Cristo Eucarístico passou pelas comunidades logo após a missa

Procissão foi motorizada no Centro e a missa teve capacidade reduzida

Mesmo em meio a uma pandemia e com todos os cuidados que devem ser tomados neste período, dezenas de famílias deixaram o conforto de suas casas para participar da celebração de Corpus Christi na Catedral São João Batista, na manhã dessa quinta-feira, 11. A tradicional missa iniciou por volta das 9h e reuniu cerca de 100 fiéis. Logo após, ocorreu a procissão, neste ano feita de forma motorizada. Na Timbaúva, a missa foi celebrada na Igreja São Pedro e São Paulo, mas não houve procissão, a fim de não gerar aglomeração, já que seria realizada a pé.

A tradição se manteve intacta para os fiéis, mesmo sem os tapetes decorados nas ruas. Seu Irineu Carlos da Rosa está presente todos os anos na missa de Corpus Christi e também não abre mão de participar da procissão. “A celebração é a mesma, o significado não muda. Vou acompanhar o Santíssimo até o fim do roteiro”, ressaltou, antes de iniciar o trajeto de carro.
A irmã Maria Alice da Silva esteve presente na missa e explica que, em meio à pandemia, mesmo sem poder realizar a confecção dos tradicionais tapetes, o sentimento nesse dia não muda, ainda que a ação deixe saudade. “Esse é o momento de estender nossos corações como tapete, porque é isso que Jesus quer, nosso coração. Está sim tudo diferente nesse ano, mas agora é tempo de cuidarmos da vida do próximo por causa da pandemia. Quem nos acompanhou nas redes sociais também, acho que conseguiram entregar seu coração”, pontua.

Apesar da mudança na programação deste ano em virtude da pandemia do novo coronavírus, João Batista valoriza a tradição mantida e revela que seu nome é uma homenagem ao padroeiro de Montenegro. “Venho à missa de Corpus Christi todos os anos. Infelizmente, não conseguirei acompanhar a procissão motorizada, mas a fé permanece. Meu nome é João Batista por uma promessa paga pela minha mãe. Era para ser Jorge André, mas a mãe teve dificuldade no parto e, da janela do Hospital Montenegro, avistava o padroeiro. Então, fez essa promessa”, conta.

Jane Maria de Oliveira Hauser, 78, também participou da celebração na Catedral. Sempre presente em eventos religiosos, ela conta que sentiu falta dos tapetes nesse ano, mas que a missa não deixou a desejar. “A gente sabe que mudou a programação nesse ano. Faltaram os tapetes, mas não faltou sentimento de fé, que a gente precisa ter. Essa segue em pé”, ressalta.
O Santíssimo passou pelas ruas do Centro e do interior durante a manhã dessa quinta-feira, e foi recebido com muita emoção e alegria pelas comunidades.

Comunidade Santo Antônio terá celebração também no sábado
Para receber a procissão motorizada do Santíssimo nesta quinta-feira, dia 11, a fiel Jacinta Maria Führ, 59 anos, preparou um altar na frente da Capela Santo Antônio, no bairro de mesmo nome, em Montenegro. Lá, ao lado de duas amigas, ela aguardou a passagem e benção com o Santíssimo.

Para além disso, a comunidade local também se prepara para celebrar no sábado, 13, o dia de seu santo padroeiro. Neste ano, o tradicional café colonial não poderá ser realizado em razão das restrições impostas por conta da pandemia. No entanto, uma missa será celebrada às 17h na capela, obedecendo as restrições de acesso de pessoas.

Sobre a nova forma de celebrar o Corpus Christi, Jacinta disse tratar-se de um período de adaptação. “Eu estranho por sentir falta de estar presente (nas missas e atividades), mas tem que ter cuidado com esse vírus”, comentou. O período de crise vivido representou um aumento na fé da aposentada, segundo ela.

Buscando encontrar algo de positivo em meio à pandemia, Jacinta cita a maior proximidade com a sua família como exemplo. “Às vezes rezo até quatro terços por dia, sozinha ou com minha família”, contou a aposentada.

O Santíssimo foi às comunidades
As mudanças sociais causadas pela pandemia do novo coronavírus também causou impacto na forma das celebrações religiosas. Um exemplo disso foi a inversão da tradição da procissão de Corpus Christi da Paróquia São João Batista. Antes, eram as comunidades do interior que iam até a Matriz para celebrar o Santíssimo. Desta vez, foi o Santíssimo que foi até as comunidades.

Na capela de Santo Alberto Magno, em Alfama, o coordenador da comunidade, Raine Kranz, 71 anos, organizou um altar em frente ao templo com a ajuda da diretoria e esperou com outros membros da comunidade a chegada da procissão. O gesto demonstrou a fé dos fiéis que, para Raine, é fundamental, ainda mais nesse período de crise. “Sem fé não se tem nada”, resumiu.

Em Santos Reis, a coordenadora local da comunidade católica, Maria Laides Lorenz, 49 anos, diz que foi gratificante poder receber o Santíssimo na capela. “É triste não poder ir na igreja para rezar”, lamentou. No entanto, ela entende que o momento exige cuidados e, por isso, adaptou a forma com que professa sua fé ao acompanhar via redes sociais ou pela televisão os atos religiosos. “Com muita fé em Deus tudo vai dar certo”, crê a devota de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

A procissão motorizada também passou pelas comunidades de Pinheros, de Aparecida, no bairro Faxinal, de São José, em São José do Maratá, e de Imaculado Coração de Maria, na localidade de Morro do Cedro. As duas últimas comunidades fazem parte de São José do Sul.

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