Tiago Feron, da CDL

Falta de planejamento. Município não reservou verba e CDL diz que lojistas não têm como bancar a ação sozinhos

Montenegro vai ficar novamente sem uma campanha para promover o comércio local em época natalina, ao contrário de dezenas de cidades gaúchas. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) afirma que faltou o apoio financeiro do Município. A Prefeitura, por sua vez, alega que no ano passado ninguém reservou recursos para essa finalidade no orçamento municipal de 2017. O assunto foi discutido no último dia 27, em reunião entre a Administração Municipal e diversas entidades cuja pauta também debateu o “Natal da União” — proposta do Poder Executivo que prevê programação natalina baseada em atrações artísticas e sem aporte de recursos financeiros municipais.

Para a CDL, a impressão é de que o poder público se esquiva de seu papel de liderar o debate político para unir forças e investir para a campanha crescer ano após ano. “Indiretamente, a Prefeitura solicitou [na reunião do dia 27] aos empresários apoio em valores financeiros para custear o evento de final de ano, especificamente o Natal. Na verdade, entendemos como CDL que o poder público municipal está transferindo a responsabilidade do Natal aos empresários locais”, lamenta o presidente da entidade, Tiago Feron.

Segundo o dirigente da entidade, o Município pediu a ajuda do empresariado para uma série de questões, como decoração, cadeiras, telão, sistema de sonorização, serviços de publicidade, aluguel de guindaste para dar suporte a uma apresentação artística acrobática, contratação de Papai Noel, entre outras despesas. “As entidades não possuem recurso para movimentar tamanha estrutura”, argumenta.

Tiago disse que os comerciantes montenegrinos estariam dispostos a “apoiar a iniciativa de desenvolver algo no Natal”, mas a sensação é de que o Poder Executivo de Montenegro apenas faz solicitações, sem proporcionar nenhum retorno, contrariando o conceito de que parcerias precisam ser feitas em mão dupla, ou seja, os dois lados compartilham compromissos e resultados. “Questionamos o papel do poder público nisso. Temos várias questões que vêm à tona, como estacionamento rotativo, sinalização, ambulantes, estrutura para o evento, impostos, falta de parcerias, entre outras. A cobrança e a aproximação precisam ser mútuas”, desabafa o presidente.

A hipótese de os lojistas montenegrinos realizarem uma promoção de vendas natalinas sem depender do poder público está descartada. Conforme Tiago, a CDL até iniciou um movimento neste sentido, “porém a adesão foi pequena por conta do momento econômico que estávamos vivendo ao meio deste ano”.

Secretário Elias da Rosa

No cargo de secretário da Indústria, Comércio e Turismo desde junho último, Elias Silva da Rosa reconhece que o Município não vai destinar mais nenhuma verba para campanha de incentivo às compras no comércio local neste Natal. “Não foi previsto nenhum recurso no orçamento deste ano”, admite Elias, sem saber por que, no ano passado, não foi reservado nenhum valor para esta finalidade quando se planejou as despesas de 2017.

Questionado se é papel da Administração Municipal provocar esse debate e chamar lideranças de entidades como CDL, ACI e Sindilojas, o titular da Smic afirmou que sim. “Neste ano, não houve tempo hábil, mas está em nosso horizonte para 2018 discutir uma união de esforços partindo do zero”, justifica. Na visão dele, a Prefeitura precisa incentivar este tipo de campanha, o que inclui aportar recursos financeiros.

Elias salienta, no entanto, que o governo de Montenegro tem investido no incentivo ao comércio local por meio do programa Nota Fiscal Gaúcha. Ao longo deste ano, conforme o secretário, estão sendo distribuídos R$ 76 mil em prêmios, mês a mês, junto ao concurso estadual. Em dezembro, por exemplo, um dos prêmios será de R$ 5 mil. “Este programa está sendo possível hoje porque foi programado com a antecedência necessária”, pontua.

O Jornal Ibiá procurou o Sindicato do Comércio Varejista de Montenegro (Sindilojas) para verificar se a diretoria planeja realizar alguma ação de venda de Natal. A entidade afirma que, neste ano, não tem nada previsto. “Estamos nos programando para que, no ano que vem, tenhamos projetos, inclusive, com o envolvimento do comércio”, disse a gerente administrativa Márcia Scherer.

Em Lajeado, campanha distribui R$ 100 mil a clientes

Em Lajeado, poder público e entidades unem esforços e o resultado disso é até passeios de “cedelinho” pela cidade. Foto: CDL de Lajeado/Divulgação

Enquanto Montenegro vai passar mais um Natal sem distribuir prêmios como incentivo a quem faz suas compras no município, outras cidades protagonizam situação oposta. Exemplo é Lajeado. Lá, a campanha denominada “Lajeado Brilha” foi lançada já em setembro e prevê a distribuição de R$ 100 mil em prêmios.

Depois do lançamento do projeto, que está em sua 18ª edição, 116 estabelecimentos envolvidos passaram a decorar vitrines e a distribuir raspadinhas, que trazem prêmios instantâneos (400 vales-compra) e o de R$ 50 mil, que será sorteado em dezembro. Além do apoio do poder público, a Lajeado Brilha tem patrocínio de empresas e conta com outras atrações promovidas pela CDL, como a Chegada do Papai Noel, o Cortejo de Natal e os passeios de dindinho pela cidade.

Paralelamente, a entidade lojista e a Prefeitura de Lajeado este ano organizam juntas o projeto “Natal no Coração”, que integra promoções comerciais e culturais a fim de recuperar o envolvimento da comunidade com a data e consolidar Lajeado como a cidade-polo para compras na época natalina, diz o governo local. O planejamento ocorre desde julho por voluntários, servidores do governo e lojistas, que dividiram as responsabilidades.

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