa dos técnicos na Abimaq é de que houve um incremento em torno de 8% nos negócios deste semestre, em relação ao ano passado. E tranquilizam ao informar que o segundo semestre normalmente é mais aquecido, sendo que a entidade trabalha com estimativa de fechar o ano com faturamento acima do de 2017.

Tiago Kleber, sócio-proprietário da Kleber Máquinas Agrícolas, classifica 2018 como “bom”. A loja registra crescimento de 10% a 15% na venda de implementos agrícolas periféricos, apesar da influência negativa da greve dos caminhoneiros, em maio. O maior impulsionador tem sido o novo Plano Safra, divulgado em julho, que trouxe a boa notícia da queda na taxa do Mais Alimentos (veja box). “O governo também estava perdendo”, observa Tiago, referindo-se à retração econômica diante dos juros cobrados no financiamento ao agricultor.

Há quatro meses, a loja é representante dos tratores Mahindra, marca indiana com montadora em Dois Irmãos. Assim, o sócio ainda não pode fazer uma projeção, pois hoje cada negócio no segmento é positivo. “Não podemos nos queixar. Para nós, é novidade e vai indo devagar”, reitera. E esse bom momento da Kleber é ilustrado pela expansão da unidade, com mais um pavilhão do outro lado da RSC-287.

O empresário também conta com a Expointer para alavancar de vez os negócios. E a grande novidade da Mahindra terá a cara do Vale do Caí, caracterizado pelos pomares. O trator “fruteiro” de 57 cavalos, com eixos mais estreitos, será lançado em Esteio. Com tecnologia de última geração, é ideal para podas, colheita e pulverização. “A marca é a mais vendida do mundo, com 46 mil unidades por ano”, salienta Tiago.

Loja vende 90% pelo Mais Alimentos
A vocação agrícola da região a torna ideal para negócios no segmento. O gerente da Unyterra Montenegro, Marcos Milech, observa que aqui são os médios e pequenos tratores – de 12 a 85 cv – que vendem bem. “Mas o que mais sai aqui é o de 55 cavalos”, afirma, referindo se ao modelo 11.554 da marca Yanmar. A robustez com dimensões reduzidas se encaixa também no trabalho em viveiros e no cultivo de hortifrutigranjeiros.

A loja, que ainda comercializada implementos para o campo e escavadeiras para construção civil, observa um semestre com 30% de aumento nas vendas: 15% em tratores e 15% em implementos. Milech explica essa melhora através da intensificação das ações de trabalho, inclusive com a contratação de mais um vendedor. “Mas a economia, é claro que está se movimentando novamente”, afirma, ao avaliar que, aos poucos, o cenário como um todo melhora.

O gerente aposta no Mais Alimentos, tendo em vista que 90% das vendas na Unyterra são financiadas pelo programa federal, com recursos do BNDES. A loja investe ainda na expansão física, para ainda em 2018 abrir uma nova linha de tratores com tecnologia japonesa Yanmar. Esses produtos, inéditos no Brasil, serão lançados no estande de Unyterra na Expointer. Um dos equipamentos oferecidos pela marca é o reversor, que permite, ao toque de uma alavanca, dar ré em qualquer marcha que estiver para frente.

Na New Holland, igual a 2017
A Líder Tratores, representante da New Holland, não compartilha do entusiasmo do mercado. O gerente de vendas da rede, Gabriel Cardoso, afirma que a loja de Montenegro repete em 2018 o desempenho do primeiro semestre de 2017. Os negócios não caíram, mas também não cresceram. E, novamente, a expectativa para o restante do ano é depositada no Mais Alimentos. “Agora a tendência é de aumentar”, afirma. A New Holland e a Líder também estarão na Expointer oferecendo, entre outros, um produto ideal aos citricultores. Os modelos “fruteiros” T3 e T4 serão lançados a partir de sábado.

Lucro reduzido para manter competitividade
A Verdes Vales é a concessionária John Deere no segmento tratores, colheitadeiras, plantadeiras, pulverizadores e implementos. E, no geral, suas vendas tiveram em 2018 um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2017. A constatação é do gerente Claudio Pereira, que aponta ainda a linha de tratores com aumento isolado de 14,5%. Já na linha de implementos, o crescimento foi de 11%.

