A Brigada Militar do Rio Grande do Sul conta com mais de três mil servidoras do sexo feminino

“NOS preocupamos com o coronavírus, mas a vida continua”, diz soldado

As medidas preventivas ao novo coronavírus foram adotadas pela Brigada Militar de Montenegro logo que começaram as suspeitas dos primeiros casos no País. Os cuidados com a higiene das mãos foram intensificados justamente em um período em que as policiais mulheres comemoravam uma importante conquista para elas: a possibilidade de pintar as unhas da cor que quiserem. Para alguns, o assunto pode parecer banal, mas para as soldados do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM) não é.

O regulamento da instituição, criado por homens, determina que as policiais usem tons de esmaltes que não chamassem à atenção, em tons nudes ou próximo ao da farda. Mas desde março, as mais de três mil policiais mulheres da BM do Rio Grande do Sul puderam passar a usar cores mais alegres e vibrantes. Isso porque a chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, coronel Cristine Rasbold, solicitou ao Comando Geral da BM a flexibilização da regra das cores dos esmaltes. “É uma sensação maravilhosa de liberdade. Tu poder escolher a cor da tua unha é uma alegria. Os homens não sabem o sentimento de termos as unhas coloridas”, diz a soldado Aline Paim, 40.

Para Aline, a cor das unhas tem influência no astral das mulheres e embora o momento seja de tensão, devido à pandemia, a conquista feminina deve ser celebrada. “Pra mim é muito relevante. Ouvi muito nos últimos dias que tem tanta coisa para se preocupar e estamos nos preocupando com a unha. Estamos preocupados com muitas coisas que estão acontecendo, mas isso foi uma conquista nossa. É muito importante esse avanço, temos que comemorar”, acrescenta Aline.

A soldado Tatiane Scheeren, 27, sempre gostou de trabalhar maquiada e com as unhas feitas. Mas usar cores fortes só era possível nos dias de folga. Na hora do trabalho as unhas voltavam a “ficar sem graça”. As regras sobre maquiagem e unhas foram passadas a ela ainda no período de capacitação dos soldados. “No curso, antes de vir para o quartel já eram passadas as normas internas sobre as tonalidades neutras. Era só no final de semana que usava cores mais vibrantes”, lembra a soldado.

Para a soldado Daiana Brandt, 29, poder usar o esmalte na cor que quiser representa avanço em relação a antigos pensamentos. “Cor não define nada, o respeito continua o mesmo. Acredito que são passos que as mulheres estão conquistando”, sublinha Daina. Para ela, ainda falta muito para que as mulheres tenham direitos iguais aos dos homens, mas é importante comemorar cada passo alcançado.

“Todas nós nos preocupamos com o coronavírus, mas a vida continua. Estamos tomando medidas de prevenção. Temos que ter os pés no chão e tomar cuidado. Só que a vida segue”, conclui Daiana.

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