“O crescimento das vendas é um ponto muito positivo, mas o resultado líquido está abaixo da expectativa”, revela. Isso aconteceu devido à redução de margens necessárias para que a Verdes Vales mantivesse a competitividade no mercado. Apesar da alta performance da John Deere nas colheitadeiras, Pereira reitera que, no Vale do Caí, o maior volume de comercialização é no segmento de tratores de pequeno porte.

Quanto ao avanço da tecnologia embarcada nos tratores, destaca um aumento na procura por equipamentos de maior porte, pois o cliente está buscando maior eficiência em menor tempo aplicado na realização das tarefas. “Pelo que já nos foi apresentado, 2019 será um divisor de águas em matéria de tecnologia embarcada em máquinas agrícolas”, revela Pereira. Inclusive, a loja de Montenegro está iniciando a comercialização de tratores com piloto automático integrado de fábrica, um belo diferencial.

Todos aguardam pelo que acontecerá no país
Outro comércio que vê suas vendas de tratores e implementos agrícolas estagnadas é a Reis Tratores. Rafael Reis também aposta forte na Expointer para alavancar a comercialização dos italianos da marca Landini. Em 2017, a loja montenegrina foi à Feira com uma expectativa ruim, mas se surpreendeu com o grande fluxo de negócios, impulsionado por um período significativo em que os agricultores não compraram.

Agora, a Expointer se torna uma incógnita. Há muita incerteza no ar, seja referente a quem vai vencer a eleição, quanto às últimas movimentações deste governo na economia. “Está todo mundo muito apreensivo quanto ao o que vai acontecer no Brasil”, observa.

Reis comenta que tudo depende da retomada definitiva dos vários setores produtivos, mas é justamente aí que esbarra a falta de confiança para fazer investimentos.

Clima favorece colheita e anima empresa
Outra conceituada loja na região, a Brenner Tratores, teve um incremento de negócios da ordem de 25% no comparativo dos primeiros semestres de 2017 e 2018. Ela é representante de tratores Agrale e máquinas e ferramentas Stihl, sendo que o gerente Astor Weizenmann também assinala a procura pelo Mais Alimentos, que representa 75% de seus negócios. “Não posso dizer que está ruim”, afirma, ao separar do cálculo os tratores com aumento de vendas em torno de 15%.

O gerente é otimista e aponta que cresce a confiança do agronegócio na recuperação do mercado, com boas vendas nas próximas safras. O preço dos citros e a boa colheita dos hortifruti, favorecidos por clima normal melhoram o desempenho do setor.

Apenas o Reflorestamento (plantio de mato) cruzou o semestre estagnado. O termômetro é a venda de motosserras, que não entrou nos 25%.

O vendedor Daniel Luft destaca a tecnologia dos tratores Agrale. Por exemplo, a do modelo 575 – 75 cv – com dimensões ideais às necessidades aqui no Vale, que conta como Super Redutor de caixa.Ele permite um deslocamento contínuo e lento, percorrendo 50 metros por hora na 1ª marcha e 200 metros/ hora na 5º. O sistema é útil para colheita, poda ou plantio com equipamentos. “A plantadeira precisa de uma velocidade constante para um plantio com intervalo regular”, explica o gerente Astor.

LS registra o maior crescimento do Vale
A Concessionária Kim, representante da LS Tratores, é outro comércio de peso no Vale. Seu gerente de vendas, Lucas Barreto, revelou que o primeiro semestre teve um incremento de 40% nas vendas da loja, localizada na ERS-240. “O que não quer dizer que é bom. Mas antes estava péssimo”, comentou. Na sua visão, precisaria de mais de 40% para recuperar a retração dos últimos dois anos.

Ele ainda não aposta na plena recuperação da economia brasileira, observando, por exemplo, que o mês de julho não foi bom. Em parte, no caso da microrregião Caí, a culpa é da Expointer. Barreto destaca que a Feira é muito importante, todavia os clientes não investem agora para esperar lançamentos e promoções de negócios no Parque de Exposições.

A montadora LS é sul-coreana e está no Brasil desde 2013. Tecnologias como o reversor de direção, cabine climatizada e câmbio sincronizado, que em outras marcas são opcionais, nos LS são de série. Apenas o GPS, que permite rastrear a rota na lavoura, é opcional. A marca também oferece modelos adequados à região, com destaque ao R60 (60 cv) financiado pelo Mais Alimentos.

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